Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

A simplicidade é a maior das sofisticações na hora de investir

Para a tristeza dos estudiosos das Finanças, num daqueles paradoxos do conhecimento, quanto mais nos aprofundamos, parece que cavamos cada vez mais no subterrâneo

12 de setembro de 2022
18:55 - atualizado às 13:13
Investidor olha para tela de cotações e gráficos da bolsa | Opções, ações, Armínio Fraga dividendos
Imagem: Shutterstock

“Quando a morte veio buscá-lo, Thomas Buddenbrook ficou confuso e desesperado. Nada do que acreditava o consolava: nem a religião, que há muito tinha deixado de satisfazer às suas necessidades metafísicas, nem seu ceticismo e sua inclinação pelo materialismo de Darwin. Nada, nas palavras de Mann, conseguiu oferecer ao doente uma só hora de calma, ao se aproximar dos olhos penetrantes da morte.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Recorro a Irvin Yalom e sua “Cura de Schopenhauer” para começar a semana. Ah, sim, também a música “I still haven’t found what I’m looking for”, de Bono Vox — que parece uma canção de amor, mas faz é uma canção sobre a fé. Em que acreditar depois de ter percorrido tudo e ainda não ter encontrado algo que ressone dentro de você? Poderia ainda ser uma versão mais brasileira: “Ideologia, eu quero uma pra viver”.

Esse sincretismo meio maluco me veio à cabeça enquanto lia Howard Marks, em mais um de seus brilhantes memorandos. Na semana passada, ele publicou: “The illusion of knowledge” (A ilusão do conhecimento).

Duas passagens sintetizam a ideia central do texto. 

A frase de Daniel J. Boorstin: “o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento”, que poderia ser vista como uma variação da proposta de Nassim Taleb: “não ter mapa é melhor do que dispor de um mapa errado.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E alguns parágrafos extraídos de artigo do historiador Niall Ferguson na Bloomberg: “considere por um momento o que está implícito quando propomos a pergunta: 'a inflação fez seu pico?’ Não estamos apenas perguntando sobre a oferta e demanda de 94 mil commodities diferentes, produtos manufatureiros e serviços. Estamos também questionando a respeito da trajetória futura da taxa básica de juros nos EUA, que, apesar da política de forward guidance, está longe de ser certa. Estamos perguntando sobre a sustentabilidade da fortaleza do dólar, à medida que isso tem segurado o preço dos produtos importados. 

Leia Também

Mas tem mais. Estamos, ao mesmo tempo, implicitamente perguntando quanto tempo vai durar a guerra na Ucrânia, dado que a ruptura nas cadeias produtivas causada desde fevereiro pela invasão russa exacerbou de maneira significativa a inflação de energia e os preços dos alimentos. Estamos perguntando se os produtores clássicos de petróleo, como a Arábia Saudita, vão atender aos pedidos do Ocidente por aumento da produção de óleo.

Provavelmente, deveríamos nos perguntar sobre os impactos sobre o mercado de trabalho das novas subvariantes da ômicron – dados do Reino Unido indicam que a BA.5 é 35% mais transmissível do que sua antecessora BA.2, que, por sua vez, era 20% mais transmissível do que a ômicron original.

Boa sorte ao adicionar todas essas variáveis ao seu modelo. Na realidade, é tão impossível ter certeza sobre o futuro da inflação quanto sobre o futuro da guerra na Ucrânia e a trajetória da pandemia.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A ideia da impossibilidade de se fazer previsões fora de ambientes de laboratório e fora do Hard Science (ciências naturais ou exatas) não é propriamente nova. Não precisamos ir muito longe: Sextus Empiricus, homenageado em nosso batismo, escrevera “Contra os professores”. A realidade nunca poderá caber numa planilha ou num modelo econométrico. Por mais sofisticados que sejam, os modelos somente poderão contar com conhecimento sobre o presente e o passado, enquanto as decisões envolvem o futuro, que ainda está para acontecer, sempre permeado por uma série de coisas novas.

Até aí, nada muito novo, além da habilidade quase sem precedentes de Howard Marks de descrever o fenômeno em linguagem popular e capaz de nos entreter. Irvin Yalom está para a psiquiatria assim como Howard Marks está para a economia e finanças. 

Agora, sejamos muito sinceros: sem a capacidade de enxergar minimamente o futuro, sobra pouca coisa da literatura acadêmica ou prática para nos iluminar na gestão dos investimentos.

Pensemos no value investing clássico, que se assenta na ideia de que, ao comprar ações, adquirimos pedaços de empresas, de tal modo que essas compras devem ser feitas por preços inferiores a seus valores intrínsecos. O diabo é que este valor intrínseco, por mais sofisticados, diligentes e apoderados de eventual margem de segurança que estejamos, sempre estará sujeito a hipóteses sobre o futuro. O que seria um modelo de fluxo de caixa descontado, formulado originalmente por John Burr Williams mas apropriado por Buffett e sua turma, senão um conjunto de hipóteses sobre o comportamento futuro?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em muitas situações, diferenças entre value e value trap (um caso realmente de valor, barato; e uma armadilha de valor, algo apenas aparentemente barato) serão conhecidas somente a posteriori – depois, claro, vai ficar óbvio e seu cunhado vai lhe perguntar: “como você não percebeu antes?”

As adjetivações e os rótulos na Faria Lima e no Leblon vão pelo mesmo caminho. O persistente não é nada além de um teimoso que deu certo, uma pessoa com quem a distribuição de probabilidades acabou sendo generosa. Quantos teimosos ficaram pelo caminho? E quantos foram agraciados com os louros da vitória pela deusa Fortuna?

“Ah, mas a antifragilidade talebiana resolveu esse problema pra gente.” Na teoria, até o socialismo funciona. Como escreveu um pobre autor em “Princípios do Estrategista" (o prefácio é muito bom!; pausa dramática para a sabedoria popular: o saco é o corrimão do sucesso): “as ideias do Taleb são tão boas que se rendessem dinheiro era sacanagem”. No dia a dia, principalmente no Brasil, o hedge é caro, não há opções líquidas fora do dinheiro, tem squeeze, preço exagerado das opções, dificuldades de sizing e timing e por aí vai.  Boa parte dos fundos de tail hedging perde dinheiro.

Então nos resta o factoring investing! Pronto, matou! Como não sabemos o futuro e o mercado é um bocado eficiente, distribuímos nosso dinheiro de maneira diversificada por vários prêmios de risco ao redor do mundo. Por construção, na média vamos ganhar dinheiro. De novo, faz sentido, mas o diabo está nos detalhes. Na hora da crise, quando você mais precisa do dinheiro, as correlações históricas são quebradas. Tudo anda na mesma direção. Não há real diversificação. E se não há diversificação adequada, não pode haver factoring investing. O método só funciona a partir dessa premissa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para a tristeza dos estudiosos das Finanças, num daqueles paradoxos do conhecimento, quanto mais nos aprofundamos, parece que cavamos cada vez mais no subterrâneo, nos aproximando, não de uma verdade ontológica capaz de bater o mercado, mas do niilismo de “Memórias do Subsolo” de Dostoiévksy. Será que há algo a se fazer?

É curioso como, depois de tanta pesquisa e sofisticação, aquela proposta original de Harry Markowitz, o pai dessa história toda de gestão de portfólio de maneira sistematizada e, portanto, “além do bem e do mal", apelando para uma escolha de bom senso e intuitiva, ainda encontra grande ressonância: na dúvida, compra-se metade em ações, metade em renda fixa. 

A simplicidade é a maior das sofisticações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

A estratégia vencedora em um cessar-fogo que existe e não existe ao mesmo tempo

21 de abril de 2026 - 9:30

Mesmo que a guerra acabe, o mundo atravessa um período marcado por fragmentação e reorganização das cadeias globais de suprimento, mas existe uma forma simples e eficiente de acessar o que venho chamando de investimento “quase obrigatório” em tempos de conflito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder dos naming rights, impasse no Estreito de Ormuz continua e pressiona economia, e o que mais você deve ficar de olho hoje

20 de abril de 2026 - 8:56

O Nubank arrematou recentemente o direito de nomear a arena do Palmeiras e mostra como estratégia de marketing continua sendo utilizada por empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As aventuras de Mark Mobius, os proventos da Petrobras (PETR4), resultados da Vale (VALE3), e o que mais você precisa saber hoje

17 de abril de 2026 - 8:13

Conheça a intensa biografia de Mark Mobius, pioneiro em investimentos em países emergentes, e entenda quais oportunidades ainda existem nesses mercados

SEXTOU COM O RUY

A ironia do destino de Mark Mobius: o rali histórico de emergentes que o ‘pai dos emergentes’ não terá chance de ver

17 de abril de 2026 - 6:07

Ainda não me arrisco a dizer que estamos entrando em um rali histórico para os mercados emergentes. Mas arrisco dizer que, esteja onde estiver, Mobius deve estar animado com as perspectivas para os ativos brasileiros.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As incertezas nos balanços do 1T26, dólar a R$ 4,90, resultado da Vale (VALE3), e o que mais esperar dos mercados hoje

16 de abril de 2026 - 8:12

Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ibovespa — matando a sede com a metade cheia do copo 

15 de abril de 2026 - 20:00

Com a desvalorização do dólar e a entrada de gringos na bolsa brasileira, o Ibovespa ganha força. Ainda há espaço para subir?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A invasão gringa nos FIIs, a relação entre economia e eleições, e o que move os mercados hoje

15 de abril de 2026 - 8:29

Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger dos choques cada vez mais comuns de petróleo, recorde na bolsa, e o que mais move os mercados hoje

14 de abril de 2026 - 8:34

Confira qual é o investimento que pode proteger a carteira de choques cada vez mais comuns no petróleo, com o acirramento das tensões globais

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia