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A maioria deles fez fortuna em meados dos anos 1990, em negociatas derivadas da privatização do vasto patrimônio estatal soviético
Os jornalistas da revista Forbes e da agência de notícias Bloomberg vão ter uma trabalheira danada quando forem atualizar seus respectivos rankings de bilionários russos.
Isto porque as sanções financeiras impostas à Rússia pela invasão da Ucrânia miram também oligarcas ligados ao presidente Vladimir Putin.
Ainda que os oligarcas estejam longe de ser uma exclusividade russa, eles chamam a atenção pela quantidade.
A maioria deles construiu fortuna em meados dos anos 1990, em negociatas derivadas da privatização do vasto patrimônio estatal soviético.
Veja a seguir o ranking dos cinco maiores bilionários russos, segundo a Bloomberg, e como alguns deles já estão sendo afetados pelas sanções dos Estados Unidos e de seus aliados contra a Rússia.
O homem mais rico da Rússia na atualidade tem sua fortuna estimada em US$ 25,2 bilhões pela Bloomberg. Sim, é muito, mas há pouco tempo essa fortuna era bem maior. Potanin chegou a ser a décima pessoa mais rica do mundo. Depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, despencou para a 55ª posição, segundo ranking atualizado diariamente pela Bloomberg.
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Formado pelo Instituto de Relações Internacionais de Moscou, Potanin trabalhou para o Ministério de Comércio Exterior da extinta União Soviética. Quando a Cortina de Ferro caiu, ele virou banqueiro.
Em 1995, Potanin comprou a Norilsk Nickel por um preço muito aquém de seu valor de mercado. Ele virou dono da Norilsk, atualmente a maior mineradora de níquel do mundo, em um esquema por meio do qual o então presidente Boris Yeltsin favoreceu banqueiros e empresários na privatização do que restava da URSS. Eem troca, Yeltsin recebeu de dinheiro para sua campanha a presidente meses antes de uma eleição na qual o candidato do Partido Comunista da Rússia, Gennady Zyuganov, ameaçava desbancá-lo nas urnas.
Atualmente com 61 anos de idade, Potanin é associado pelo Departamento de Tesouro dos EUA como associado ao presidente Vladimir Putin.
Leonid Mikhelson e Alexei Mordashov dividem o segundo lugar entre os bilionários russos, ambos com fortuna pessoal estimada em US$ 22 bilhões cada. Mas esta é a única associação entre eles no momento.
Mikhelson, 66, é engenheiro de formação e fez carreira em companhias estatais soviéticas. Era diretor-geral da NOVA à época de sua privatização, em 1994. A empresa de produção de gás natural transformou-se em Novatek, à frente da qual Mikhelson amealhou fortuna. Também é conhecido por sua boa relação com Putin e pelos investimentos em obras de arte.
Mordashov, 56, saiu de uma família humilde e também fez fortuna à época das privatizações, mas de um modo diferente de outros oligarcas russos. Formado no Instituto de Engenharia e Economia de Leningrado, Mordashov era diretor financeiro de uma metalúrgica em 1992.
À época, teria sido aconselhado por um executivo mais experiente a ir comprando ações de outros funcionários da empresa para que ela não caísse em mãos de estrangeiros quando fosse privatizada.
Acabou CEO da metalúrgica e formou a Severstal, um conglomerado por meio do qual passou a adquirir empresas dos setores de siderurgia, carvão e mineração.
Também tornou-se sócio do Rossiya Bank. Hoje conhecido como “Barão do Aço”, Mordashov até pronunciou-se contra a guerra, mas isso não impediu a União Europeia de congelar seus bens.
O quarto homem mais rico da Rússia na atualidade é Vladimir Lisin. Sua fortuna é estimada pela Bloomberg em US$ 21,2 bilhões.
A exemplo de outros oligarcas, encontrava-se em uma posição executiva numa empresa estatal à época de sua privatização. Fez fortuna à frente da siderúrgica Novolipetsk.
É conhecido pelo perfil estudioso, com vasta produção acadêmica em sua área de atividade. Também é o presidente da Federação Internacional de Tiro Esportivo. Assim como os demais, é citado na “Lista Putin” do Departamento de Tesouro dos EUA.
Somente ao chegar ao quinto colocado no ranking encontramos um bilionário russo que não fez fortuna graças às conexões políticas à época das privatizações das estatais.
Falamos de Andrei Melnichenko. Nascido em Gomel, na atual Bielorrússia, ele tem 49 anos e amealhou até o momento US$ 20 bilhões à frente da EuroChem (indústria de fertilizantes) e da SUEK (produtora de carvão).
A história de sua fortuna também começa nos anos 1990, mas quando era um jovem estudante de física em Moscou. Ele e dois colegas de faculdade começaram a ganhar dinheiro com transações cambiais no início dos anos 1990.
Os lucros obtidos os levaram a abrir um banco, mas o interesse de Melnichenko por commodities o direcionou para as indústrias de fertilizantes e carvão.
Ainda que não tenha feito fortuna a partir de estatais, Melnichenko também é conhecido pelas boas relações com Putin.
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