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A morte da Rainha Elizabeth II marca não só o fim do 2º período elisabetano para os britânicos, mas também a queda de um dos mais icônicos símbolos de estabilidade das últimas décadas
Bom dia, pessoal.
Lá fora, os mercados asiáticos subiram nesta sexta-feira (9), acompanhando o desempenho saudável em Wall Street, ainda que os investidores continuem precificando mais aumentos nas taxas de juros com o objetivo de domar a inflação descontrolada – os dados de inflação chinesa abrem espaço para mais estímulos, o que é animador.
Na Europa, os mercados abrem em alta, apesar da chuva de crises sobre o continente. Os futuros americanos também apresentam bom desempenho.
Este clima mais confiante se reflete também em uma queda do dólar, que subiu nas últimas semanas em relação aos seus principais pares devido à inclinação do Fed para uma política rígida.
A ver...
Hoje, o mercado local estará de olho no índice oficial de preços do IBGE, o IPCA. O indicador de agosto deverá trazer mais uma deflação, desta vez de 0,39% na comparação mensal (em julho, o índice caiu 0,68%).
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Não podemos nos enganar, entretanto, com o movimento do IPCA cheio.
Vale observar o núcleo, que exclui os itens mais voláteis, e a dispersão, que devem indicar ainda patamares de preços problemáticos.
Tanto é verdade que o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou tom mais contracionista em suas últimas falas. Mais 25 pontos-base no próximo Copom é provável.
No ambiente político, depois do Dia da Independência ter trazido um bom presságio sobre a inclinação ao centro do discurso dos principais candidatos (não haverá violência), contamos esta noite com a pesquisa Datafolha.
Se trata da primeira reação depois das manifestações do feriado, podendo trazer continuidade do movimento de achatamento da diferença entre os favoritos.
As ações voltaram a subir no exterior, embora o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, tenha dado aos investidores ainda mais motivos para se preocupar com um banco central agressivo.
Em sua fala ontem, Powell deixou claro que o banco central está comprometido em combater a inflação e permanecer agressivo até voltar à meta de 2%, o que pode estar bem distante (levar de 8% para 5% é uma coisa e de 5% para 2% é outra bem diferente – não podemos fazer o segundo gol sem ter feito o primeiro).
No final, a história adverte contra o afrouxamento prematuro da política monetária, o que justificaria a manutenção do discurso mais duro, que deverá ser confirmado por membros do Fed que falam hoje ao longo do dia.
Com uma alta de 75 pontos-base já bem precificada para a próxima reunião, resta saber os passos para a política monetária na sequência.
Para isso, os dados de inflação ao consumidor americano da semana que vem serão vitais. Com eles, o mercado conseguirá trabalhar melhor as expectativas.
Como esperado, o Banco Central Europeu subiu em 75 pontos-base a sua taxa de juros, tendo sido a maior alta dos juros em 24 anos de história da instituição e colocando a taxa de juros em 0,75% ao ano.
O movimento mais contracionista pela autoridade monetária não era visto em mais de uma década, o que traz certa preocupação sobre as consequências — todos temem uma nova Crise da Dívida.
Com o aperto, o euro se fortaleceu um pouco, apesar de alguns sinais terem sido dados quanto a uma duração relativamente limitada do aperto das políticas.
Diferentemente do Fed, o BCE tem menos margem para atuação por conta das características das economias do bloco econômico; afinal, há um “trade off” entre preservar crescimento e controlar a inflação. Controlar os preços a qualquer custo pode sair caro.
Não se trata de um efeito sobre o mercado no curto prazo, mas o dia de ontem reflete um pouco o momento que vivemos, uma vez que a morte da Rainha Elizabeth II marca não só o fim do segundo período elisabetano para os britânicos, mas também a queda de um dos mais icônicos símbolos de estabilidade das últimas décadas.
A monarca mais longeva do Reino Unido nasceu no final da segunda revolução industrial, no pós-guerra, e reinou durante a terceira e os primeiros anos da quarta revolução industrial, um período no qual o mundo e os mercados financeiros mudaram muitas vezes.
Os últimos anos nos mostraram como o mundo carece de liderança e estabilidade em um momento de alta volatilidade.
Muitos estão dando nome ao processo atual: pós-história, fim do fim da história, ciclo pós-moderno. Escolha seu nome predileto.
O que podemos dizer apenas é que a próxima década será muito diferente da última.
Durante a noite de ontem (para nós), a China divulgou a inflação ao produtor e ao consumidor, com as duas tendo vindo abaixo do esperado.
Enquanto o índice do produtor subiu 2,3% na comparação anual, o indicador do consumidor avançou 2,5%.
A desaceleração frente ao mês passado, apesar de sinalizar fraqueza da atividade, possibilita margem para mais estímulos monetários e fiscais.
Já se percebe pouca robustez na demanda do consumidor doméstico chinês.
Enquanto os consumidores americanos e europeus estão dispostos a usar as suas economias para sustentar o próprio consumo, os chineses tendem a acumular recursos como precaução contra as medidas da política de "zero Covid".
A incerteza sobre o crescimento do gigante asiático deve afetar a economia global nos próximos anos.
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