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Já vimos que a geração de energia solar em casa pode valer muito a pena; veja para quais perfis de consumidores e residências o sistema é indicado
A instalação de sistemas de geração de energia solar em casa é vantajosa para economizar na conta de luz, especialmente em épocas e regiões de energia elétrica mais cara.
Em uma reportagem anterior, eu mostrei para você que a adoção de energia solar pode reduzir a conta de luz em mais de 90%, e que o investimento leva de dois a cinco anos para se pagar, sendo que a vida útil dos equipamentos é elevada.
Por outro lado, o investimento inicial é alto e, se você optar pelo financiamento, os juros costumam ser salgados. Então é preciso saber direitinho para que tipo de residência e de consumidor vale a pena investir em sistemas de energia solar.
Esta matéria é a segunda de uma série de três reportagens sobre a adoção de energia solar em casa:
De saída, é possível dizer que, para considerar a adoção desse tipo de geração, o ideal é que o usuário tenha a perspectiva de continuar morando naquela residência ainda por uns bons anos. Ainda assim, sistemas de geração de energia solar tendem a valorizar os imóveis na hora da venda.
A seguir, eu vou falar um pouco sobre os tipos de sistema de geração de energia solar e para que perfis de residência e que nível de consumo vale a pena. Para esta matéria, eu tive a ajuda do Rodrigo Freire, CEO da Holu, plataforma que permite orçar projetos de energia solar fotovoltaica com diversos fornecedores e fazer a contratação online, e do Oscar de Mattos, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Térmica (Abrasol).
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Para começar, convém diferenciar os tipos de sistemas de geração de energia solar residenciais comumente adotados no Brasil hoje.
O sistema de energia fotovoltaica, que permite a geração de eletricidade para qualquer finalidade, é talvez o mais conhecido, e é aquele que vem à cabeça quando falamos de adoção de energia solar em casa.
Esse tipo de sistema pode ser on grid - o mais adotado, ligado à rede de distribuição de energia - ou off grid - mais raro e normalmente adotado em locais mais isolados, que se vale de um sistema de baterias para armazenar energia e é totalmente independente das redes distribuidoras.
No sistema on grid, também chamado de sistema de geração distribuída, os painéis solares geram energia e abastecem a residência durante o dia, mas a eletricidade consumida à noite ou em dias de baixa luminosidade continua vindo da rede de distribuição normal.
Ou seja, é possível reduzir, mas não eliminar totalmente a conta de luz; ainda assim, toda energia extra gerada na sua casa - produzida, mas não consumida - é injetada na rede, gerando créditos que podem ser abatidos na conta de luz dentro de até cinco anos (mas em geral as pessoas os utilizam dentro de um ano).
Apenas o sistema off grid permite prescindir totalmente da rede de distribuição e eliminar a conta de luz, mas aí há todo o custo e a manutenção das baterias. Por ser tão incomum, quando falarmos de energia fotovoltaica nesta matéria, estaremos nos referindo ao sistema on grid, de geração distribuída.
O outro tipo de geração de energia solar é a heliotérmica, isto é, o uso da energia solar gerada para aquecimento de água em chuveiros e piscinas, o que permite reduzir ou mesmo eliminar o custo de um dos grandes vilões da conta de luz: o chuveiro elétrico.
O sistema é composto de coletores solares, que esquentam a água, e um reservatório térmico, onde ela fica armazenada e aquecida por um período de 24 a 48 horas. Nesse caso, o sistema é totalmente independente da rede de distribuição de energia elétrica, o que significa que a sua utilização de fato elimina o custo de aquecer a água da conta de luz.
No entanto, caso o sistema fique mais de três dias sem insolação - por exemplo, em caso de períodos prolongados de chuva e tempo nublado -, uma resistência elétrica com controle de temperatura funciona como backup.
“Nas regiões Sul e Sudeste, em cerca de 80% dos dias é possível aquecer a água só com a energia solar. O usuário consegue monitorar a temperatura por aplicativo e acionar o aquecimento elétrico apenas quando a água esfriar, por exemplo. É possível até programar as verificações de temperatura para elevá-la sempre que necessário”, explica Oscar de Mattos, presidente da Abrasol.
Para ele, um bom planejamento para otimizar a economia de energia numa residência em que os chuveiros sejam originalmente elétricos consistiria na instalação de um aquecedor solar complementada pela de painéis fotovoltaicos.
“Não faz sentido utilizar a tecnologia fotovoltaica para esquentar água. O aquecedor solar é, no mínimo, quatro vezes mais eficiente que os painéis fotovoltaicos para essa finalidade de aquecer a água. E é uma tecnologia mais barata”, diz Mattos.
No caso da energia solar fotovoltaica, a instalação costuma ser mais vantajosa em casas, pois é preciso uma grande área de telhado para colocar os painéis solares.
“Casas com telhados bastante ensolarados, que não têm prédios em volta fazendo sombra são o tipo de construção em que mais são feitas instalações. Também é possível instalar as placas no solo, no interior do país é muito comum”, explica Rodrigo Freire, CEO da Holu.
No caso de condomínios de apartamentos, dificilmente a área do topo do edifício será grande o suficiente para a instalação de painéis capazes de abastecer todos os apartamentos e as áreas comuns.
No entanto, segundo Freire, alguns edifícios fazem projetos para abastecer ao menos as áreas comuns, o que reduz a taxa de condomínio. “Apartamentos de cobertura também podem instalar sistemas de geração de energia solar. No Rio de Janeiro é relativamente comum”, complementa.
Já no caso da energia solar heliotérmica, o presidente da Abrasol assegura ser possível a instalação em diferentes tipos de residências, tanto casas como prédios.
Ele conta que mesmo casas pequenas, como as do programa Casa Verde e Amarela, podem se beneficiar do sistema, e que edifícios podem instalá-lo para aquecer tanto os chuveiros dos apartamentos quanto a piscina do condomínio.
“Já foram instalados aquecedores solares de chuveiro em 700 mil habitações de interesse social de 40m2, com reservatórios de 200L com um metro de lado e coletores de um por dois metros, tudo no telhado da casa. Numa casa média, para uma família de quatro a cinco pessoas, o sistema costuma ter 500L de capacidade, o que inclui duas placas de dois metros quadrados. É um sistema compacto, que não ocupa muito espaço no telhado”, explica Oscar de Mattos.
Quanto ao perfil de consumo, Rodrigo Freire, da Holu, diz que o sistema fotovoltaico é inviável para quem está no limiar do consumo mínimo obrigatório da sua região, uma vez que a tarifa mínima deverá continuar sendo paga.
“Tanto que a gente sempre monta projetos para gerar somente a quantidade de energia que excede o consumo mínimo da residência, justamente para o cliente conseguir aproveitar aquela energia que ele já vai ter que pagar de qualquer maneira”, explica.
Mas ele diz que a adoção de energia solar fotovoltaica começa a ficar interessante mesmo para residências que consomem a partir de cerca de R$ 300 por mês. “O sistema tende a ser melhor para casas maiores, que consomem mais”, diz.
Já os sistemas de aquecimento solar de água têm custo muito mais acessível, com retorno rápido, tornando-se interessantes para muito mais residências, conforme veremos na próxima reportagem da série, que traz simulações e mostra, afinal, quanto custa instalar sistemas de geração de energia solar em casa.
Na próxima matéria da série, eu falo sobre quanto custa, afinal, gerar energia solar em casa, seja fotovoltaica, seja para aquecimento de água. E no vídeo a seguir eu faço todo um resumo da questão. Aproveite para se inscrever no nosso canal de YouTube e compartilhar o vídeo com seus amigos e conhecidos que podem se beneficiar da instalação de painéis solares em casa.
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