Até o presidente do BC admite: inflação está muito alta e persistente
Campos Neto diz que BC analisa surpresa no IPCA e atribui a alta dos índices ao impacto mais rápido do reajuste dos combustíveis
Impacto mais rápido que o esperado dos reajustes dos combustíveis foi responsável em parte pela surpresa da inflação medida pelo IPCA de março, de acordo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.
O índice oficial de inflação registrou forte alta de 1,62% em março, maior patamar para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. Após a surpresa negativa, parte do mercado passou a defender uma alta maior da taxa básica de juros (Selic)
"Teve também outros elementos como vestuário e alimentação fora do domicílio que vieram com surpresa grande. Estamos analisando surpresa no IPCA e vendo se muda algo na tendência. Essa surpresa também se fez presente em vários outros países", afirmou, em videoconferência organizada pela Arko e Traders Club (TC).
- MUDANÇAS NO IR 2022: baixe o guia gratuito sobre o Imposto de Renda deste ano e evite problemas com a Receita Federal; basta clicar aqui
O presidente do BC admitiu que a inflação brasileira está muito alta, assim como os núcleos. "Temos comunicado com a maior transparência possível o nosso processo de enfrentamento a essa inflação mais alta e persistente", completou.
Campos Neto também disse que diversos analistas de mercado estão revisando a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2022 para próximo de 1,0%, que é a projeção da autoridade monetária.
"Os números na ponta, em tempo real, estão um pouco melhores. Não estamos falando de um crescimento esplendoroso, mas de uma melhora em relação ao que se imaginava um tempo atrás", afirmou, na videoconferência.
Leia Também
Ele destacou que o Brasil vem recebendo fluxos para ativos financeiros recentemente. "O mercado começou a sentir um pouco esse movimento de apreçamento de juros nos Estados Unidos", completou.
Câmbio ainda não reflete no índice de inflação
Roberto Campos Neto voltou a destacar o grande fluxo de entrada de dólares no Brasil, com o real tendo um desempenho melhor que outras moedas.
"Parte dessa melhora do câmbio ainda não está refletida nos índices de inflação. Vemos algumas projeções que levam pouco em consideração essa apreciação do câmbio. A pergunta é se isso pode se interromper com um movimento maior de alta de juros nos Estados Unidos, mas a resposta depende mais da forma como isso se dá do que do aumento em si", afirmou.
Mudança geopolítica
Roberto Campos Neto repetiu nesta segunda-feira que a estabilização no mundo pós-guerra na Europa deve significar uma mudança geopolítica. "Isso já está em curso", afirmou. Campos Neto repetiu que pode haver reversão de fluxo de emergentes a depender de inflação e crescimento nos Estados Unidos. "Precisamos ver como os ativos americanos se comportam", completou.
O presidente do Banco Central repetiu a avaliação de que a entrada de dólares no Brasil decorre de surpresas fiscais positivas e da proatividade do BC no combate à inflação.
"O câmbio tem uma apreciação, o real é a melhor moeda do G-20 no acumulado do ano. Vemos uma realocação de recursos, saindo da China e entrando no Brasil e em outros países. É um pouco em função do conflito e da antecipação de como será essa nova geopolítica. Os investidores também entendem que há empresas brasileiras acostumadas com inflação", afirmou.
O presidente do BC disse que muitos analistas ainda têm projeções de câmbio em R$ 5,25 ou R$ 5,30 no fim deste ano. "Parece que fluxo para Brasil não tem característica de reversão no curto prazo, mesmo que seja menor", acrescentou.
Campos Neto lembrou que a alta dos preços internacionais de grãos com o conflito na Europa foi mais do que compensada pela apreciação do real. "Não gera pressão inflacionária, porque o câmbio mais do que compensou o movimento de commodities na parte de alimentos. Já o aumento em combustíveis foi muito alto, ainda como efeito altista para a inflação", disse.
Para o presidente do BC, a surpresa maior no IPCA de março se deveu a "uma aceleração diferente e mais intensa" no repasse dos preços do petróleo para as bombas de combustíveis. "Isso na verdade só transferiu a inflação de um mês para o outro", avaliou.
Pix
Apesar do sucesso do Pix no Brasil, o presidente do Banco Central, admitiu que há um crescimento lento das modalidades Pix Saque e do Pix Troco. "Esperamos aceleração nos próximos meses. Essa uma função importante para as cidades pequenas, onde não tem agências bancárias e locais para sacar dinheiro", afirmou.
Real digital
O presidente do Banco Central admitiu que a greve dos servidores do BC deve atrasar o avanço da agenda digital da autoridade monetária. "O projeto piloto do real digital deveria ser no quarto trimestre de 2022, mas com greve deve ter atraso. Mas não mudamos nos planos de médio e longo prazo", afirmou, em videoconferência organizada pela Arko e Traders Club.
Ainda assim, ele confirmou que novidades da agenda de sustentabilidade da instituição devem ser anunciadas em maio, em um evento no Rio de Janeiro junto com o Ministério do Meio Ambiente. "Há o tema de taxonomia e de precificar floresta nativa. O Brasil tem oportunidades na agenda sustentável", completou.
Leia também:
- 5 razões que podem fazer o BC subir ainda mais a taxa de juros – e uma para manter o plano de voo como está
- Razão e sensibilidade… e Selic; Elon Musk desiste de cargo no Twitter, balanço do Palmeiras, SpaceX e outros destaques do dia
* Com informações do Estadão Conteúdo
Feriados 2026: veja quando caem as primeiras folgas do ano
Calendário de 2026 tem maioria dos feriados em dias úteis e abre espaço para fins de semana prolongados ao longo do ano
Vencedor da Mega da Virada que jogou o prêmio no lixo, dividendos sendo tributados e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Mega bilionária, novos impostos e regras do jogo: o que bombou no Seu Dinheiro na primeira semana do ano, entre a corrida pelo prêmio da Mega da Virada e a estreia da tributação sobre dividendos
Eleições 2026: quando o jogo começa para eleitores, partidos e candidatos
Cronograma reúne datas-chave para eleitores, partidos e candidatos ao longo de 2026
Agro cobra reação rápida do Brasil à taxação chinesa para evitar impacto no mercado
Bancada afirma acompanhar o tema com preocupação e alerta para riscos ao mercado e à renda do produtor no início de 2026
Calendário Gás do Povo 2026: botijão passa a ser gratuito e governo amplia o acesso ao gás de cozinha
Novo programa substitui o Auxílio Gás e garante recarga gratuita do botijão de 13 kg para famílias de baixa renda
Calendário do Pé-de-Meia 2026: confira quando o governo paga os incentivos do ensino médio
Programa funciona como uma poupança educacional, paga até R$ 9.200 por aluno e tem depósitos ao longo do ano conforme matrícula, frequência, conclusão e participação no Enem
Calendário do Bolsa Família 2026: confira quando começam os pagamentos e quem pode receber
Pagamentos começam em 19 de janeiro e seguem até o fim do mês conforme o final do NIS; benefício mínimo é de R$ 600
Do petróleo ao bitcoin (BTC): como o ataque dos EUA à Venezuela mexe com os mercados
O conflito pode elevar a percepção de risco de toda a América Latina, inclusive do Brasil, segundo analista da RB Investimentos
Lotofácil 3577 faz um novo milionário, enquanto outras loterias ficam pelo caminho; confira os sorteios deste sábado
A Lotofácil volta a correr neste sábado, 3, no valor de R$ 1,8 milhão, porém ela não é a única a sortear uma bolada
Trump diz que Maduro foi deposto e capturado após ataques dos EUA na Venezuela
Segundo autoridades dos EUA, Maduro foi capturado por tropas de elite das forças especiais
Bolsa Família, Pé-de-Meia, Gás do Povo e mais: veja o calendário completo dos programas sociais do governo para 2026
Do Pé-de-Meia ao novo Gás do Povo, veja como ficam as datas e regras dos principais benefícios federais neste ano
A contribuição do Microempreendedor Individual (MEI) subiu em 2026; veja o novo valor
Aumento do salário mínimo reajusta valor da contribuição, que representa 5% do benefício
Calendário 2026: Ano terá nove feriados durante a semana — veja quando vão cair
Com nove dos dez feriados nacionais caindo em dias úteis, calendário de 2026 favorece emendas e planejamento de folgas ao longo do ano
Novo salário mínimo já está em vigor: veja o valor e quando o dinheiro cai na conta
Salário mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026, entra em vigor em 1º de janeiro e deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia, segundo o Dieese
Novo salário mínimo entra em vigor nesta quinta-feira (1); veja o valor
Reajuste foi de 6,79%, acima da inflação, e impactará trabalhadores da ativa, aposentadorias e benefícios da Previdência Social
O inimigo agora é outro: a China impôs tarifas à carne bovina brasileira, mas governo promete tentar mitigar impactos
O Brasil terá uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas, e as exportações que ultrapassarem esse volume pagarão uma sobretaxa de nada menos que 55%, em adição aos 12% de imposto de importação já vigentes
Novas regras de multa do Simples Nacional entram em vigor a partir de hoje
Microempresas e empresas de pequeno porte devem ficar atentas à entrega mensal do PGDAS-D, que informa o faturamento da empresa, e ao envio anual da DEFIS, que reúne os dados econômicos e fiscais do negócio
Adiado, sorteio da Mega da Virada de 2025 está previsto para as 10h; acompanhe ao vivo aqui
Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.
Imposto de Renda: nova faixa de isenção começa a valer hoje; veja quem fica livre do tributo
Nova lei do Imposto de Renda amplia faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil e cria tributação sobre lucros e dividendos de altas rendas
Mega da Virada de 2025 só em 2026! Caixa adia o sorteio. Veja quando ele vai acontecer.
Caixa atribui adiamento da Mega da Virada a problemas técnicos derivados do intenso movimento em seus canais eletrônicos