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Saiba por que as ações da Vivara (VIVA3) têm potencial para multiplicar o seu capital ao longo dos próximos quatro anos
Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia.
Quer dizer, conversamos sobre isso quase toda semana. Hoje, farei uma exceção, por uma boa causa.
O Seu Dinheiro está completando quatro anos de vida. Para comemorar essa data, combinei com o Vinicius Pinheiro — editor-chefe do Seu Dinheiro — que escreveria sobre uma microcap brasileira de altíssimo potencial.
Essa ação está no portfólio do Microcap Alert — o relatório que assino junto com o Ruy Hungria e o Rodolfo Amstalden, focado em empresas brasileiras com valor de mercado abaixo de R$ 10 bilhões.
Então vamos a ela!
Além da maior joalheria da América Latina, a Vivara (VIVA3) é uma sobrevivente com 60 anos de Brasil.
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Fundada em 1962, a Vivara tem uma fábrica própria em Manaus desde 1992; nessa unidade, que possui uma série de incentivos tributários, são produzidas cerca de 80% de todas as peças que a companhia vende ao longo do ano.
A seguir, há uma linha do tempo sobre os principais eventos relacionados à sua história.
Com presença em praticamente todos os estados brasileiros, a Vivara possuía 303 lojas ao final do último trimestre.
Suas lojas são divididas em três principais formatos: a flagship Vivara, a marca Life (prata) e o formato de quiosques. Este último, no geral, são pontos abertos em caráter temporário, seja para testar a capacidade de vendas de um novo shopping, seja para esperar até que outros pontos mais atrativos estejam disponíveis dentro de um mesmo empreendimento.
Por falar em shoppings, com a exceção da sua unidade na rua Oscar Freire, em São Paulo, todos os seus demais pontos de venda situam-se dentro de shoppings centers.
O motivo? Segurança.
Ao final de 2021, a Vivara estava presente em 38% dos cerca de 620 shoppings brasileiros.
De acordo com a Abrasce — a associação do setor — há 13 novos empreendimentos a serem inaugurados em 2022.
Entre as metas dos executivos, está alcançar uma penetração superior a 50% nos shoppings brasileiros para a marca Vivara até 2026 e pelo menos 20% de penetração para a Life.
Em outubro de 2019, a Vivara concluiu uma oferta de ações que movimentou R$ 2,3 bilhões e estreou na B3.
Desse montante, R$ 450 milhões foram injetados no caixa; o restante foi uma oferta secundária que deu saída parcial aos controladores (que ainda detém cerca de 60% de participação).
Com os recursos do IPO, a Vivara se preparou para um ambicioso plano de expansão, mirando alcançar 50% de participação nos shoppings brasileiros com a marca Vivara e 20% de penetração para as lojas da Life.
Obviamente, a pandemia postergou esses planos e trouxe toda uma discussão em torno da tese de investimentos, se a Vivara de fato era uma empresa com margens resilientes.
À época, o medo era tão grande entre os investidores que as ações, em março de 2020, caíram dos R$ 30 para os R$ 10,80.
O resultado da Vivara em 2020, em nossa opinião, foi simplesmente impressionante. Mesmo com todos os shoppings fechados e tombamento súbito para o digital, suas vendas somaram R$ 1,33 bilhão. Trata-se de uma queda de apenas 10,2% em relação a 2019.
No ano mais difícil da sua história, a empresa somou mais de R$ 200 milhões em geração de caixa livre.
Em nossa opinião, 2020 trouxe implicações reais à tese de investimentos, pois fez os investidores perceberem que existe algo em especial que fez a Vivara sobreviver e prosperar desde 1962.
Sobre o plano de crescimento, as metas se traduzem num plano de abrir 90 lojas de Vivara até 2026, e cerca de 150 lojas da Life.
Na média, uma loja madura da Vivara fatura entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões por ano, possui uma área de cerca de 90 metros quadrados; já uma loja madura da Life opera com receitas 50% menores, e uma área em torno de 70 metros quadrados.
As novas lojas, que são todas próprias, possuem um payback (tempo médio para recuperar o investimento) entre 12 e 18 meses, um dos mais rápidos do varejo.
O "economics" das lojas Vivara é realmente impressionante. As melhores lojas produzem retorno sobre o capital investido (ROIC) na casa de 40% ao ano. As piores, em torno de 30%.
Ao expandir seus negócios, a Vivara certamente enfrentará retornos marginais decrescentes.
A essa altura do campeonato, a Vivara já ocupou os pontos com maior potencial de vendas em shoppings de "tier" 1 e 2. Sua expansão, portanto, será em cidades e shoppings menores, onde o custo de ocupação também é muito menor.
Por conservadorismo, trabalhamos com um ROIC inferior para as lojas abertas da marca Vivara a partir deste ano, se comparadas com portfólio mais antigo.
Apesar da menor rentabilidade, o plano ainda é bastante atrativo e oferece uma longa avenida de crescimento.
Já na Life, que deve encerrar 2022 com cerca de 70 lojas, ainda existe muito espaço a ser ocupado em shoppings de tier 1 e 2, o que nos levou a trabalhar com níveis ROIC similares para as lojas a serem abertas nos próximos anos.
Na minha opinião, o resultado de 2020 deixou claro que a resiliência das margens e do nível de vendas da Vivara é uma característica que podemos contar. Essa, portanto, é uma ação que merece ser negociada com prêmio.
Um plano de negócios interessante e uma ação capaz de negociar com prêmio são uma combinação raríssima no universo das microcaps brasileiras.
Ao trabalharmos cenários para Vivara, não considerei grandes melhorias operacionais (suas margens já são bastante eficientes). E dei ao management o benefício da dúvida na execução do seu plano de negócios e abertura de lojas.
Também não considero nenhum M&A (como a especulada possível aquisição da H. Stern) ou outras opcionalidades de longo prazo (como por exemplo a criação de uma marca de combate, para entrar nos segmentos de renda "C" e "D"), além de manter estável a alíquota de imposto de renda em torno de 10,5% ao ano.
Em longo prazo, assumo que a Vivara cresça 0,5 p.p à frente do seu mercado no Brasil (algo que também parece conservador, dado a performance da empresa nos últimos anos).
Com as premissas descritas acima, acredito que a ação possa chegar aos R$ 40, um upside aproximado de 50%.
Num ciclo de bull market, com a queda dos juros, vejo potencial de upsides muito maiores para a Vivara, capazes de justificar um excelente potencial para os próximos quatro anos.
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