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Rodolfo Amstalden: Entre o zero e o cem, ficamos com o ºF

Comparar múltiplos não leva a grandes insights, mas comparar escalas pode ditar a diferença entre sobreviver e morrer de frio num gélido bear market

2 de junho de 2022
13:04 - atualizado às 13:15
Gráfico de barras com uma lâmpada abaixo
Imagem: Shutterstock

"People calculate too much
and think too little."

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— Charlie Munger

Podemos passar uma existência inteira calculando e comparando múltiplos, em debates pseudofilosóficos entre o barato e caro.

A maioria dos financistas estaria contente em dedicar sua vida a uma tarefa desse tipo, e muitos efetivamente o fazem.

Alguns conseguem até mesmo fingir-se doutos ao recomendar a compra de uma ação apenas porque a empresa subjacente negocia a — digamos — 5 vezes lucros.

Seria lindo se as grandes decisões da humanidade dependessem de comprar ativos a cinco vezes lucros, mas a realidade é um pouco mais complexa do que isso.

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Múltiplos e escalas

That hurricane is right out there down the road, coming our way.

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Vamos dar um passo atrás então.

Antes de falar dos múltiplos, os grandes investidores preferem pensar na escala em que eles se situam; essas escalas têm mais a dizer sobre os números do que os próprios números.

Escalas de temperatura

Como inspiração, vejamos o que acontece com as escalas clássicas de medição de temperatura.

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Na escala Fahrenheit, estamos vivos (ultra agasalhados, em volta da fogueira) em grau zero e vivos (de sunga) no grau cem.

Na escala Celsius, estamos vivos (bem agasalhados) em grau zero e mortos no grau cem.

Na escala Kelvin, estamos mortos-congelados tanto em grau zero quanto em grau cem.

A diferença das nuances

As reais nuances entre o zero e o cem podem ser dramaticamente diferentes, de acordo com a escala escolhida.

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Existem escalas mais intuitivas para as quatro estações do Homo sapiens (Fahrenheit), para os preparativos de um chef de cozinha (Celsius) ou para um PhD em laboratório de físico-química (Kelvin).

Comparação de escalas

Por analogia, uma escala Preço/Lucro que vai de cinco a cinquenta pode tranquilamente dar conta de empresas baratas ou caras, do value de Benjamin Graham ao growth de Philip Fisher.

Contudo, o mesmo intervalo aplicado à escala de EV/Receitas transita estritamente entre o razoavelmente caro e o absurdamente caro.

O uso corriqueiro dos números leva a uma perigosa ignorância de suas respectivas escalas, cujas densidades destoam radicalmente.

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Entre 1 vez e 5 vezes receitas, cabem centenas de combinações de Preço/Lucro.

Já entre 1 vez e 5 vezes lucros, não são permitidas tantas variações de EV/Receitas.

Comparar múltiplos não leva a grandes insights, mas comparar escalas pode ditar a diferença entre sobreviver e morrer de frio num gélido bear market.

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