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Em outros tempos, um pregão com as características inusitadas desta quinta-feira (10) seria capaz de se destacar e atrair curiosidade – bolsa, dólar e juros em alta e Wall Street no vermelho. Mas não em 2022.
O conturbado cenário internacional segue empurrando os investidores para ativos de países emergentes, principalmente para empresas do setor de commodities, embaladas pela nova alta de 4% do minério de ferro. Os bancões brasileiros, que sofreram na sessão de ontem, também se recuperaram do baque, em antecipação ao balanço do Itaú.
Assim, enquanto os índices americanos amargaram perdas na casa dos 2%, o Ibovespa encerrou o dia com avanço de 0,81%, aos 113.368 pontos. A bolsa brasileira passou ilesa, fechando em uma alta confortável, mas o câmbio e o mercado de juros foram pressionados.
O dólar à vista, que chegou a recuar 1% na mínima do dia, fechou com uma valorização de 0,29%, a R$ 5,2418. O mercado interno surfava a injeção de dólares, mas o fantasma do aperto monetário do Federal Reserve foi quem comandou os negócios lá fora.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) é uma das principais medidas de inflação dos Estados Unidos e avançou mais do que o esperado – subiu 0,6% frente a uma expectativa de 0,4%. Tudo isso em meio a um ambiente de forte geração de vagas de emprego.
Ligando os pontos, o que se tem é um Federal Reserve que precisará rever a velocidade do seu aperto monetário já na próxima reunião e agir de forma mais agressiva. Essa realidade não fica apenas no campo da especulação do mercado. Nesta tarde, James Bullard, presidente do Fed de St. Louis e membro votante nas reuniões do Fomc, afirmou que vê um aumento de 100 pontos-base até julho.
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Para os economistas, isso aumenta as apostas de uma elevação de 50 pontos-base no encontro de março. Os retornos dos títulos do Tesouro americano avançaram, com o T-note de 10 anos superando a casa dos 2% pela primeira vez desde agosto de 2019.
Dias como esse podem até ter entrado na rotina, mas não devem durar para sempre. Para Victor Benndorf, da Apollo Investimentos, a intensificação do fluxo estrangeiro foi inesperada, mas três fatores podem limitar a enxurrada nos próximos meses.
A primeira seria uma melhora estrutural das bolsas americanas e europeias após a acomodação do aperto monetário. Nosso processo eleitoral, que deve aquecer nos próximos meses, também pode surgir como um gatilho negativo e, para finalizar, é possível que as blue chips voltem a patamares mais elevados de preço, brecando a vinda de novos investimentos.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta quinta-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
JÁ PODE PEDIR MÚSICA?
De olho roxo: BTG rebaixa recomendação para o Nubank e orienta venda de NUBR33. Depois de Itaú BBA e Empiricus, BTG Pactual entra para a lista das instituições financeiras para as quais o roxinho está sobrevalorizado.
A RAINHA DA CELULOSE
Suzano figura entre as baixas do Ibovespa após redução no lucro, mas BofA aposta em alta de 53% para SUZB3. O apetite pelos papéis também é reduzido pela queda vertiginosa do dólar nos últimos dias, o que pode diminuir os ganhos com exportações.
TRIPULAÇÃO, PREPARAR PARA A DECOLAGEM
Campeã do Ibovespa, Embraer (EMBR3) inicia processo de certificação do seu ‘carro voador’ com a ANAC. Dona do melhor desempenho no índice da bolsa brasileira em 2021 terá ações de controlada responsável pelo eVTOL negociadas na NYSE.
ACERTE SEU RELÓGIO
Bolsa brasileira vai mudar horário de funcionamento com o início do horário de verão dos EUA. Alteração vai acontecer no dia 14 de março e serve para evitar uma lacuna entre o mercado local e Nova York.
INSIGHTS ASSIMÉTRICOS
Conheça 3 investimentos para surfar a onda de alta do petróleo em 2022. Oferta, demanda, tensões geopolíticas. Tudo isso mexe com a commodity que representa a principal fonte de combustível do mundo. Saiba o que esperar para o petróleo e como se beneficiar da escalada de preços neste ano.
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