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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Na ponta do lápis

Quanto custa adotar energia solar em casa? Fizemos as contas para você

Instalar um sistema de geração de energia solar em casa realmente vale a pena para algumas famílias, mas quanto custa de verdade? Fizemos uma simulação com pagamento à vista ou financiado e falamos também de alguns riscos para o seu bolso

20 de outubro de 2021
5:30 - atualizado às 13:09
Lâmpadas em luminárias
Hoje já é possível financiar equipamentos de geração de energia solar e simplesmente trocar a conta de luz pela prestação, mas juros ainda podem ser salgados. Imagem: Rodolfo Clix/Pexels

Nos últimos dias, você viu aqui no Seu Dinheiro que adotar energia solar em casa pode reduzir em mais de 90% a conta de luz e é um investimento que se paga entre dois e cinco anos; também viu que, quanto mais alto o custo da energia - como no momento de crise hídrica que estamos vivendo -, mais vantajosa é a instalação de um sistema desse tipo.

Falamos também sobre os perfis de consumidores e residências que mais se beneficiam da instalação de painéis solares. A energia fotovoltaica, aquela que gera eletricidade e é ligada à rede de distribuição, não compensa ou simplesmente não pode ser adotada por todo mundo, além de não evitar eventuais cortes de energia, apagões ou racionamentos.

Já os aquecedores solares de água são um pouco mais democráticos e independem da rede de distribuição, o que significa que você ainda terá banho quente se faltar luz ou poderá assistir ao apocalipse do apagão tomando uns bons drinks da sua piscina aquecida.

Mas afinal, quanto custa instalar um sistema de energia fotovoltaica ou um aquecedor solar em casa?

Esta matéria é a última de uma série de três reportagens sobre a adoção de energia solar em casa:

A seguir, eu trago alguns números mais gerais e também simulações, que você mesmo poderá fazer para a sua residência, a fim de mostrar, na ponta do lápis, quanto custa a instalação de um sistema de energia solar.

Também falo um pouco sobre riscos para o seu bolso. Afinal, com a alta na conta de luz, também aumentou a procura por painéis solares, e boa parte dos equipamentos geradores de energia a partir da luz do sol são importados. Vimos, portanto, uma alta também nos preços dos equipamentos.

Além disso, um projeto de Lei que tramita no Congresso deve acabar com um benefício para quem tem um sistema de geração distribuída em casa, como os sistemas fotovoltaicos ligados à rede de distribuição, diminuindo um pouco a economia para os usuários. A boa notícia é que ainda dá tempo de pegar a regra antiga, com o benefício.

Para esta matéria, eu ouvi Rodrigo Freire, CEO da Holu, plataforma que permite orçar projetos de energia solar fotovoltaica com diversos fornecedores e fazer a contratação online, e Oscar de Mattos, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Térmica (Abrasol).

Quanto custa adotar energia solar em casa

Segundo Rodrigo Freire, da Holu, os sistemas de energia solar fotovoltaica custam a partir de algo como R$ 9 mil ou R$ 10 mil, e o custo médio é de cerca de R$ 30 mil.

Tudo gira em torno do tamanho do local a ser abastecido e, consequentemente, do número de placas a serem instaladas. Grandes projetos, em empresas, por exemplo, podem chegar a custar até R$ 300 mil ou R$ 400 mil, diz Freire. “Não existe um teto.”

Grosso modo, o custo de um sistema para a sua casa equivale a quatro ou cinco anos do valor da sua conta de luz, que é o prazo de retorno do investimento. “Essa quantia costuma corresponder a um décimo do gasto de energia do usuário nos próximos 30 anos”, diz o CEO da Holu.

Por exemplo, se a sua conta de luz é de, em média, R$ 1 mil por mês, o investimento sairia por algo como R$ 48 mil, que é o equivalente a esse consumo médio pelo período de quatro anos. Assim, ao instalar o sistema, diz o CEO da Holu, é como se você estivesse adquirindo R$ 360 mil de energia elétrica por cerca de um décimo deste valor.

Os sistemas de energia solar heliotérmica, por sua vez, saem bem mais em conta, e o retorno do investimento também é mais rápido, até cerca de dois anos (quatro meses, no caso de uma piscina).

Segundo Oscar de Mattos, da Abrasol, os aquecedores custam a partir de algo como R$ 2 mil a R$ 2.500, já incluindo a instalação, sendo capazes de aquecer de quatro a seis banhos por dia.

Um aquecedor com reservatório de 500L, para uma família média que tome de oito a dez banhos por dia, tem um custo total que varia de R$ 7 mil a R$ 8 mil, diz Mattos.

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Simulação e financiamento

O site da Holu permite simular a instalação de painéis solares fotovoltaicos na casa do usuário a partir da informação do consumo mensal médio em reais e do endereço do imóvel. É necessário também indicar, numa imagem fornecida por satélite, o telhado da casa em questão.

A simulação indica o número de painéis a serem instalados, sua produção anual estimada, a quantidade de gás carbônico (CO2) que deixa de ser emitido, bem como os valores das parcelas de um eventual financiamento e o total para a compra do sistema à vista.

Fiz uma simulação para uma casa na região serrana do estado do Rio de Janeiro, com um gasto hipotético de R$ 500, e obtive as seguintes indicações:

  • Instalação de 12 painéis Premium de 450W cada;
  • Tamanho do sistema: 5,4 kWp;
  • Produção anual estimada 7.000 kWh
  • Quantidade de CO2 economizada por ano: 3.717 kg, o equivalente a plantar 61 árvores;
  • Valor das parcelas para um financiamento de 72 meses (6 anos): R$ 624/mês
  • Valor para compra do sistema à vista: R$ 27.373

O orçamento já inclui os preços dos equipamentos, a instalação e a homologação junto à concessionária de energia.

Segundo Rodrigo Freire, o sistema pode ser comprado à vista, financiado ou parcelado em até dez vezes sem juros no cartão de crédito (o que, no caso da simulação, resultaria em dez parcelas de R$ 2.737,30).

“As pessoas compram muito com parcelamento no cartão, mesmo quando são projetos de R$ 20 mil, R$ 30 mil. Ou então, parcelam só uma parte. Algo como um terço à vista, um terço financiado e um terço no cartão”, conta.

No caso da Holu, os financiamentos são feitos em parceria com os bancos Santander e BV ou então com as fintechs Solfácil e Mutual. O valor das prestações varia de acordo com a avaliação de crédito do mutuário e o prazo.

Na simulação, a parcela acabou ficando mais cara que a conta de luz mensal, mas há casos em que pode ser equivalente ou até inferior. O ideal é simular o seu próprio caso e verificar de quanto pode ser a economia no seu estado.

Segundo Freire, o custo efetivo total dos financiamentos varia de 16% a 18% ao ano (1,24% a 1,39% ao mês), mas com uma entrada e um prazo menor é possível conseguir negócios bem mais em conta.

“Um cliente com bom score de crédito que financiar em 24 meses consegue um CET de algo como 0,79% ao mês”, diz o CEO da Holu.

O custo do financiamento ainda é salgado, mas Freire acredita que ele pode cair com o tempo, à medida que o mercado evoluir. Para ele, os juros altos se devem a uma má precificação do risco, por parte dos bancos, e à falta de um mercado desenvolvido de revenda para os equipamentos, o que inviabiliza a alienação fiduciária (colocação do bem em garantia), de forma a baixar os juros.

“Quem instala energia solar está trocando uma despesa fixa por um investimento, ou seja, está reduzindo seu gasto fixo. Acho que os juros praticados hoje não levam isso em conta. Fora que, se a pessoa ficar inadimplente, pode acabar voltando para uma conta de luz mais alta do que o valor da parcela”, diz Freire.

Ele também acredita que, quando o mercado de segunda mão se desenvolver, os juros poderão baixar. “São equipamentos que duram mais tempo do que um carro”, diz, referindo-se à vida útil dos painéis, que varia de 25 a 30 anos.

Rodrigo Freire, CEO da Holu, plataforma que permite simular e contratar sistemas de geração de energia solar fotovoltaica online
Rodrigo Freire, CEO da Holu.

Riscos: alta no preço dos equipamentos, relacionamento de longo prazo com a empresa e “taxação do Sol”

No que diz respeito aos equipamentos de geração fotovoltaica, algumas dúvidas podem surgir. Uma delas diz respeito ao fato de que o preço dos equipamentos - que são importados da China - subiu no último trimestre do ano passado, com a alta do dólar e o crescimento da demanda.

Mesmo assim, diz Rodrigo Freire, no acumulado de 2020 houve uma queda de 15% nos preços, uma vez que o avanço tecnológico vem permitindo o desenvolvimento de painéis mais potentes por um custo menor. “Essa é uma tendência que eu não vejo desacelerando tão cedo”, diz.

Outro questionamento que pode surgir é quanto ao relacionamento de longo prazo com a empresa que faz a instalação e a manutenção dos equipamentos. Afinal, se eles duram décadas, como ter certeza de que aquele prestador de serviço ainda vai continuar existindo amanhã?

Freire explica que, caso um fornecedor saia do mercado, o usuário pode simplesmente contatar diretamente o fabricante, acionar a garantia (10 anos para módulos, 5 a 7 para inversores e um ano para a instalação) ou mesmo ser atendido por outra empresa.

Já a manutenção dos equipamentos em geral é bem simples, requerendo apenas uma limpeza anual das placas, que pode ser feita pelo próprio usuário.

Finalmente, tem a questão da “taxação do Sol”, como foi apelidada a instituição da cobrança dos custos de distribuição de energia por quem utiliza sistemas de geração distribuída on grid, isto é, ligados à rede de distribuição de energia.

Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei do Marco Legal da Geração Distribuída, que institui essa cobrança para quem gera a própria energia e hoje não paga essa parte da tarifa quando utiliza a energia da rede, mas compensa esse uso com seus créditos de geração. O projeto ainda precisa passar pelo Senado.

Porém, para os projetos de energia solar já existentes ou que protocolarem a solicitação de acesso em até 12 meses contados da publicação da Lei, as regras atuais (com a isenção) serão mantidas por 25 anos, até 2045.

Assim, ainda dá tempo de instalar um sistema de geração distribuída em casa e se valer do benefício por todo o prazo de vida útil dos equipamentos.

Os novos projetos, por sua vez, terão uma fase de transição de sete anos, com aumento gradativo da tarifa, e passarão a pagar todos os encargos somente a partir de 2029.

“Esse custo não vai inviabilizar o investimento em energia solar, porque a gente está falando de algo com 30%, 40% de retorno, que apenas será um pouco reduzido com esta cobrança”, diz Rodrigo Freire.

No vídeo a seguir eu faço todo um resumo do conteúdo das nossas três reportagens da série sobre energia solar no Seu Dinheiro. Aproveite para se inscrever no nosso canal de YouTube e compartilhar o vídeo com seus amigos e conhecidos que podem se beneficiar da instalação de painéis solares em casa.

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