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Estar aberto ao aprendizado e não temer coisas novas são habilidades importantes — e que podem te ajudar a progredir na carreira
Qual foi a última coisa que você aprendeu?
Se, para você, a aprendizagem é um processo puramente cognitivo e baseado em uma concepção tradicional de educação — em que pressupõem-se um professor e um grupo de alunos —, provavelmente você deve ter buscado na memória a sua última experiência acadêmica formal.
E qual o problema em pensar o processo de aprender a partir dessa concepção? Bem, é possível que você tenha deixado escapar muitas oportunidades para aprender algo novo em outros lugares, em outros contextos.
Por exemplo: se você está em uma conversa sobre qualquer tema com uma pessoa e encara aquilo como apenas mais um papo, sem ajustar a sua lente e seu olhar para uma potencial forma de aprender algo novo, realmente terá sido somente mais uma troca corriqueira de ideias.
Agora, imagine-se na mesma situação descrita anteriormente, porém lhe darei previamente o comando para você prestar atenção no que está sendo dito — e, depois, explicar para alguém o que acabou de escutar. Muito provavelmente, sua experiência será outra nessa troca.
Pois bem, transponha isso para vários outros exemplos: assistir um vídeo em uma rede social, ler um texto curto em algum site; essas e várias outras ações, se vividas sob uma ótica consciente, poderão ser ricas experiências de aprendizagem.
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Pare para pensar: além da crença sobre a aprendizagem ser fundamentalmente baseada no modelo tradicional de educação, quais outros pressupostos podem estar tirando de você a possibilidade de aprender mais para crescer na sua carreira?
Já parou para pensar que você não sabe o que não sabe? Até aí tudo bem — afinal, esta é uma premissa que vale para todos nós humanos, certo?
O problema é quando não reconhecemos isso e passamos a acreditar que já sabemos tudo e somos detentores da verdade. Essa postura não abre espaço para emergir o contraponto, a réplica em relação a uma opinião ou posição. Ou seja, nos fechamos em nossos próprios pensamentos, sem abrir espaço para aprender a partir da troca e reflexão.
Aprender é um processo que significa estar disposto a questionar o próprio conhecimento e libertar-se de pressupostos com os quais se esteja vivendo — e que, talvez, estejam lhe impedindo de aprender algo novo ou de ampliar um pensamento.
Essa é uma crença que costuma estar presente em profissionais com muito tempo de casa em uma mesma empresa, com uma cultura corporativa forte. "As coisas são assim aqui. Essa é a nossa forma de fazer".
Esse comportamento pode levar à estagnação, ao fechamento para a inovação, além de não fomentar o desenvolvimento do indivíduo que resiste e, consequentemente, da organização à qual pertence. É um forte inviabilizador do crescimento na carreira.
Admitir que todos temos essa cegueira — de não saber o que não sabemos — é o passo número um para iniciar qualquer processo de aprendizagem.
Em um ambiente seguro, onde somos livres para manifestar nossas vulnerabilidades, talvez seja mais fácil assumir quando não sabemos algo. Mas pense no ambiente escolar ou no trabalho: dizer "eu não sei" pode gerar muito medo — e muito julgamento dos outros.
Se conseguíssemos conceber que declarar a própria ignorância em relação a um tema é um portal para novos aprendizados, provavelmente repetiríamos mais vezes, e de forma recorrente, a frase 'não sei.'
Como tudo na vida, mudar o comportamento requer prática. Portanto, se você se identificou com esse pressuposto e se deu conta de que está deixando passar muitas oportunidades para se desenvolver na vida e na carreira, minha recomendação é que você comece dando um pequeno passo.
Diga "não sei, mas vou aprender" para os mais chegados — amigos ou família, por exemplo —, ou em contextos que você se sinta seguro para declarar sua falta de conhecimento sobre um determinado tema.
Alô, alô, controladores de plantão: quantas vezes você já deixou escapar uma oportunidade de aprender algo novo, simplesmente porque quis permanecer em um lugar de segurança e conforto por já conhecê-lo? Quase sempre, a busca pela clareza é para nos gerar satisfação e tranquilidade, mas não necessariamente nos levar a aprender.
Afinal, o processo de aprendizagem é sobre confiar que o novo e o espaço de algo que ainda não esteja claro possam trazer mais oportunidades de desenvolvimento e crescimento do que perdas em si.
Um dos movimentos que mais gera medo nos profissionais com quem converso é uma eventual transição de função, empresa ou mesmo profissão. Quando a pessoa ajusta a lente para tudo o que pode ganhar em termos de aprendizagem e desenvolvimento, o movimento costuma ser feito de forma mais leve, com a certeza de que o pior cenário — de não dar certo — pode ser ainda um espaço de crescimento.
Os grandes questionamentos da vida não nos levam necessariamente à clareza, mas sim a mais perguntas e dúvidas, que acabam sendo catalisadores para um aprendizado contínuo sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo.
"Isso não é para mim" — quantas vezes você já ouviu essa sentença? A depender de qual é a sua origem e história, talvez essa seja uma das crenças que mais poderá impedir seu crescimento.
Já corri quatro maratonas completas, a famosa distância dos 42km, e já perdi a conta de quantas vezes escutei: "nossa, não é para mim, não consigo correr tudo isso". E eu sempre penso: mas eu também não conseguia correr nem ¼ dessa distância quando encasquetei que queria correr uma maratona.
Claro que há justificativas plausíveis para não conseguir fazê-lo, mas o exemplo foi mais para te provocar: quais as justificativas para deixar de fazer o que "não é para você", por medo ou, muitas vezes, insegurança?
A cada vez que essa crença domina a cena, oportunidades de aprender acabam escapando. Coloque-se no lugar da pessoa do exemplo anterior, aquela que disse que a maratona não era para você.
Talvez ela não seja mesmo — mas e se você pelo menos tentasse experimentar? Começando por uma caminhada, quem sabe chegando a um trote? Mesmo que não vá encarar a distância dos 42km, talvez esse teste, ao começar, já possa trazer muitos aprendizados sobre os seus próprios limites.
Nosso próprio corpo físico é mais uma dimensão a ser explorada e que também pode ser uma fonte para inúmeros insights sobre você mesmo. Mas esse tema é denso e longo, e que dá para ser explorado em uma coluna futura.
Aliás, já fica aqui o meu compromisso de continuar o texto de hoje numa próxima edição, abordando outras crenças que possam estar dificultando ou impedindo o desenvolvimento e crescimento na sua carreira. Adoraria ouvir de você sobre outros pensamentos que lhe ocorreram enquanto lia essa newsletter. Que tal me mandar um e-mail?
E, por fim, se você gostou da leitura de hoje, recomendo fortemente alguns artigos e obras, que inclusive inspiraram esse texto:
Até a próxima,
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