‘Maior parte do auxílio em 2020 não teve finalidade emergencial’, diz economista-chefe da XP Asset
Fernando Genta avalia que governo perdeu o foco do projeto em 2020 e corre o risco de cometer o mesmo erro de novo em 2021

O governo perdeu o foco do auxílio emergencial em 2020 e corre o risco de perder novamente agora, avalia o economista-chefe da XP Asset, Fernando Genta, que já teve passagem por Brasília, como secretário adjunto do Ministério da Economia em 2017 e 2018, na gestão do ministro Henrique Meirelles.
Genta argumenta que, atualmente, um programa limitado a até R$ 30 bilhões, por três ou quatro meses, com contrapartidas fiscais, é factível. Mas observa que no ano passado, a maior parte dos recursos do auxílio acabaram indo para pessoas que não tiveram perda de renda do emprego informal, ou seja, não tiveram finalidade emergencial. "O ponto é que você deu muito dinheiro para famílias que não foram impactadas em nada pela crise", diz em entrevista ao Estadão/Broadcast.
Como vê a já quase certa prorrogação do auxílio emergencial?
No final de 2020, estava claro que o auxílio não seria renovado. Nunca foi o plano A do governo. Obviamente, o cenário mudou, tivemos uma segunda onda, com nova cepa, piora em Manaus. Isso mudou a temperatura no Congresso quanto à necessidade de novo auxílio. Mas sou bem crítico sobre como foi feito o auxílio no ano passado. No primeiro programa, tudo bem, porque não se sabia o que estava acontecendo. Mas renovamos duas vezes o programa sem ter nenhum estudo técnico.
Como avalia a postura do ministro Paulo Guedes nessa discussão?
A tática do Guedes foi esperar para ver como evolui a pandemia. Só que após a eleição no Congresso, o presidente do Senado tem sido muito vocal e o Congresso todo embarcou no auxílio. A pressão está muito grande. A briga que Guedes tem agora é convencer o presidente do Senado a colocar tudo dentro de uma PEC, com contrapartidas.
Leia Também
Como operacionalizar o auxílio?
É difícil. Primeiro é preciso votar o Orçamento e por mais que as lideranças prometam aprovar o Orçamento na virada de fevereiro para março, do jeito que as coisas estão, não me surpreenderia a discussão correr ao longo de março. Aí precisa saber se é viável ou não aprovar um novo programa de auxílio sem ter o Orçamento. Acho questionável. Se for para esse caminho, a Economia está defendendo que isso seja feito por PECs, com contrapartidas. Acho que o Congresso não vai fazer nada à revelia do executivo.
O quanto de gasto com auxílio acha viável considerando as limitações fiscais?
Um auxílio limitado, de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões, por três ou quatro meses, para mim me parece uma barganha justa. Hoje tem o teto, a regra de ouro e a meta de superávit primário que limitam o auxílio. Não temos fontes.
Você criticou em artigo recente a eficácia do auxílio em 2020. Foi uma medida ineficaz?
O auxílio, em boa parte, foi pago para famílias mais pobres. O ponto é que você deu muito dinheiro para famílias que não foram impactadas em nada pela crise. O que gastou de desperdício conseguiria dobrar o orçamento do Bolsa Família por 9 anos. Foi uma desfocalização muito grande. Você acabou transferindo dinheiro para loja de material de construção, para o varejo. No final, foi uma transferência de renda para o varejo, não foi uma questão emergencial. Óbvio, que teve gente que pegou o emergencial. A ineficiência do auxílio foi crescendo ao longo do tempo, porque as pessoas foram retornando ao mercado de trabalho. Por mais que o benefício tenha caído pela metade, por mais que tenha retirado pessoas do Bolsa Família do programa no final, ainda assim a eficiência foi caindo e estamos repetindo a dose. Mas se isso vier acompanhado de barganha que melhore os arcabouços fiscais, beleza.
Quando você fala em desfocalização, o dinheiro do auxílio não foi de fato emergencial?
Com base na pesquisa de microdados da PNAD Covid-19 do IBGE, fizemos uma estimativa de que 77% do dinheiro de auxílio que foi capturado, R$ 230 bilhões, não foi destinado para famílias que tiveram perda de renda com trabalho informal, isso na média. Do dinheiro total do auxílio, em dezembro, 80% foi para quem já não tinha perda de renda informal, seja porque já tinha recuperado o emprego, seja porque não é do setor informal.
Como vê a reação do mercado se o auxílio vier sem contrapartida fiscal?
Auxílio sem ajuste nenhum não é o roteiro. O primeiro cenário é Guedes vencer e consegue fazer tudo amarrado, com auxílio e contrapartidas. O outro é o cenário que sai o auxílio sem o fiscal, mas com a promessa de criar uma comissão para o ajuste. Aí o mercado vai azedar, mas sem implosão. Óbvio que parte já está no preço, o Brasil descolou um pouco mais dos emergentes.
Como você acredita que a decisão do auxílio pode ter impacto na decisão do Banco Central sobre juros?
Se sai um auxílio amarrado, com as contrapartidas, é capaz até que o Banco Central melhore seu diagnóstico fiscal. Se sair alguma coisa sem contrapartida, o juro pode subir antes, com chance de 50 pontos em março já.
Indicadores recentes estão vindo fracos. Como vê a atividade neste começo de ano?
O dado que mais me surpreendeu foi o varejo, porque ainda teve dinheiro do auxílio emergencial em dezembro e caiu em janeiro, da ordem de uns R$ 20 bilhões. Talvez a iminência do fim do auxílio fez as famílias ficarem mais reticentes e não gastarem. Mas trabalhamos com a perspectiva de crescimento de 3,5% a 4% este ano, estou otimista com a vacinação.
Acredita que a vacinação pode ser mais rápida do que muitos analistas estão prevendo neste momento?
Estamos bem construtivos com o cronograma de vacinação. O segundo semestre vai ser bem bom, por causa das vacinas. Nas minhas contas, vamos vacinar todos os brasileiros com mais de 60 anos até maio. Até setembro, 70% da população deve ser vacinada, que é praticamente todo mundo com mais de 19 anos. Os casos e mortes tendem a desabar.
ASSUNTO 'PROIBIDO'?
“Isso não ganha voto”: por que o ajuste fiscal deve ficar para depois da eleição, segundo Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro
29 de setembro de 2026 - 14:45CORTOU PROJEÇÕES
Maior queda do Ibovespa hoje, CSN (CSNA3) derrete 11% e divisão de mineração (CMIN3) vai junto: o que preocupa os investidores?
29 de setembro de 2026 - 13:35CHEGOU AO TST
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho julga dissídio em meio a impasse entre banco e funcionários
29 de setembro de 2026 - 9:59PÉ NA AREIA
Lotofácil 3791 premia bolão no Nordeste; Mega-Sena corre hoje valendo R$ 52 milhões
29 de setembro de 2026 - 7:25E AGORA, PETROBRAS?
EUA podem fechar a torneira do diesel e deixar o Brasil mais vulnerável, segundo Citi; é hora de rever a carteira de BDRs?
28 de setembro de 2026 - 18:10CASAS DE APOSTAS
R$ 1,7 bilhão na mesa: bets terão de devolver dinheiro a 22,9 milhões de apostadores após MP de Lula
28 de setembro de 2026 - 17:16O PREÇO DAS ELEIÇÕES
Sem rali eleitoral? Gatilho para a bolsa brasileira fica para depois das eleições; saiba qual é, segundo o JP Morgan
28 de setembro de 2026 - 12:00INSEGURANÇA
Bets estudam medidas para tentar reverter proibição depois de MP de Lula, mas proximidade da eleição atrapalha
28 de setembro de 2026 - 10:04É BOM SABER
Milhões de brasileiros desconhecem benefício do novo RG e ficam sem acesso mais seguro ao gov.br
28 de setembro de 2026 - 9:27DANÇA DAS CADEIRAS
+Milionária acumulada promete R$ 99 milhões, mas Mega-Sena se aproxima; confira o ranking dos maiores prêmios das loterias da Caixa
28 de setembro de 2026 - 6:41NAS MÃOS ERRADAS
Fim da humanidade? Desenvolvimento da IA sem controle pode levar a um bilhão de mortes, diz Bill Gates
27 de setembro de 2026 - 17:01O QUE BOMBOU NO SD
O sumiço das LCIs e LCAs, os R$ 10 bilhões do Bradesco e os dividendos da Petrobras (PETR4): as mais lidas da semana
27 de setembro de 2026 - 15:01FIIS DE LAJES CORPORATIVAS
Locação do Esther Towers pelo Itaú Unibanco, maior da história, abre alerta; entenda o que acontece com setor de escritórios agora
27 de setembro de 2026 - 11:30ELEIÇÃO, JUROS E FISCAL
“Essa taxa se torna insustentável”: os juros que enchem o bolso do investidor podem estar virando problema para o Brasil
26 de setembro de 2026 - 17:19DESTAQUES DA BOLSA
Magazine Luiza (MGLU3) ganha fôlego e Natura (NATU3) fica na lanterna: veja os altos e baixos do Ibovespa na semana
26 de setembro de 2026 - 16:08TOUROS E URSOS
Seu próximo carro será chinês? BYD, GWM e a nova guerra do mercado automotivo
26 de setembro de 2026 - 15:00DE OLHO NAS DÍVIDAS
Desenrola 3.0: governo Lula quer renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas — mas como vai bancar essa conta?
26 de setembro de 2026 - 11:24Conteúdo Empiricus
McKinsey: Só 6% das empresas faturam com IA de verdade — veja característica em comum entre elas
26 de setembro de 2026 - 9:00O CRONOGRAMA DO RESGATE
O que acontece com o dinheiro de quem apostou nas bets após a proibição do governo
25 de setembro de 2026 - 18:58MIX DE SENTIMENTO