O último a sair apaga a luz? Veja os principais nomes que deixaram a equipe de Paulo Guedes desde o início do governo
Nova debandada eleva a quase 20 o número de integrantes da equipe econômica a terem deixado o propalado "dream team" de Guedes em menos de três anos de governo

Os pedidos de demissão apresentados na noite de ontem pelos secretários Bruno Funchal e Jeferson Bittencourt e seus respectivos adjuntos, Gildenora Dantas e Rafael Araujo, foram noticiados como uma “debandada”.
Apesar de terem alegado razões pessoais, os integrantes da equipe econômica viram a “licença para gastar” admitida pelo ministro Paulo Guedes na noite de quarta-feira como a gota d’água para a permanência deles no governo.
Com isso, em menos de três anos, o “dream team” propalado por Guedes antes da posse do governo Jair Bolsonaro praticamente evaporou. Foram quase 20 integrantes que deixaram o governo, entre secretários do ministério e dirigentes de estatais.
O Seu Dinheiro traz a seguir um breve perfil das principais baixas sofridas pela equipe de Guedes em dois anos e dez meses de governo.
Joaquim Levy
Presidente do BNDES, Joaquim Levy foi a primeira baixa de peso da equipe econômica formada por Paulo Guedes, empossada em janeiro de 2019. O fato de ter atuado como ministro da Fazenda de Dilma Rousseff colocou Levy na alça de mira do presidente Jair Bolsonaro desde o princípio.
Ele assumiu a presidência do BNDES sob a pressão de expor uma suposta “caixa-preta” que incriminaria administrações anteriores. Pressionado pelo presidente a demitir o diretor de mercado de capitais do BNDES Marcos Barbosa Pinto por suposta proximidade com o PT, Levy durou menos de seis meses no cargo.
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Entregou a carta de demissão depois de Bolsonaro ter afirmado publicamente que ele estava “com a cabeça a prêmio”. Foi sucedido por Gustavo Montezano, que no início de 2020, depois de uma auditoria milionária, afirmou não haver caixa-preta no BNDES. Atualmente, Levy é diretor de estratégia econômica e relações com mercados no Banco Safra.
Marcos Cintra, secretário da Receita Federal
Liberal de quatro costados, Marcos Cintra foi a segunda baixa marcante da equipe econômica de Guedes. Encarregado de formular uma proposta de reforma tributária liberalizante, defendeu a criação de um imposto nos moldes da extinta Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), conhecida nos tempos de Fernando Henrique Cardoso como o "imposto do cheque".
Foi demitido em setembro de 2019. Hoje, Cintra é vice-presidente e diretor administrativo de uma fundação ligada ao PSL.
Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional
Levado para o seio do governo em 2016 por Henrique Meirelles, Mansueto Almeida tornou-se secretário do Tesouro Nacional em 2018, ainda durante o governo Michel Temer. Mantido na função por indicação de Paulo Guedes, Mansueto era visto como “guardião dos cofres” e fiador do processo de ajuste das contas públicas.
Deixou o Tesouro de maneira relativamente discreta, em julho de 2020, quando o país já se encontrava sob o impacto da pandemia. Depois de seis meses de quarentena, tornou-se sócio e economista-chefe do Banco BTG Pactual. Foi sucedido por Bruno Funchal.
Bruno Funchal, secretário Especial de Tesouro e Orçamento
Bruno Funchal era secretário da Fazenda do Espírito Santo quando foi convidado a integrar a equipe econômica de Paulo Guedes. Entrou como diretor de programas do Ministério da Economia e trabalhou na elaboração da proposta de um novo Pacto Federativo.
Considerado fiador do teto de gastos, pediu demissão ontem, depois de Guedes ter lavado as mãos com relação à regra. Alegou motivos pessoais. Junto com ele, saiu Gildenora Dantas, secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, também alegando razões pessoais.
Jeferson Bittencourt, secretário do Tesouro Nacional
Funcionário de carreira do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt foi coordenador e subsecretário antes de ser alçado a secretário do Tesouro. Entregou sua demissão ontem, junto com Funchal, Gildenora e Rafael Araujo, secretário-adjunto do Tesouro Nacional.
Salim Mattar, secretário de Desestatização
À frente da Localiza, Salim Mattar construiu um império de locação de veículos no Brasil antes de envolver-se com política. Identificado como o quarto maior doador nas eleições de 2018 - foram quase R$ 3 milhões doados a 28 candidatos de viés ultraliberal - Mattar foi convidado por Guedes para tocar a secretaria de desestatizações - ou privatizações - do governo Jair Bolsonaro.
Frustrado, entregou o cargo em agosto de 2020 com uma única privatização no currículo, a da BR Distribuidora (atual Vibra Energia). Saiu junto com Paulo Uebel, o que foi qualificado pelo próprio Guedes como debandada.
Paulo Uebel, secretário de Desburocratização
Secretário de Gestão do prefeito paulistano Bruno Covas, o gaúcho Paulo Uebel deixou a posição na capital paulista para assumir uma missão digna de Tom Cruise: desburocratizar o governo federal.
Responsável pela gestão e pelo chamado “governo digital”, sucumbiu aos atrasos no governo para o envio de uma proposta de reforma administrativa ao Congresso. Deixou o governo junto com Salim Mattar, em agosto de 2020, ao tomar conhecimento de que a reforma ficaria para 2021.
Wagner Lenhart, secretário de Gestão e Desempenho
Braço-direito de Paulo Uebel, Wagner Lenhart foi secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia. Em março de 2021, sete meses depois da saída de Uebel, Lenhart pediu demissão alegando motivos pessoais. No caso, o nascimento de seu primeiro filho.
Wilson Ferreira Jr., presidente da Eletrobras
Depois de quase duas décadas à frente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr. entrou para a Eletrobras em 2016, no governo de Michel Temer, defendendo a privatização da empresa. Permaneceu na função a convite do governo Bolsonaro diante da expectativa de liderar o processo de venda da estatal. Pediu demissão no início deste ano em meio à demora do governo em levar adiante o processo.
Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras
Roberto Castello Branco assumiu a Petrobras no início do governo Bolsonaro criticando a existência de monopólios e defendendo a menor presença possível do Estado na economia.
À frente da companhia estatal de petróleo e gás, promoveu uma série de vendas de ativos, mas foi cuidadoso em relação à polêmica mudança na política de preços de combustíveis da Petrobras, herdada do governo Temer.
Apontado como um entrave às tentativas de intromissão de Bolsonaro na estatal, Castello Branco também entrou na mira do chefe por ter adotado o home office na pandemia.
Foi substituído no cargo pelo general Joaquim Silva e Luna, que até o momento não fez maiores mudanças na política de preços de combustíveis da Petrobras.
Rubem Novaes, presidente do Banco Brasil
Oriundo da mesma escola de Paulo Guedes, o Chicago Oldie e ex-diretor do BNDES, Rubem Novaes, assumiu o Banco do Brasil defendendo sua privatização.
A venda do banco estatal, entretanto, conta com oposição do próprio Bolsonaro. Novaes deixou o governo em meados de 2020 queixando-se de que “em Brasília, tem muita gente com o rabo preso”. Foi sucedido no cargo por André Brandão.
André Brandão, presidente do Banco do Brasil
Ex-presidente do HSBC, André Brandão foi convidado para suceder Rubem Novaes à frente do Banco do Brasil ciente da improbabilidade de privatização da instituição financeira. Depois de um processo de transição de quase dois meses, assumiu formalmente a presidência do BB em setembro de 2020.
Colocou-se na mira de Bolsonaro ao fechar agências do banco por todo o país e colocar em andamento dois programas de demissão voluntária. Renunciou ao cargo em março de 2021.
Waldery Rodrigues, secretário de Fazenda
Com quase três décadas de atuação no setor público, Waldery Rodrigues teve passagens pelo Ipea e pela área técnica do Senado antes de ingressar na equipe econômica do governo federal em 2016, a convite do então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
Waldery entrou para o governo Bolsonaro na posição de Secretário da Fazenda. Afirma ter sido exonerado por Guedes após um pedido pessoal. A função de Waldery foi acumulada por Bruno Funchal.
Vanessa Canado, secretária especial do Ministério da Economia
Advogada especializada em direito tributário, Vanessa Canado deixou sua posição no Ministério da Economia em abril, junto com o secretário da Fazenda Waldery Rodrigues.
A decisão teria sido tomada depois de o presidente da Câmara, Arthur Lira, ter resolvido levar adiante a discussão da reforma tributária em moldes diferentes dos defendidos pelos assessores mais próximos de Guedes.
Susana Guerra, presidente do IBGE
Susana Guerra assumiu a presidência do IBGE em fevereiro de 2019. Diante da pandemia, implementou modelos alternativos para manter a coleta de informações para as pesquisas da agência. Pediu demissão em março de 2021, depois da aprovação de um corte de 96% no orçamento do Censo Demográfico.
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