“5G é infraestrutura básica”: uma conversa com Cristiano Amon, brasileiro e novo CEO global da Qualcomm
No comando da Qualcomm desde o começo do mês, Cristiano Amon tem como desafios a transição para o 5G e a diversificação das áreas de atuação

A transição entre as tecnologias 4G e 5G está em pleno andamento — e tem sido tema de enormes turbulências geopolíticas. Bem no centro dessa batalha está a Qualcomm, uma das líderes mundiais na produção de chips, semicondutores e processadores. E, desde o começo do mês, o brasileiro Cristiano Amon é o cérebro da empresa.
Formado em engenharia elétrica pela Unicamp, Amon tem uma longa carreira na companhia e vive nos Estados Unidos desde os anos 90. Recém empossado como CEO, ele tem o desafio de conduzir a Qualcomm neste momento de inflexão do setor de telecomunicações.
O executivo concedeu hoje uma entrevista para alguns veículos brasileiros de imprensa, entre eles, o Seu Dinheiro. Entre outros pontos, falou sobre a transformação digital da sociedade durante a pandemia, sobre os planos de diversificação da Qualcomm e sobre a atual escassez na oferta de semicondutores no mundo.
Quanto ao 5G, ele não poupou palavras para ressaltar a importância estratégica da nova tecnologia de telecomunicação:
O 5G é infraestrutura básica. É difícil enxergar hoje, mas é preciso pensar daqui 10 anos
Cristiano Amon, CEO global da Qualcomm
Pico na demanda
A Qualcomm, hoje, é conhecida por ser uma importante fornecedora para a cadeia de smartphones — provavelmente, você tem ou já deve ter tido algum aparelho que usa o chip Snapdragon. A empresa, no entanto, atua em muitas outras indústrias, seja desenvolvendo soluções de conectividade ou vendendo semicondutores.
Leia Também
Mas, mesmo sendo uma das líderes globais nesse setor, a companhia enfrentou problemas para atender à demanda cada vez maior por esses componentes: com a pandemia e o trabalho remoto, a necessidade de conectividade em banda larga deu um salto em escala global.
"Houve uma aceleração enorme no volume de processamento digital e na nuvem. A tecnologia fez a sociedade continuar funcionando", disse Amon, afirmando que, para a Qualcomm, a expectativa é que o reequilíbrio entre oferta e demanda de componentes seja alcançado até o fim desse ano.
O momento de escassez global, no entanto, trouxe desdobramentos positivos. Segundo o novo CEO da empresa, ficou clara a importância da cadeia de semicondutores para a transformação digital da sociedade.

Revolução em andamento
Esse aumento na demanda por semicondutores e a importância cada vez maior da conectividade — mesmo no pós-pandemia, a percepção é a de que mais e mais atividades poderão ser feitas remotamente, via nuvem — servem como pano de fundo estratégico para Amon e a Qualcomm.
Da mesma maneira que os smartphones e a tecnologia móvel causaram uma revolução no passado — e a empresa soube identificar esse movimento e se posicionar com antecedência, capturando uma fatia relevante do mercado —, o momento atual é de entendimento das tendências que vão emergir daqui em diante.
Uma delas, segundo Amon, é a redefinição do papel do computador pessoal: antes, as configurações de processamento e hardware eram as preocupações do consumidor; hoje, a capacidade de câmera e multimídia são igualmente importantes.
A aplicação número 1 do PC virou comunicação
Cristiano Amon, CEO global da Qualcomm
Dito isso, o executivo afirma que a Qualcomm pretende entrar com mais força no mercado de computadores pessoais. Os PCs, afinal, ganharam importância e precisam ter capacidade semelhante às estações de trabalho, tanto no lado do processamento quanto na conectividade à nuvem.
Tanto é que, em março, foi concluída a compra da Nuvia, especializada em processadores para computador com conectividade 5G, numa operação de US$ 1,4 bilhão. O plano é colocar a Qualcomm no mapa dos PCs e desenvolver processadores mais potentes para o mercado de computação nos próximos anos.
"Não queremos ser só conhecidos em celulares, queremos ser uma empresa que fornece tecnologia para tudo que é transformação digital", diz Amon.
5G, caminho sem volta
O desenvolvimento do 5G é visto como uma tendência inevitável pelo executivo — e, nesse sentido, os países que já estão num estágio mais avançado do uso da tecnologia possuem uma vantagem competitiva importante.
"A transição tecnológica cria novas indústrias", diz Amon. O uso do 5G vai desde a aplicação de novas tecnologias na agricultura ao desenvolvimento de drones autônomos; no lado da manufatura, a conectividade mais rápida e difusa permite o uso de robôs inteligentes em larga escala — o que, naturalmente, eleva a eficiência do processo produtivo.
O CEO da Qualcomm cita como exemplo os projetos de cidades inteligentes na Inglaterra e na China: ambulâncias com conectividade 5G são capazes de realizar diagnósticos de imagem assim que o paciente entra no veículo, enviando os resultados para o hospital com antecedência.
Atualmente, países como Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul são os mais adiantados na adoção do 5G. Isso, no entanto, não quer dizer que outros mercados não tenham interesse na tecnologia: segundo Amon, há um entendimento entre quase todos os países de que o tema é de interesse.
"O 5G é necessário para os serviços atuais? Essa é uma discussão errada. O 5G é uma infraestrutura crítica de conexão com a nuvem. Todos querem começar a montar a rede".
A Qualcomm em números
A companhia fechou o segundo trimestre fiscal (encerrado em abril) com receita líquida de US$ 7,9 bilhões e lucro líquido de US$ 2,2 bilhões — o lucro por ação ficou em US$ 1,90, acima das projeções fornecidas pela própria empresa.
Na Nasdaq, as ações da Qualcomm (QCOM) são negociadas atualmente em torno dos US$ 140, acumulando ganhos de mais de 50% em um ano. Na B3, os BDRs da empresa (QCOM34) estão perto dos R$ 60, avançando 46% no mesmo período.

AZEDOU?
Ração para pets ou sorvete? Como uma mudança de prioridade levou a dona da Häagen-Dazs a encerrar distribuição da marca no Brasil
24 de agosto de 2026 - 15:45HERANÇA DO PIX?
Galípolo acende alerta sobre crédito e prepara novas medidas do BC para conter endividamento das famílias
24 de agosto de 2026 - 14:58MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
Simples Nacional muda regra e empresas terão de fazer adesão já em setembro; entenda
24 de agosto de 2026 - 14:06NO PÓDIO
‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’ continua escalando em bilheteria; Tom Holland terá o filme mais vendido da história?
24 de agosto de 2026 - 13:10ENXUGANDO AS DESPESAS
A conta de luz está pesando no bolso? Condomínios podem aliviar gastos com energia; veja como economizar
24 de agosto de 2026 - 12:31CARMA?
CEO que demitiu 900 funcionários por Zoom perde o comando da própria empresa
24 de agosto de 2026 - 12:30CASTELO DE STRANCALLY
Como é o castelo gótico comprado por Mark Zuckerberg para “ficar mais perto do trabalho”
24 de agosto de 2026 - 10:29DANÇA DAS CADEIRAS
Mega-Sena paga R$ 57 milhões em SC e +Milionária volta a oferecer o maior prêmio das loterias da Caixa
24 de agosto de 2026 - 6:44É HOJE!
IRPF 2026: Receita libera hoje consulta ao quarto lote de restituição do Imposto de Renda
24 de agosto de 2026 - 5:43ATENÇÃO, ESTUDANTES!
Pé-de-Meia volta a ser pago hoje; confira calendário, valores e quem tem direito em agosto de 2026
24 de agosto de 2026 - 5:06Conteúdo Empiricus
Enquanto o mês do ‘desgosto’ castiga o Ibovespa, traders se preparam para uma disputa milionária
23 de agosto de 2026 - 9:00TEMPESTADE À VISTA?
É hora de comprar ouro? Veja se dois bancões gringos acreditam que é hora de correr para a segurança
22 de agosto de 2026 - 16:02AS MAIS LIDAS
O impacto do Wellhub e Total Pass, a pechincha do Banco do Brasil (BBAS3), investimentos para renda passiva: o que chamou a atenção nesta semana
22 de agosto de 2026 - 14:00Conteúdo Empiricus
O ajuste fiscal vem em 2027? Entenda os cenários possíveis e onde investir para aproveitar as melhores oportunidades
22 de agosto de 2026 - 11:00FUTURO DO PETRÓLEO
Margem Equatorial pode garantir mais 40 anos de petróleo para Petrobras (PETR4); saiba o que está em jogo para a petroleira
22 de agosto de 2026 - 10:45SÓCIO DISCRETO DE BUFFET
O ‘oráculo’ das sombras: quem é o estrategista discreto por trás do império de US$ 1 trilhão da Berkshire Hathaway
22 de agosto de 2026 - 9:15'STEVE JOBS DOS INVESTIMENTOS'
O ‘Santo Graal’ dos investimentos: a fórmula de Ray Dalio que os grandes fundos usam — e como aplicar na sua carteira
21 de agosto de 2026 - 12:03VAZOU DE NOVO
GTA VI sob ataque: hackers divulgam imagens inéditas e prometem ir além
21 de agosto de 2026 - 10:30ENTRE O ESTILO E A REGRA
Quais são os limites do dress code no trabalho? Nova política em escritórios no Japão questiona regras tradicionais; especialistas explicam
21 de agosto de 2026 - 7:20BOLA MAIS QUE DIVIDIDA