Lula ou Bolsonaro? Como o resultado das urnas afeta o futuro da Petrobras (PETR3; PETR4)
Analisando todos os cenários e ponderando pelas probabilidades de eles acontecerem, ainda há valor a ser destravado em PETR4 no médio prazo

Se você é acionista da Petrobras (PETR3; PETR4), deve estar com muitas dúvidas sobre o que esperar das eleições.
Não poderia ser diferente, já que a expectativa do mercado é de uma agenda bem diferente com relação à companhia a depender do vencedor.
O que muda entre as duas gestões e o que podemos esperar para as ações?
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Um contexto histórico
Para entender os excelentes resultados da Petrobras, hoje precisamos voltar para 2016. No início daquele ano, quando Dilma Rousseff ainda era presidente do país, a Petrobras estava praticamente destruída. Anos de corrupção, políticas comerciais desastrosas (como o congelamento de preços) e investimentos em vários ativos que trouxeram enormes prejuízos.
Tudo isso quase levou a Petrobras à falência, com a petroleira atingindo um endividamento de meio trilhão de reais em meados da década passada.
As coisas começaram a mudar drasticamente no Governo Michel Temer. Nele, foi sancionada a Lei das Estatais, que além de outras coisas, punia severamente qualquer administrador de empresa estatal que agisse com interesses próprios ou políticos, e não pensando no bem da companhia.
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A Petrobras pôde restabelecer a política de paridade internacional e parou de ser obrigada a vender combustível abaixo do preço de custo.
Outra mudança radical foi o programa de venda de ativos pouco ou nada rentáveis e foco total naquilo que realmente trazia retorno para a companhia: o pré-sal.
O resultado de todas essas mudanças é notável. A Petrobras saiu de um endividamento insustentável para uma alavancagem de apenas 1 vez dívida líquida/Ebitda.
Saiu de um prejuízo exorbitante para um lucro de mais de R$ 100 bilhões.
E os dividendos pagos têm sido simplesmente absurdos. Só em 2022 a expectativa é de um dividend yield de mais de 30%.
A Petrobras em um novo governo Bolsonaro
Esse contexto histórico é importante porque é com base nele que o mercado tem olhado para os dois candidatos.
Na visão do mercado, um segundo governo Bolsonaro implicaria na continuidade do que tem sido feito nos últimos anos, desde a gestão Temer, quando foram implementadas medidas cruciais para a Petrobras ser o que é hoje, notadamente a política de paridade de preços e a Lei das Estatais.
Isso quer dizer que o foco continuaria em vender ativos ruins, investir em ativos rentáveis, manter a política comercial atual e distribuir toneladas de dividendos aos acionistas.
Considerando que a Chevron negocia por 10 vezes lucros, a Petrobras nesse cenário deveria valer, pelo menos, 5 vezes lucros, o dobro do que custa hoje. Um upside bastante relevante.
A Petrobras em um novo governo Lula
Por que a Petrobras hoje não negocia nem próximo de 5 vezes lucros? A resposta é: o medo do retorno do Lula.
Com o ex-presidente liderando as pesquisas, o grande receio do mercado é que um novo governo do PT retomaria a mesma péssima gestão da época do governo Dilma.
É claro que não temos como saber se é exatamente isso o que vai acontecer, mas, como dizem, cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça.
Se a política de paridade de preços for removida, de uma hora para outra a Petrobras terá de comprar gasolina por preços caros no mercado internacional e vender com enormes prejuízos no Brasil – a mesma receita desastrosa que quase levou a companhia à falência.
Além da interrupção do plano de venda de ativos ruins, a companhia ainda voltaria a queimar dinheiro em novas aquisições sem qualquer objetivo de retorno.
Nesse cenário, os resultados cairiam drasticamente, e pelos mesmos preços de hoje não estaríamos mais falando em 2,5 vezes lucros esperados para 2023. Estaríamos falando em um múltiplo mais próximo de 10, 15 vezes lucros para uma companhia estatal – nada barato.
Sai do muro, Ruy!
Eu sei que você quer que eu diga se a Petrobras vai cair ou subir na próxima segunda-feira após o segundo turno, mas eu não tenho essa resposta. Quem vai nos dar são as urnas e, mais tarde, a gestão do presidente eleito.
Pelos R$ 33 que negocia atualmente, PETR4 pode estar muito cara ou ridiculamente barata. Tudo depende da gestão que a companhia terá nos próximos quatro anos.
Assim como o mercado está enxergando hoje, um segundo mandato de Bolsonaro deveria levar PETR4 para uma forte valorização, enquanto a vitória de Lula traria um banho de sangue para os papéis. Isso ajuda a entender o que eu espero que aconteça com PETR4 na segunda-feira.
Um cenário alternativo
Mas é importante lembrar que existe um outro cenário que não está abordado acima, mas que eu acredito ter chances consideráveis de acontecer: um governo Lula que mantenha pelo menos parte dos pilares liberais construídos na Petrobras ao longo dos últimos seis anos.
Essa hipótese ganhou muita força após o primeiro turno, com a predominância de deputados de centro-direita eleitos para o Congresso, o que forçaria Lula a adotar medidas bem menos populistas do que aquelas do governo Dilma.
Neste caso, a Petrobras continuaria relativamente barata, e uma derrocada de PETR4 após uma eventual vitória do petista até abriria uma boa oportunidade de compra. Mas seria preciso muita paciência até que o mercado começasse a enxergar essa outra possibilidade.
Analisando todos os cenários e ponderando pelas probabilidades de eles acontecerem, eu entendo que ainda há valor a ser destravado em PETR4 no médio prazo. O que, já deve ter ficado claro, não quer dizer que as ações vão subir na próxima segunda-feira.
Por isso, independente dos resultados das urnas, PETR4 segue firme no portfólio da série Vacas Leiteiras.
Um grande abraço e até a semana que vem!
Ruy
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