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O Brasil acompanha a cautela internacional, digerindo hoje os dados de inflação de setembro, que podem gerar movimento de aversão ao risco
Bom dia, pessoal. Lá fora, a maioria dos mercados asiáticos caiu ainda mais nesta terça-feira (11), com as principais empresas de tecnologia sob pressão das novas restrições às exportações dos EUA, embora os índices chineses tenham sido apoiados por algumas fortes estimativas de resultados corporativos.
Um vetor negativo, entretanto, foi o ressurgimento dos casos de Covid-19, que fez com que os investidores temessem mais medidas de lockdown antes do 20º Congresso do Partido Comunista da China no final desta semana.
Os mercados europeus e os futuros americanos também amanhecem em queda, na expectativa do início da temporada de resultados do terceiro trimestre nos EUA, que conta hoje com os números de Procter & Gamble (P&G) antes da abertura do mercado.
Adicionalmente, ainda há cautela no aguardo dos dados de inflação ao produtor e ao consumidor, ambos nos EUA.
Na véspera do feriado, o Brasil acompanha essa cautela, digerindo hoje também os dados de inflação de setembro. A ver...
Por aqui, na véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida, que pode gerar movimento de aversão ao risco (ninguém quer dormir comprado com um mundo tão incerto), os investidores acompanham a inflação oficial para o mês de setembro pelo IPCA do IBGE.
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Segundo a mediana das estimativas, devemos caminhar para o terceiro mês seguido de deflação, caindo 0,34% no mês e registrando alta de 7,10% na comparação com o ano passado, uma desaceleração frente aos 8,73% de agosto.
Caso o dado seja confirmado, seria a maior deflação no acumulado de três meses desde o Plano Real, com queda de cerca de 1,35% nos preços.
O movimento, como sabemos, deriva em grande parte da queda dos preços dos combustíveis, mas até os alimentos podem apresentar normalização significativa desta vez.
Contudo, enquanto o mercado de trabalho local permanecer aquecido (a taxa de desemprego natural brasileira deve rodar por volta dos 8%), ainda haverá margem para atenção do BC.
Caso a inflação caia, no entanto, de maneira mais sustentada, sem depender do governo, como foi o caso dos combustíveis nos últimos meses, poderemos vislumbrar queda da taxa de juros em um segundo momento, provavelmente na segunda metade de 2023, o que seria benéfico para as ações locais, apesar dos desafios internacionais e do dilema fiscal encomendado para os próximos anos, a depender de quem ganhar as eleições de 2022.
Lula, hoje favorito na disputa, ainda não apresentou nome para a economia, nem um plano formal completo sobre a condução fiscal.
Nos EUA, as ações caíram pelo quarto pregão seguido ontem, caminhando para a quinta queda hoje, a depender da continuidade da má performance verificada nos futuros americanos nesta manhã, com os investidores se preparando para as entregas da semana, com vetores como a temporada de resultados, a ata do Fed e os dados de inflação – sobre o segundo, que vem na quarta-feira, pode até ser considerado um fator mais ultrapassado, mas ainda é relevante para entender os próximos passos do Fed.
Há um movimento de se buscar posições defensivas em meio à incerteza global.
Destaque especial para os bancos nesta semana, que divulgam seu resultado trimestral e dão um parecer sobre os próximos meses da economia (podemos entrar em recessão lá fora muito em breve).
Por enquanto, nenhuma autoridade monetária de economia central deu uma explicação clara de como eles acham que os aumentos das taxas irão agir sobre a inflação, principalmente originada por fatores pouco controláveis.
Por outro lado, para dar um certo otimismo ao mercado, a vice-presidente do Fed, Lael Brainard, argumentou que a inflação logo responderia ao rápido aumento das taxas de juros do Fed.
A sinalização foi no sentido de estar ciente dos outros riscos que preenchiam o mercado, potencialmente sugerindo que o Fed seria cauteloso em continuar seus aumentos de taxas.
No Reino Unido, vemos que mais estresse voltou aos mercados de títulos públicos, que viram seus rendimentos (yields) subirem novamente à medida que os mercados expressam suas opiniões sobre os planos fiscais do governo Truss.
Apesar do recuo recente do governo, a falta de governabilidade e a desconfiança na recém-empossada premiê são fatores muito relevantes para os investidores.
Dessa forma, o Banco da Inglaterra está preocupado que mais intervenções sejam necessárias.
Ao mesmo tempo, os dados do mercado de trabalho britânico, assim como o americano, não parecem dar trégua à inflação.
A taxa de desemprego caiu para 3,5%, enquanto a média salarial continuou acelerando. Ao mesmo tempo, os consumidores continuam cautelosos com a medida de vendas no varejo caindo em termos reais.
A questão inflacionária parece muito mais profunda e duradoura do que se pressupunha, o que indica mais juros por mais tempo, machucando o mercado de ações.
Enquanto aguardamos mais falas de autoridades monetárias nos EUA e na Europa, há quem esteja prestando atenção no encontro anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington (presenciais este ano pela primeira vez desde o surto da pandemia em 2020).
Hoje, no evento, teremos a divulgação do Relatório de Perspectiva Global, importante para consolidarmos a visão de geral de para onde caminha a economia e as perspectivas dos agentes econômicos.
Desde ontem, funcionários de governos e legisladores do mundo inteiro têm espaço de fala, onde deverão criticar os recentes cortes na produção de petróleo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
Paralelamente, considerando o contexto atual, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que os riscos de recessão estão aumentando.
Na semana, o FMI deve cortar sua perspectiva de crescimento global pela quarta vez desde outubro passado (o mundo corre o risco de perder US$ 4 trilhões em produção até 2026).
No gigante asiático, o mercado espera ansiosamente pelo congresso do Partido Comunista da China, no sábado.
Durante o evento, o presidente Xi Jinping deve receber um terceiro mandato de cinco anos em seu cargo, a primeira vez que acontece desde Mao Tsé-Tung.
O problema, porém, é que o país passa por dificuldades econômicas graves, impulsionadas pela crise no setor imobiliário, entre outras coisas.
Com isso, o homem mais poderoso da China em muitas décadas tem um grande desafio à sua frente.
Ao mesmo tempo, a autoridade de Xi Jinping em constante expansão veio às custas de uma vasta gama de mudanças sociais e econômicas.
A China é algo diferente do que já foi no passado e a maneira como será norteada nos próximos anos poderá definir o modelo de crescimento global da década.
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