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Enquanto o mercado automotivo recupera performance, três modelos aparecem em destaque mesmo com os preços em alta: saiba quais são e por quê
O ano caminha para a metade e o mercado automotivo finalmente esboça uma reação às vendas. Antes mesmo do fechamento do semestre, inclusive, já é possível avaliar alguns modelos de carros em destaque.
2022 começou devagar e os fabricantes de automóveis ainda enfrentam paralisações em suas linhas de produção devido à escassez de componentes.
O conflito entre Rússia e Ucrânia e os lockdowns na China dificultam ainda mais a logística, forçando as montadoras a reverem suas estratégias semanalmente.
Recentemente, mostramos para você os campeões em autonomia. Hoje você vai conhecer os campeões em vendas.
O mercado de automóveis é dinâmico, com reestilizações e atualizações a qualquer momento. E as vendas são suscetíveis a isso. Enquanto um modelo cai nas graças no consumidor, outro muda e não agrada tanto. Ou então uma reestilização adiada ou um motor menos eficiente derrubam a demanda.
Outro fator sensível às vendas é o preço: uma promoção ou mudança de versão pode levar a um aumento de interesse. Isso sem dizer que as paralisações das linhas de montagem também impactam a oferta.
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Para Francisco Mendes, consultor da área automotiva, não há mais o “queridinho”, mas produtos bem posicionados em cada segmento. “À medida que os preços sobem, veículos menores passam a ser inacessíveis para a maior parte do público consumidor que, há dois atrás, comprava zero-km”, avalia.
“Desde a pandemia, o que vemos são as fábricas mudarem o foco para produtos de maior valor agregado, otimizando a estrutura fabril pelo preço e não pelo volume. Com a escassez de componentes, a lógica manda produzir o que gera maior resultado”, diz Mendes. Dos 20 mais vendidos, estes representam 65% do mercado.
Sob essa ótica, o consultor destaca modelos conforme o segmento. Dos SUVs nos diferentes portes, ele cita o bom desempenho de Jeep Renegade (recentemente renovado), Toyota Corolla Cross, Jeep Compass e Jeep Commander. De compacto, o Hyundai HB20. Entre as picapes, as Fiat Strada (pequena) e Toro (compacta) e a Toyota Hilux (médias).
Se há alguns anos havia maior oferta que demanda, e os concessionários reclamavam que nem sempre o que recebiam era o que mais vendiam, a pandemia pontuou um novo cenário. Primeiramente, e não só por causa das paralisações e lockdowns, a indústria decretou o fim do carro “popular”.
As tecnologias empregadas, a maioria por força de novas legislações, elevaram os custos nos últimos anos. Caso de air bags, freios com ABS, cinto de segurança de 3 pontos e apoios de cabeça para todos passageiros e ancoragem Isofix para cadeirinhas são alguns exemplos.
Fora isso, conectividade e assistências ao motorista tornaram-se num primeiro momento diferenciais competitivos e, posteriormente, “exigidos” pelo consumidor, conforme o segmento.
Mais recentemente, a nova norma de emissões do Proconve L7 determinou uma evolução nos padrões, expulsando do mercado carros poluentes e beberrões.
Então, não foi apenas a pandemia, mas um caminho que seria natural e depois acelerado pelas recentes mudanças. Tudo isso, enxugou o mercado e o tornou mais seletivo.
Alta de custos, desvalorização da moeda e escassez de componentes forçaram a indústria a preterir o volume à rentabilidade. Para produzir pouco, melhor que sejam modelos de maior valor agregado.
Então, ao mesmo tempo que os populares foram desprezados, a conjuntura de mercado (pressionada pela inflação) elevou a oferta a modelos mais sofisticados e, consequentemente, mais caros.
Hoje, do ranking dos 10 mais vendidos, metade custa entre R$ 65 mil e R$ 82 mil (hatches e sedãs compactos) e os demais já extrapolam R$ 100 mil. O Jeep Compass, por exemplo, 6º entre os mais vendidos, parte de R$ 175.130. A picape Strada, líder de vendas, começa em R$ 96.039, mas a versão de cabine dupla, a mais vendida e que tem maior apelo, custa a partir de R$ 109.376.
Sim, a Strada é um dos maiores destaques, já que está desde o ano passado na liderança. Depois de renovada, em março de 2020, a picape da Fiat chama a atenção pelo ótimo espaço interno na versão de cabine dupla, atendendo tanto a quem precisa de uma picape para o trabalho (para pequenas cargas) como para o lazer.
Versátil, ainda recebeu no fim de 2021 a opção do câmbio automático CVT, antiga demanda de consumidores. A nova geração conta com motor flex 1.4 de até 88 cv e 1.3 de até 109 cv. De janeiro a 20 de maio, a Strada teve 37.315 unidades licenciadas, cerca de 5 mil a mais que o segundo lugar.
Na vice-liderança, eis um compacto, o Hyundai HB20, que soube aproveitar a lacuna deixada pelo Chevrolet Onix, um dos modelos mais impactados pela falta de semicondutores – sua produção foi interrompida por mais de seis meses em 2021.
Em 2020, por exemplo, o HB20 foi bem nas vendas (encerrou o ano com 86.500 licenciamentos) e só perdeu para o Onix (que finalizou o ano com 135 mil unidades) –, mas a diferença era bem grande.
Agora, enquanto o Chevrolet ensaia uma recuperação, o Hyundai segue firme à frente. Vamos ver como se sustenta até o fim do ano. É o carro mais vendido no estado de São Paulo, o maior do mercado brasileiro.
Com preços a partir de R$ 73.400, o HB20 está disponível em 8 versões com opções de motor 1.0 de 3 cilindros aspirado (80 cv) e turbo (120 cv), além de câmbio manual e automático, bom acabamento e design que demorou para embalar, mas agrada.
No segmento atualmente queridinho dos consumidores, os SUVs, o destaque até então vai para o Volkswagen T-Cross. Com preço perto de R$ 110 mil, na versão mais acessível, é o quarto carro mais vendido do país até 20 de maio. Em abril, foi líder em alguns estados (DF e RJ) enquanto ficou como segundo mais vendido em SP e SC.
Bem construído, conjunto multmídia dos mais modernos, design que ainda agrada, motores de bom desempenho e eficientes (1.0 e 1.4 turbo), boa valorização e pertencer a uma marca sólida são os principais motivos de sua performance. É um carro também bastante procurado por PcDs, devido aos incentivos promovidos pela Volkswagen.
Representante do segmento sub-B dos SUVs, o sucesso do T-Cross pode tropeçar na renovação do Jeep Renegade, que teve a produção interrompida para a virada do produto nos primeiros meses do ano.
Em fevereiro, o Volkswagen vendeu 3 mil unidades a mais que o Jeep, mas no mês passado a diferença caiu para cerca de 500 unidades ainda a favor do SUV da Volks. O Renegade já chega piscando o farol e pedindo passagem.
| Modelo | Unidades |
|---|---|
| 1º Fiat Strada | 37.315 |
| 2º Hyundai HB20 | 32.147 |
| 3º Chevrolet Onix | 27.462 |
| 4º Volkswagen T-Cross | 24.267 |
| 5º Fiat Mobi | 23.681 |
| 6º Jeep Compass | 22.884 |
| 7º Hyundai Creta | 21.716 |
| 8º Chevrolet Onix Plus | 21.347 |
| 9º Fiat Toro | 19.838 |
| 10º Fiat Argo | 18.274 |
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