Insights de investimento, análises de mercado e muito mais! Siga o Seu Dinheiro no Instagram

2021-07-02T14:08:29-03:00
Estadão Conteúdo
em recuperação judicial

Samarco sofre ‘chantagem’ de ‘fundos abutres’, afirma advogado

Advogado afirma que a “chantagem” tem o objetivo de garantir melhores termos na negociação para o pagamento dos créditos discutidos dentro do processo de recuperação judicial

2 de julho de 2021
14:08
Samarco
Imagem: shutterstock

Após o processo de recuperação judicial da Samarco ganhar os holofotes por conta da briga da mineradora com seus credores, a empresa resolveu quebrar o silêncio.

Depois que fundos que detêm bilhões de reais em dívidas da companhia tentaram impedir na Justiça que a empresa faça pagamentos à Fundação Renova - responsável por reparar a tragédia de Mariana (MG), em 2015 -, a companhia apontou sofrer "chantagem" de "fundos abutres".

As declarações são do advogado que representa a Samarco, Daniel Vilas Boas, do escritório VLF. Ele afirma que a "chantagem" tem o objetivo de garantir melhores termos na negociação para o pagamento dos créditos discutidos dentro do processo de recuperação judicial.

"Esses credores têm usado do meio processual para gerar obstáculos e constrangimento, para que a Samarco se sinta acuada. Esse é o modus operandi desses fundos", disse Vilas Boas, em entrevista ao Estadão.

Esses fundos compram ativos de empresas em dificuldades - tipo de investimento de elevado risco. Por isso, são chamados no mercado de "fundos abutres".

No caso da Samarco, segundo informações de mercado, os fundos, liderados por nomes como York e Ashmore, detêm cerca de metade da dívida de R$ 50 bilhões da Samarco. Esses fundos compraram títulos de dívida principalmente em 2018, com um desconto médio de 50% a 60%.

O advogado diz que a Samarco - que ficou sem operar durante cinco anos - foi obrigada a fazer o pedido de recuperação judicial em abril de 2021, após os fundos se mostrarem agressivos e começarem a executar a empresa.

"A Samarco só decidiu entrar com o pedido de recuperação para se proteger. A empresa preferiria ter tratado com os credores fora do processo de recuperação judicial, mas as condições não foram razoáveis", afirma.

Vilas Boas afirmou que a Samarco tomou dívida junto a bancos americanos e japoneses para financiar um projeto de expansão e que essa seria a origem da dívida detida hoje pelos fundos.

Ele disse ainda que a postura mais agressiva coincidiu com a retomada das atividades da Samarco, no fim de 2020. Desde então, a própria empresa começou a arcar com os pagamentos à Renova - cerca de R$ 500 milhões por mês. Nos anos em que a empresa não funcionou, Vale e BHP fizeram os pagamentos.

Esses valores foram incluídos no pedido de recuperação judicial, dando às acionistas R$ 24 bilhões em crédito no processo. Esse também tem sido um ponto recorrente nas petições dos credores, que dizem que tal cobrança seria indevida.

Para o advogado da Samarco, os credores querem "fatiar" o pagamento de uma obrigação que é da Samarco, e não de suas acionistas. "Os credores estão querendo dividir essa conta em três. Não sei de onde tiraram essa história", diz Vilas Boas.

O advogado lembra que tais condições estavam claras nos acordos com órgãos governamentais - e são anteriores à "venda" da dívida para os fundos.

Segundo fonte próxima aos credores, a Samarco não poderia realizar pagamentos fora da recuperação judicial - nem para a Renova. A mesma fonte afirma que a fundação não vai ficar desamparada, uma vez que Vale e BHP têm capital suficiente para essa obrigação.

Já o advogado da Samarco esclarece que a empresa não colocará credores financeiros nem suas acionistas à frente da reparação dos danos da tragédia de 2015.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

DIPLOMACIA RUSSA

Bandeira branca? Putin diz que vai viabilizar comércio de grãos ucranianos e fertilizantes

Em conversa com o presidente da França e o chanceler da Alemanha, Putin afirmou que vai aumentar a oferta de grãos e fertilizantes

NÃO VINGOU

Terra 2.0 derrete mais de 60% no dia do lançamento; saiba por quê

A Terra 2.0 já acumula perdas; o renascimento da criptomoeda sofre com a perda de credibilidade, após falhas no protocolo da antiga moeda

NOVA CRIPTO NA ÁREA

Lançamento da Terra 2.0: vale a pena investir em um projeto criado pelos mesmos desenvolvedores da extinta Terra (LUNA)? Especialistas falam sobre nova criptomoeda

A resposta foi quase unânime: os analistas deixaram de acompanhar a Terra (LUNA) e não acreditam mais no projeto

SOBE E DESCE

Cosan (CSAN3) lidera as altas do Ibovespa e Banco Inter (BIDI11) vai em direção oposta ‒ saiba o que foi destaque na bolsa na semana

A semana começou com mudanças na presidência da Petrobras (PETR4). Apesar disso, o Ibovespa fechou a semana em leve alta

PODCAST TOUROS E URSOS

Petrobras e Eletrobras: afinal, vale a pena investir no sucesso dessa dupla na bolsa?

Especialista na dupla Petrobras e Eletrobras, o colunista do Seu Dinheiro Ruy Hungria conta o que esperar das ações das estatais no podcast Touros e Ursos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies