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Na média, os gastos mensais do governo Bolsonaro no cartão corporativo foram 83% superiores aos de seu antecessor, Michel Temer, ante uma inflação de pouco mais de 10% no período auditado
Os gastos do presidente Jair Bolsonaro com o cartão corporativo do Palácio do Planalto vêm sendo alvo de disputa há anos.
Dificultando a transparência em relação ao tema, o governo impôs sigilo sobre 99% dos gastos com cartão corporativo.
Pois o segredo em torno dos gastos do presidente, da primeira-dama Michelle e do círculo mais próximo do casal sofreu um duro golpe nesta sexta-feira.
A revista Veja obteve acesso a uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os gastos com o cartão corporativo entre janeiro de 2019, quando Bolsonaro assumiu o governo, e março do ano passado.
De acordo com a publicação, a fatura mensal do cartão de Bolsonaro — paga com dinheiro do contribuinte — foi de aproximadamente R$ 755 mil em média.
No total, a reportagem revela gastos superiores a R$ 20 milhões espalhados por 27 faturas.
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Para sermos mais precisos, Bolsonaro gastou R$ 20.385.990,18 no cartão corporativo entre janeiro de 2019 e março de 2021.
A título de comparação, a auditoria do TCU traz os gastos com o cartão corporativo do Palácio do Planalto entre 2017 e 2018, quando o presidente era Michel Temer.
Na média, a fatura do cartão de crédito corporativo do presidente foi de R$ 412,5 mil por mês sob Temer.
Isso significa que os gastos mensais no cartão corporativo de Bolsonaro foram 83% maiores que os de seu antecessor imediato.
Para dar um desconto, a inflação acumulada no período entre janeiro de 2019 e março de 2021 foi de pouco mais de 10%.
Os documentos obtidos pela reportagem da revista Veja não trazem os gastos em detalhes, mas oferecem algumas pistas com o tipo de despesa efetuada.
Embora Bolsonaro costume transparecer um estilo de vida simples, os gastos com a compra de alimentos para as residências oficiais do presidente e de seu vice, Hamilton Mourão, atingiram uma média mensal de R$ 96,3 mil, totalizando R$ 2,6 milhões no período analisado.
É claro que eles não comeram tudo isso sozinhos. O dinheiro gasto com alimentação certamente abrange a equipe de segurança e os assessores presidenciais no Palácio do Planalto e em seus deslocamentos pelo país.
Por falar em deslocamentos, o cartão corporativo do presidente arcou com gastos de R$ 420,5 mil em combustíveis entre janeiro de 2019 e março de 2021. Na média, mais de R$ 500 por dia.
Já os gastos com hospedagem são um pouco mais intrigantes. Bolsonaro costuma enfatizar que dorme em instalações militares sempre que possível quando se desloca pelo Brasil.
Ainda assim, mais de R$ 7,5 milhões em hospedagens foram bancados pelo cartão corporativo do Palácio do Planalto no período de 27 meses coberto pela auditoria.
A reportagem vem à tona em um momento no qual pesquisas de intenção de voto sugerem que o ex-presidente Lula poderia vencer Jair Bolsonaro nas eleições de outubro sem a necessidade de segundo turno.
Embora os gastos com o cartão corporativo possam saltar aos olhos, o TCU está de olho mesmo é na farra das caronas aéreas.
O órgão fiscalizador dos gastos públicos notou o uso do avião presidencial para o deslocamento de ministros, aliados do governo e seus familiares para eventos sem nenhuma relação com atividades governamentais.
Ministros como Paulo Guedes (Economia), Fabio Faria (Comunicações), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência) usaram a aeronave para curtir feriados e assistir a jogos de futebol.
Ainda de acordo com a Veja, “o mesmo expediente foi utilizado por outras dezessete autoridades ou convidados e familiares delas”.
A íntegra da reportagem pode ser lida aqui.
Na avaliação dos auditores do TCU, o uso do avião presidencial para deslocamentos de convidados do presidente Bolsonaro pode constituir crime de improbidade administrativa.
O documento do TCU circulou nos últimos dias pela Procuradoria-Geral da República, pelo Ministério Público do Distrito Federal e pela Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados.
A recomendação de Antonio Anastasia, o relator da auditoria, é que o governo seja mais parcimonioso com os gastos. Ele também pede a retirada do carimbo de “ultrassecreto” para parte dos gastos.
Jair Bolsonaro alega que impõe o sigilo para resguardar sua segurança pessoal.
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