CPI da Covid: Depois de negar ‘gabinete paralelo’, Carlos Wizard se recusa a responder a senadores
Antes de ouvir Wizard, a CPI aprovou uma série de requerimentos de quebras de sigilo e convocações, entre eles o do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros

Amparado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário Carlos Wizard compareceu à CPI da pandemia nesta quarta-feira (30) e se recusou a responder as perguntas do senadores.
Após falar por cerca de 20 minutos e negar participação em um “gabinete paralelo” de aconselhamento do presidente da República sobre a pandemia, Wizard disse que usaria seu direito constitucional de permanecer em silêncio diante da comissão. Senadores criticaram a postura do depoente.
“Me reservo ao direito de permanecer em silêncio”, a frase foi repetida por diversas vezes por Wizard diante das perguntas dos senadores.
Para o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a negativa de Wizard de responder aos senadores é mais um motivo para a não liberação do passaporte do depoente, “pois são muitas as perguntas a serem feitas”.
O presidente, Omar Aziz (PSD-AM), disse que ele poderia ficar em silêncio em uma pergunta que pudesse incriminá-lo e criticou Wizard. "Se continuar a falar 'me reservo ao direito de permanecer em silêncio', seria melhor ele colocar um gravador".
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Logo na chegada do empresário, senadores já criticavam a postura de Wizard em relação à CPI. Otto Alencar (PSD-BA) disse que Wizard debochou da CPI.
"O depoente debochou mesmo da Comissão Parlamentar de Inquérito, quando ele não quis comparecer aqui. Talvez pela posição dele, de ser uma pessoa milionária, ele não quis dar atenção. Mas permanentemente vinha visitar o presidente da República, estava no 'gabinete paralelo'".
Ele prestaria depoimento no dia 17 de junho à CPI, mas não compareceu. Wizard chegou a pedir para depor por videoconferência, o que foi recusado pelo presidente da comissão.
Diante da ausência injustificada do depoente, Aziz solicitou apreensão do passaporte e condução coercitiva do empresário, que estava nos Estados Unidos. Os advogados dele, então, contataram a comissão e, em acordo, marcaram a oitiva para esta quarta-feira.
Em sua fala inicial, Wizard explicou por que não compareceu à CPI na primeira convocação. Alegou que estava nos Estados Unidos cuidando do pai, idoso e acamado, e de uma filha, que está prestes a dar à luz em uma gravidez de risco. "O que os senhores fariam se estivessem na minha condição?", perguntou aos senadores.
Ele afirmou ter conhecido o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, durante missão humanitária em Roraima. Negou ter conhecimento da existência de um "gabinete paralelo" de aconselhamento ao presidente da República. Lendo declaração escrita, justificou sua defesa do tratamento precoce para covid-19 alegando que o entendimento da ciência evoluiu. E disse apoiar a imunização da população.
A declaração inicial foi rebatida por senadores. Renan exibiu vídeos em que Wizard admitia ter atuado como conselheiro do Ministério da Saúde.
Um dos vídeos mostra entrevista de Wizard ao lado da médica Nise Yamaguche para a TV Brasil, do governo federal, em que ele diz que atuou como conselheiro por 30 dias ao lado de Pazuello e optou por trabalhar de forma independente. "Sobre o gabinete paralelo temos provas sobejas da sua participação, diferentemente do que aqui foi colocado" disse o relator.
Requerimentos
Antes de ouvir Wizard, a CPI aprovou uma série de requerimentos de quebras de sigilo e convocações, entre eles o do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).
Também foi aprovada a convocação de Marcelo Blanco, diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. Segundo o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), ele seria participante da reunião ocorrida em um restaurante de um shopping, em Brasília, onde o representante da empresa Davati Medical Supply afirmou ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de assinar contrato de venda de vacinas da AstraZeneca com o Ministério da Saúde.
*Com Agência Senado
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