🔴 RENDA MÉDIA DE R$ 21 MIL POR MÊS COM 3 CLIQUES – SAIBA COMO

Cotações por TradingView

A Adobe acabou com sua maior ameaça, e mesmo assim as ações despencaram. Entenda o que aconteceu

Aquisição da startup Figma chamou a atenção pelo preço: a empresa pagou US$ 20 bilhões por uma concorrente que, nos últimos 12 meses, faturou pouco mais de US$ 200 milhões

22 de setembro de 2022
6:01 - atualizado às 19:06
Mercados desânimo
Imagem: Shutterstock

Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia.

Na semana passada, o grande assunto entre as empresas de tecnologia foi a aquisição da startup Figma, pela gigante de softwares criativos Adobe.

A operação, cujos benefícios para ambas as partes são bastante óbvios, chamou a atenção pelo preço: a Adobe pagou US$ 20 bilhões entre dinheiro e ações, por uma empresa que nos últimos 12 meses faturou pouco mais de US$ 200 milhões.

No dia do anúncio, as ações da Adobe caíram cerca de 20%. Em termos absolutos, o seu valor de mercado encolheu aproximadamente US$ 35 bilhões ao anunciar uma aquisição de US$ 20 bilhões.

Nessa história há lições a serem aprendidas sobre ambos os pontos de vista, mas especialmente em relação aos investidores de longo prazo.

Só para gente entender a história da Adobe

A Adobe é dona da suíte de softwares criativos mais populares do mundo.

Seu "Creative Cloud" é vendido com um bundle de vários softwares, entre eles os famosos Photoshop e Illustrator, que são amplamente utilizados por designers do mundo inteiro.

Não é exagero dizer que a Adobe exercia um "quase monopólio" sobre este enorme segmento dentro da categoria de softwares.

Além disso, a Adobe é historicamente um caso de estudos nos MBAs: foi a primeira empresa a realizar em escala a migração do modelo de venda de licenças para o de assinatura (a famosa subscrição).

Essa transição gerou, literalmente, centenas de bilhões de dólares em valor de mercado para os seus acionistas.

Figma, uma nova concorrente

Nos últimos 10 anos, a Adobe cresceu, mas viu também uma concorrência interessante emergir, a Figma.

Sob o risco de soar excessivamente simplista, resumirei a diferença entre os dois produtos em sua metodologia: a Figma desenvolve produtos criativos com foco no compartilhamento e cooperação; tudo é feito via browser, sem que os times estejam trabalhando em diferentes versões de um mesmo projeto.

A suíte de produtos da Adobe, que apenas recentemente passou a oferecer produtos parrudos via browser, também permitem a cooperação, mas são construídos sobre uma metodologia que herda todos os prós e contras dos tradicionais versionamentos.

Nos últimos 10 anos, a Figma ganhou tração principalmente entre startups.

Para o mercado, a Figma estava para a Adobe, assim como o Slack está para o Microsoft Teams.

Em todos os eventos de investidores da Adobe, sempre havia uma pergunta sobre a concorrência, especialmente a Figma.

Em geral, seus executivos diziam não ver nenhuma pressão e asseguravam aos investidores que seu "quase monopólio" estava seguro.

  • LEIA TAMBÉM: empresa de cibersegurança está crescendo a ritmo acelerado, chamando a atenção do governo dos EUA e captando clientes insatisfeitos com a Microsoft. Ela pode ser uma oportunidade na Bolsa. Acesse um relatório gratuito.

E de repente, um cheque de US$ 20 bilhões

A oferta da Adobe mostra que o "quase monopólio" não estava tão seguro assim.

A grande pergunta que fica para o investidor é como justificar, ou mesmo se há justificativa para um valuation tão elevado.

A maneira como eu vejo essa operação é a seguinte: os designers amam a Figma. O crescimento da empresa já causou danos de longo prazo aos produtos da Adobe.

Esses danos apenas não apareceram ainda em seus números.

Lembre-se, os executivos da empresa constantemente reforçavam para os investidores que estava tudo bem.

A queda de US$ 35 bilhões no valor de mercado da Adobe foi o reconhecimento tardio de que os executivos estavam dourando a pílula.

Caso a Figma seguisse como uma empresa independente, é provável que seu dano ao valor de mercado da Adobe fosse ainda maior em longo prazo.

Adobe, Figma e o valor de mercado

Isso quer dizer que os US$ 20 bilhões foram um valor justo a se pagar?

Dificilmente.

Há 1 ano a Figma realizou sua última rodada de captação privada e foi avaliada em US$ 10 bilhões.

De lá para cá, as empresas de tecnologia listadas na Nasdaq perderam, na média, entre 60% e 70% do valor de mercado.

Se a Figma fosse uma empresa listada, é muito provável que a Adobe teria pago muito menos para adquiri-la.

Certamente, a aquisição adiciona riscos enormes no curto e médio prazo a Adobe.

E no longo prazo?

Toda vez que me perguntam, eu digo que há duas maneiras de você ganhar dinheiro como uma ação: caso a empresa cresça seu lucro por ação e/ou caso o mercado mantenha ou expanda o múltiplo pago por ela.

No caso da transação, eu estimo em aproximadamente 7% a diluição dos acionistas da Adobe.

Ou seja, em curto prazo, a transação é ruim do ponto de vista do lucro por ação (não à toa, as ações caíram). 

Em longo prazo, porém, o efeito pode ser bem diferente em termos de múltiplos. 

Com o maior risco existencial da Adobe não sendo mais relevante, é bem provável que, daqui algum tempo, os investidores topem pagar um múltiplo mais elevado pelas ações. 

Esse comportamento é bastante típico e pode ser observado em outros casos na indústria de tecnologia.

De qualquer maneira, acredito ser bem provável que as ações da Adobe passem um bom tempo no limbo, até que todos se acostumem com essas últimas notícias.

Show must go on

A operação entre Adobe e Figma é mais um dos exemplos de como o setor segue aquecido para aquisição de pequenas empresas de tecnologia. 

Isso é algo que escrevi há algumas semanas para o Seu Dinheiro

Se você deseja se expor a oportunidades como essa, eu deixo aqui uma leitura recomendada, com três casos de empresas de tecnologia com alto potencial de serem adquiridas nos próximos meses. Convido você a acessá-la neste link.

Compartilhe

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Campos Neto e Powell navegam em águas incertas: o que esperar dos próximos passos dos banqueiros centrais para os juros

27 de fevereiro de 2024 - 6:29

A trajetória das taxas de juros no Brasil e nos EUA será decisiva para as expectativas dos investidores e a direção dos ativos de risco

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Qual o caminho mais rápido e efetivo para o sucesso no mercado?

26 de fevereiro de 2024 - 20:03

Seja lá qual for o caminho do sucesso, ele começa por uma boa educação. Nada é mais estruturante e transformacional.

LINHA D'ÁGUA

Por que FoFs de previdência privada serão os grandes vencedores das mudanças recentes na tributação

26 de fevereiro de 2024 - 18:46

Esse tipo de fundo mantem a mesma característica tributária de um exclusivo de previdência, mas, por ser um fundo coletivo, de varejo, não tem o limite de R$ 5 milhões de patrimônio

DE REPENTE NO MERCADO

Fênix à solta: Weg (WEGE3) ressurge como ‘fábrica de bilionários’; Oi (OIBR3) deixa de ser penny stock e Nvidia ‘fura’ a bolha da inteligência artificial

25 de fevereiro de 2024 - 12:00

E mais: estrategista-chefe recomenda 3 ações que estão em ‘raríssimo momento na bolsa’ e por que você deveria correr para comprar um imóvel logo

Mande sua pergunta!

Vi que posso perder minha casa para pagar dívidas de donos anteriores; e no caso de imóvel comprado em leilão, que já vem com dívidas?

24 de fevereiro de 2024 - 8:00

Quem compra imóvel em leilão também pode acabar tendo o bem penhorado para pagar dívidas não pagas atreladas a ele?

SEXTOU COM O RUY

Um Big Mac depois da academia: A ação da Petrobras (PETR4) continua subindo, mas é por causa do governo ou apesar dele?

23 de fevereiro de 2024 - 6:31

Petrobras estabeleceu recentemente um novo recorde de valor de mercado, mas a razão para isso é diferente daquela que a direção da empresa acredita ser

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Falácia da troca de narrativa

21 de fevereiro de 2024 - 20:01

Os movimentos de precificação de mercado estão cada vez mais sujeitos ao “arco narrativo”

Diário de Bordo

Bolha da internet: Nvidia rima com a história de Cisco?

21 de fevereiro de 2024 - 9:05

Qual será o próximo “choque de realidade” nas Bolsas americanas? Desde a pandemia, o mercado tenta prever o próximo. O mercado traz à tona inúmeros exemplos do passado tentando comparar o momento atual e justificar as razões pelas quais a história deveria se repetir. Porém, até agora todos eles caíram por terra. Próximo da divulgação […]

CRYPTO INSIGHTS

Saiba como identificar verdadeiras oportunidades em Inteligência Artificial (IA) e criptomoedas

20 de fevereiro de 2024 - 16:30

Na minha opinião, inteligência artificial é, sim, algo muito maior do que cripto e blockchain

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Todas as histórias do petróleo: há 4 caminhos possíveis para a principal commodity do mundo, mas só um deve prevalecer

20 de fevereiro de 2024 - 6:31

Uma grande aposta em andamento contra o petróleo faz com que a commodity funcione como uma proteção estratégica para a carteira

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies