Nubank surpreende e registra seu primeiro lucro, de US$ 7,8 milhões — ações disparam em NY
Apesar da surpresa positiva, dados de inadimplência do Nubank ainda preocupam

Superando as expectativas do mercado e após uma temporada de balanços que foi mais negativa do que o esperado para os grandes bancos, o Nubank trouxe uma surpresa em sua divulgação referente ao terceiro trimestre de 2022 — um lucro líquido de US$ 7,8 milhões, algo inédito desde a abertura de capital. Isso ainda reverte o prejuízo de US$ 34,4 milhões de um ano antes.
O dado foi divulgado sem nenhum ajuste.
Já o lucro líquido ajustado — aquele que exclui as despesas com a remuneração de executivos — chegou a US$ 63 milhões. No mesmo período de 2021, era um prejuízo de US$ 1,2 milhão.
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A margem bruta do Nubank cresceu 1,4 ponto percentual no terceiro trimestre deste ano, uma alta de 33% — um dado bem positivo, já que o banco digital vinha sofrendo há alguns trimestres com a compressão das margens.
As receitas do banco deram um salto de 171% ano a ano, chegando a US$ 1,3 bilhão. Já a receita média mensal por cliente ativo (ARPAC, na sigla em inglês) cresceu 61% na comparação com 2021, em US$ 7,9. Segundo o balanço, o dado reflete principalmente o amadurecimento das safras de clientes, a taxa de atividade deles e o lançamento de novos produtos.
Apesar dessa alta, o custo médio mensal do atendimento por cliente ativo chegou a US$ 0,80 cada, ficando estável em relação ao trimestre anterior.
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Na avaliação do Nubank, os números refletem maior diluição dos custos, maior fidelidade dos correntistas e crescimento considerável da base de clientes.
No fim da tarde desta segunda-feira (14), ainda durante o pós-mercado nos Estados Unidos, as ações do Nubank chegaram a disparar 13%.
A carteira de crédito do Nubank
Apesar dos números melhores, a inadimplência ainda preocupa, conforme o previsto. Ainda que esteja dentro do que era esperado por analistas, o dado causa um alerta natural — O NPL de 90 dias ficou em 4,7%, avanço de 6 pontos percentuais na comparação com o trimestre anterior.
Essa métrica considera débitos atrasados há mais de 90 dias.
O Nubank afirma que a piora deste número foi mais acentuada na parte de crédito pessoal, mas cita também uma piora no cenário macroeconômico que afeta o sistema financeiro como um todo.
Youssef Lahrech, recém-nomeado presidente do Nubank, explicou durante teleconferência com analistas que o nível de incertezas ainda é alto no Brasil, o que torna a tarefa de traçar cenários para a inadimplência algo difícil.
Há de se ressaltar que, no segundo trimestre, o banco alterou o cálculo da inadimplência de forma que o índice final ficou mais agradável aos olhos. A mudança também dificulta a comparação direta do Nubank com os concorrentes.
Na nova metodologia, o banco digital passou a antecipar a baixa de empréstimos pessoais inadimplentes há mais de 360 dias para 120 dias.
Fazendo o cálculo retroativamente, a inadimplência no primeiro trimestre, que havia ficado em 4,2% no método antigo, passou a ser de 3,5%. Já o índice do segundo trimestre ficou em 4,1%.
Em relatório recente, os analistas do BTG Pactual apontavam que, ainda que houvesse piora na inadimplência, isso não deveria exercer uma pressão tão grande sobre as provisões, uma vez que o principal propulsor do modelo de provisionamento de perdas do Nubank é a originação de crédito, que está mais restrita.
Segundo o balanço, a carteira total passou de US$ 9,2 bilhões para US$ 9,7 bilhões entre julho e setembro deste ano, um avanço de 5,2%. Para efeitos de comparação, no segundo trimestre do ano, a evolução havia sido de 15%.
O número foi sustentado principalmente pela divisão de cartões de crédito, que passou de US$ 7,2 bilhões para US$ 7,8 bilhões. A carteira de empréstimo pessoal, por sua vez, caiu para US$ 2 bilhões.
A base de clientes
Olhando para a base de clientes do Nubank, o terceiro trimestre foi marcado por uma expansão. Foram 5,1 milhões de novos correntistas chegando ao banco digital no terceiro trimestre do ano. São 22,3 milhões a mais na comparação com 2021.
Com isso, o roxinho fechou o período com 70,4 milhões de clientes somando Brasil, México e Colômbia, uma alta de 46% em 12 meses.
Isso ajudou a impulsionar as receitas do banco.
Desempenho das ações do Nubank
Os números apresentados hoje têm potencial de mexer com o papel do Nubank na bolsa, que nos últimos tempos se estabilizou ao redor de US$ 4 e US$ 5.
Desde a oferta pública de ações (IPO) em Nova York, há quase um ano, o Nubank acumula queda superior a 60%.
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