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Uma falha no protocolo Ankr (ANKR) permitiu a “emissão infinita” de tokens e fez uma criptomoeda da rede Binance Smart Chain despencar a quase zero
O filme Onze Homens e Um Segredo é uma das muitas obras sobre um crime perfeito. Mas não existe ficção que supere a realidade — em especial no universo digital das criptomoedas, em que os hackers tiram ideias como coelhos das cartolas.
E a história real que supera a ficção de hoje começa com um hacker que descobriu uma falha no código da blockchain do protocolo Ankr (ANKR), que desenvolve soluções descentralizadas para Web 3.0, como escalabilidade das transações e conexões multichain.
Essa falha permitiu que o hacker emitisse uma quantidade imensa de tokens aBNBc, do protocolo de recompensas da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo.
O número de criptomoedas emitidas não está claro, mas os desenvolvedores estimam que gire em torno dos 60 trilhões.
Mas o rastro de destruição ficou: o preço do aBNBc caiu 99,5% nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (02). Além disso, a Binance suspendeu as negociações e congelou cerca de US$ 3 milhões em fundos.
Devido ao próprio desenho de uma rede blockchain e suas múltiplas conexões, é difícil estimar quanto o hacker conseguiu desembolsar com o golpe.
Isso porque o criminoso utilizou um aplicativo chamado Tornado Cash, que embaralha as transações entre carteiras digitais (wallets), dificultando o rastreio.
Os desenvolvedores conseguiram identificar algumas compras suspeitas de stablecoins na rede Binance Smart Chain para o ethereum (ETH).
Até a conclusão desta reportagem, os desenvolvedores confirmaram o roubo de US$ 5 milhões em BNB, (BNB), o token da Binance Smart Chain.
A ausência dessas criptomoedas afetou a liquidez do protocolo, que já confirmou uma compra equivalente em BNB para tapar o buraco dos fundos faltantes.
No início da criação do universo das criptomoedas, tinha-se a ideia de que a blockchain era uma sistema impossível de ser hackeado. Não é bem assim.
A blockchain nada mais é do que uma tecnologia, assim como um celular. Existem bons e maus modelos, com maior ou menor grau de segurança, capacidade de processamento e por aí vai.
Para efeitos de comparação, a blockchain do bitcoin (BTC) seria um celular top de linha — esta rede, sim, é praticamente impossível de ser hackeada com a tecnologia disponível atualmente.
Outras blockchains que surgiram depois podem ter pontos mais frágeis, explorados pelos hackers. É o que acontece com as pontes (bridges), que conectam blockchains diferentes.
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