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A prisão conturbada do ex-deputado Roberto Jefferson, aliado de Bolsonaro, fez com que o mercado retomasse a cautela com o cenário político, derrubando o Ibovespa
Ao contrário do que aconteceu na semana passada, quando o otimismo contagiante do mercado financeiro local com a aparente recuperação do presidente Jair Bolsonaro na corrida presidencial levou a bolsa acima dos 120 mil pontos, a segunda-feira (24) foi de contenção forçada de ânimos.
Não teve expectativa positiva por bons resultados das empresas americanas e nem novo primeiro-ministro do Reino Unido que tirasse a confusão envolvendo o ex-deputado e aliado do atual presidente, Roberto Jefferson, das manchetes e debates nas redes sociais.
No último domingo, o ex-congressista recebeu de forma violenta agentes da Polícia Federal que foram prendê-lo após a violação dos termos de sua prisão domiciliar. O episódio deixou dois agentes da PF feridos e se estendeu por horas, enquanto Jefferson negociava sua rendição.
A repercussão do caso caiu como uma bomba no colo da campanha de Bolsonaro. E apesar da tentativa rápida de desvincular as imagens de violência do atual presidente, o envio do ministro da Justiça, Anderson Torres, para tentar resolver a situação dificultou o processo.
Apesar da forte repercussão nas redes sociais, analistas acreditam que o efeito negativo do episódio para Bolsonaro deve ser quase neutro no fim das contas, mas há outros elementos que pedem cautela nesta reta final de campanha — como os direitos de resposta obtidos pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o último debate marcado para a próxima sexta-feira (28) e o temor de que o pleito seja marcado pela violência antes e depois dos resultados.
O resultado foi uma forte queda de 3,27% do Ibovespa, aos 116.012 pontos, puxada principalmente pelas ações de empresas estatais como a Petrobras (PETR4) e o Banco do Brasil (BBSA3). O dólar à vista encerrou o dia em alta de 3,01%, a R$ 5,3029, e os juros futuros dispararam.
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Alguns agentes do mercado, no entanto, apontam a realização de lucro vista nesse início de semana como normal após os fortes ganhos recentes — e alertam que a semana final de campanha deve ter um ritmo mais lento e cauteloso do que vinha sendo a rotina.
Em Nova York, a temporada de balanços embalou os negócios, com os principais índices registrando ganhos de cerca de 1%.
A recondução de Xi Jinping como presidente da China por mais cinco anos, anunciado pelo Partido Comunista chinês no último domingo (23), não agradou ao mercado financeiro.
Na Ásia, o dia foi de liquidação no mercado de ações, enquanto em Nova York as empresas chinesas listadas em Wall Street tiveram um dia sangrento.
Com mais cinco anos do governo que aplicou a política de covid zero, considerada uma das principais culpadas pelo desaquecimento da economia do gigante asiático, o mundo ocidental refez as contas para o crescimento do país. A nova equipe econômica anunciada também não agradou, sendo considerada inexperiente pelo mercado.
Depois da estadia de apenas 44 dias de Liz Truss na chefia do governo britânico, o Reino Unido já tem um novo primeiro-ministro.
Rishi Sunak, de 42 anos, é o novo chefe do partido conservador e o responsável por montar um novo governo para lidar com a crise política herdada de seus companheiros anteriores.
Sunak tem origem indiana, é o mais jovem ocupante do cargo dos últimos 200 anos e é bilionário. As bolsas europeias encerraram o dia em alta, repercutindo o alívio na crise nas ilhas britânicas.
O grande destaque negativo do dia ficou com as estatais — empresas que haviam surfado um bom momento na semana passada após o avanço do presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais.
Com a crise recente que atingiu a campanha do atual presidente, parte do otimismo se desfez, e as companhias estatais foram as primeiras a devolver os ganhos.
No cenário corporativo, destaque também para a reação negativa do IRB (IRBR3) aos últimos dados operacionais divulgados e a da CSN (CSNA3) à exposição ao mercado chinês após a recondução de Xi Jinping ao poder. Confira as maiores quedas do Ibovespa hoje:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| BBAS3 | Banco do Brasil ON | R$ 40,20 | -10,03% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 37,45 | -9,89% |
| PETR4 | Petrobras PN | R$ 34,25 | -9,20% |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 0,97 | -8,49% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 13,04 | -8,10% |
Na ponta contrária, a Suzano foi um dos principais destaques. Além de ser embalada pela forte apreciação do dólar, a companhia também foi beneficiada pela alteração de recomendação por parte de um banco de investimentos. Confira também as maiores altas:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| CPLE6 | Copel PN | R$ 7,22 | 4,94% |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 51,40 | 3,44% |
| CRFB3 | Carrefour Brasil ON | R$ 19,51 | 1,99% |
| DXCO3 | Dexco ON | R$ 9,32 | 1,97% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 20,98 | 1,65% |
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