Alta dos combustíveis afeta caminhoneiros e motoristas de aplicativo — e uma debandada dos trabalhadores desses setores pode estar próxima; entenda
Os brasileiros que trabalham com veículos sentiram bruscamente o aumento nos preços dos combustíveis, e deixar as atividades está se tornando além de uma possibilidade, uma tendência

Se você acompanhou os jornais nos últimos dias, ou, pelo menos, foi a algum posto abastecer seu carro, tenho certeza que a situação atual dos combustíveis te deixou de queixo caído — e de bolsos vazios.
Afinal, o reajuste anunciado pela Petrobras (PETR3;PETR4) foi de 24,9% no preço do óleo diesel, de 18,7% em cima da gasolina e de 16% sobre o gás de botijão.
Agora, encher o tanque pode ser uma tarefa ainda mais complicada se você depende de veículos para trabalhar, como é o caso dos caminhoneiros e dos motoristas de aplicativo.
Combustíveis e caminhoneiros em retirada
Em busca de alternativas para atravessar (ou sobreviver) ao cenário de escalada dos preços dos combustíveis, os caminhoneiros estão cogitando até mesmo abandonar as estradas.
Esse foi o caso do motorista Waltuir Inácio da Silva Júnior, de 38 anos, que decidiu largar o volante do caminhão depois de 14 anos atuando como caminhoneiro.
"Vou fazer qualquer outra coisa, mas não serei mais caminhoneiro. Vou vender picolé, pipoca, qualquer coisa, mas não faço mais isso", disse o motorista, que vem de uma família de caminhoneiros. "Todos já desistiram, só faltava eu."
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Segundo Júnior, a alta do diesel eliminou qualquer condição de continuar no setor, uma vez que o caminhoneiro mal consegue pagar as contas do dia a dia com o dinheiro que sobra.
"Hoje pago a conta que tem mais tempo de atraso, as outras continuam na lista de espera. Quando sobra um dinheiro, eu quito."
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Motoristas de aplicativos
Apesar dos incentivos anunciados pelos aplicativos de transporte privado, como os R$ 100 milhões investidos pela Uber em iniciativas, uma saída de condutores pode estar à vista.
De acordo com líderes de entidades que representam os motoristas de veículos, uma debandada ainda maior pode acontecer caso nada seja feito para compensar o aumento dos custos dos combustíveis para os condutores de carros por aplicativos.
O presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp), Eduardo Lima, ainda calcula os efeitos da escalada de preços dos combustíveis atual.
“Agora, com o novo aumento, acredito que 25% [dos motoristas de aplicativo] vão deixar a atividade se nada for feito para compensar esse aumento de custos. No longo prazo, o número poderá ser maior."
20% dos motoristas já saíram por conta do preço dos combustíveis
É importante frisar que o abandono das atividades nos aplicativos já vem acontecendo desde o ano passado, quando os combustíveis sofreram outros aumentos.
Do total de motoristas de São Paulo capital, de 120 mil condutores, cerca de 25% optaram por sair em 2021. Mas, com a queda dos preços dos combustíveis em janeiro de 2022, em torno de 5% dos motoristas decidiram voltar à atividade, de acordo com Eduardo Lima.
Ou seja, do total de condutores, 20% deixaram as atividades no ano passado e, agora, outros 25% podem percorrer o mesmo caminho.
"Era um movimento que já vinha acontecendo e, com aumento do preço dos combustíveis, deve-se acelerar, se não tiver algo para minimizar esse impacto", afirmou Denis Moura, diretor executivo da Associação de Motoristas de APP do Rio de Janeiro.
Corridas mais caras e rejeitadas
O paulistano também não tem um minuto de paz. Se já era difícil pegar um Uber na saída do trabalho, agora também vai ficar mais caro.
A Uber anunciou um “reajuste temporário” de 6,5% para as viagens, visando conter a alta no preço dos combustíveis em todo o mundo.
Além de mais caras, o número de rejeições das corridas também deve aumentar por conta do aumento dos custos dos combustíveis, segundo Denis Moura.
Isso porque os motoristas vão tentar rejeitar aquelas corridas que tiverem uma rentabilidade reduzida.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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