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Juros para cima

Prepare-se para crescimento baixo e inflação alta em 2022: manobra no teto reforça cenário de estagflação

Drible no teto de gastos pode pressionar ainda mais os preços e obrigar a uma alta de juros mais intensa, dizem especialistas

Bolsonaro e Paulo Guedes
Bolsonaro e Paulo Guedes apareceram lado a lado para defender Auxílio Brasil de R$ 400.

Os efeitos da manobra acertada entre governo e Congresso para burlar o teto de gastos devem ser sentidas de forma profunda no ano que vem. O aumento mais forte na taxa de juros prevista agora pelos economistas deve reforçar um quadro que já vinha se desenhando, o da estagflação - crescimento baixo com inflação alta.

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Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, não se conseguirá fugir desse cenário. "O presidente Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes, e os políticos em Brasília parecem não entender a gravidade, o risco econômico que essa mudança no teto representa", diz.

Segundo ele, mexer na regra que limita os gastos públicos em um momento de tantas incertezas, em que o País convive com uma inflação persistentemente alta - e sobre a qual ninguém sabe ao certo em que nível vai ficar em 2022 -, é catastrófico para a economia.

Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, disse que o cenário fiscal foi alterado com a mudança no teto, e que o quadro será de mais deterioração pela frente. "O cenário de juros e câmbio mais elevados vai alterar as expectativas (para a economia)."

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Segundo ele, as sinalizações do governo vão na direção de aumento de gastos sem falar em cortar despesas. Os mercados se assustaram e perderam a referência de como vai ser a dinâmica da dívida para a frente.

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