Quem segura a inflação — e as taxas de juros?
Com inflação ainda em alta, cenário para a próxima reunião do BC é de mais uma alta de 0,50 ponto percentual da Selic, para 13,25% ao ano

As taxas de juros de hoje e futuras devem balizar toda e qualquer decisão de investimento e essas dependem, a priori, das expectativas de inflação e claro, o que os dados atuais querem nos mostrar.
Neste contexto, a inflação oficial do país, o IPCA, que influencia os próximos passos da política monetária do Banco Central brasileiro, apresentou alta de 1,06% em abril frente ao mês anterior, acumulando 12,13% em 12 meses e 4,29% no ano.
Do resultado, observa-se a pressão dos preços dos grupos de alimentação e bebidas, assim como o grupo de transportes, influenciado pela alta de preços dos combustíveis. Ambos os grupos representaram 80% do índice de preços na passagem de março para abril, de acordo com o IBGE.
Já sob a análise do impacto positivo para a redução dos preços, o grupo de habitação teve deflação de 1,14%, influenciado pela entrada da tarifa verde de energia elétrica no início da segunda quinzena de abril.
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Afinal, a inflação atingiu o seu pico em abril?
Na passagem do mês, a inflação acumulada em 12 meses passou de 11,30% para 12,13%, trazendo o impacto do reajuste dos combustíveis no período. Ademais, a inflação dos serviços, setor que a priori tem mostrado significativo crescimento ao longo dos últimos meses, passou de 0,45% em março para 0,66% em abril.
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Dos pontos negativos do IPCA, as preocupações com a inflação prospectiva podem ser baseadas no indicador de difusão, que passou de 76% para 78%, mostrando que a inflação se espalhou mais entre os itens da cesta do IPCA.
Além disso, os indicadores que buscam excluir itens mais voláteis, como alimentação e energia, mantiveram-se em patamares elevados, o que indica uma possível persistência inflacionária nos próximos meses.
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Já sob os impactos positivos, vimos a deflação resultante da troca da bandeira tarifária da energia elétrica, contribuindo para a deflação observada no grupo de habitação de 1,14%, sendo que impacto na subida dos preços de toda a cesta de inflação, considerando somente a energia elétrica residencial, foi 0,31 ponto percentual.
Neste cenário, ao considerarmos os preços administrados, houve uma significativa desaceleração dos preços, de 2,65% em março para 0,55% em abril.
Duas hipóteses validam que a inflação pode ter feito o seu pico em abril
A primeira hipótese dos que acreditam que a inflação enfim chegou às máximas é a tendência de estabilidade de preços para o grupo dos itens monitorados, aqueles que incluem a tarifa da energia elétrica, por exemplo.
A justificativa é a baixa sensibilidade no consumo da energia elétrica frente às mudanças nos preços, ou seja, a queda no preço da energia não leva os consumidores a aumentarem o consumo na mesma proporção.
Além disso, a estabilização dos preços do petróleo, ainda que no atual patamar, favorece menores pressões de preços dos combustíveis.
A segunda hipótese baseia-se na expectativa do arrefecimento nos preços dos alimentos conforme avança a safra de inverno. Na passagem do mês, observou-se a desaceleração dos preços na alimentação no domicílio e estabilidade para a alimentação fora do domicílio.
Sazonalmente, os impactos na desaceleração dos preços dos alimentos acontecem entre os meses de maio e agosto.
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Por fim, o que esperar da Selic em 2022
Diante da inflação que segue pressionada na passagem do mês, a menção a mais uma alta da taxa básica de juros (Selic) na ata do Copom vai se tornando certa para a reunião de junho, porém segue em aberto sua magnitude.
Em outras palavras, ainda que a ata do Copom reforce o ambiente volátil influenciado por questões geopolíticas assim como pelas medidas de isolamento na China que têm impactos na inflação de oferta e, por outro lado, trazem a possível reversão dos preços das commodities ao longo dos próximos meses, favorecendo um caminho para a taxa terminal dos juros brasileiros, o cenário para a próxima reunião do Banco Central é de mais uma alta de 0,50 ponto percentual, levando a Selic a 13,25% ao ano.
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