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Crise das criptomoedas, juros e inflação alta: tudo que aconteceu para a 2TM precisar reduzir seu quadro de funcionários
Há seis meses, os unicórnios — as startups cujo valor de mercado atingiu mais de R$ 1 bilhão — estavam com tudo; em especial, o mercado de criptomoedas estava a todo vapor, com o bitcoin atingindo máximas em US$ 57 mil. Mas a magia acabou e 2TM, dona da corretora Mercado Bitcoin sentiu o baque dos dois universos ao mesmo tempo.
A 2TM, gestora do Mercado Bitcoin, Meubank, MB Digital Assets, Bitrust, Blockchain Academy e MezaPro anunciou a demissão de 90 funcionários em virtude da mudança de cenário e escassez de recursos gerados pela mudança de ventos do panorama macroeconômico.
A empresa conta com mais de 750 funcionários — ou seja, uma redução de 12% na equipe. Em nota enviada à imprensa, a gestora do Mercado Bitcoin confirmou a informação à reportagem, destacando o cenário desfavorável de inflação e juros nas empresas de tecnologia (leia na íntegra mais abaixo).
Entre 2020 e 2021, os Bancos Centrais pelo mundo injetaram dinheiro na economia para segurar os efeitos da pandemia de covid-19. Quem se beneficiou desse cenário foram as criptomoedas e as ações de empresas ligadas ao setor de tecnologia.
As startups, que dependem do dinheiro barato para crescer, também aproveitaram o bom momento — e o Mercado Bitcoin, o unicórnio brasileiro de criptomoedas, não ficou de fora. Em julho deste ano, após um aporte de US$ 200 milhões, a corretora de cripto (exchanges) passou a ser avaliada em R$ 2,1 bilhões.
Em um mundo com investimentos vindos de todos os lados e criptomoedas em alta, os chifres dos unicórnios brilharam como nunca — mas o arco-íris se transformou em uma cinzenta nuvem.
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Mas esse turbilhão de dinheiro colocou pressão sobre a inflação, que se espalhou pelos quatro cantos do mundo. Enquanto no Brasil os preços subiram mais de 10% em 12 meses, os EUA encaram um dragão que não era visto a mais de 40 anos.
A perspectiva de alta de juros também fechou a torneira dos investimentos e essas startups começaram a perder o brilho. O baque nas empresas ligadas às criptomoedas foi ainda maior: o bitcoin desceu ladeira abaixo e acumula queda de 17,6% em 12 meses.
Especificamente no caso do Mercado Bitcoin, o acordo com a Coinbase e a 2TM em abril deste ano não saiu do papel, o que abriu espaço para a concorrência e mudou o xadrez dos negócios no cenário local.
Dessa maneira, a 2TM destacou, em nota enviada à imprensa, que o cenário global exigiu ajustes que vão além das despesas operacionais, “tornando-se necessário também o desligamento de parte de nossos colaboradores".
Leia a nota na íntegra:
A mudança do panorama financeiro global, alta de juros e da inflação, vem tendo grande impacto nas empresas de base tecnológica, as chamadas Growth Techs. Essa nova realidade exige que a 2TM também busque uma nova equação de crescimento e investimento.
Assim, o cenário exigiu ajustes que vão além da redução de despesas operacionais, tornando-se necessário também o desligamento de parte de nossos colaboradores.
O processo que realizamos foi pautado pela transparência e respeito, de modo a honrar o legado de cada colaborador que nos ajudou a chegar até aqui.
Aos colegas nos deixam hoje, foi oferecido um pacote de benefícios para apoiá-los pessoal e profissionalmente, que vai desde ajuda para recolocação no mercado, até manutenção do seguro saúde por um período determinado .
A companhia segue firme no seu propósito de construir a infraestrutura líder de mercado baseada em blockchain.
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