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Mesmo sem ter os milhões necessários para lançar um foguete, é possível ganhar dinheiro com a indústria espacial moderna de outras maneiras
Dos trending topics do Twitter às manchetes dos principais jornais do mundo, não se falou em outra coisa na última terça-feira (20): Jeff Bezos chegou ao espaço com sucesso no primeiro voo da Blue Origin, sua empresa de exploração espacial.
O episódio é mais um capítulo da nova corrida dos foguetes. Se antes o movimento ficou marcado pela briga militar entre duas potências mundiais - Estados Unidos e a antiga União Soviética -, agora são os empresários mais famosos do mundo, verdadeiros bilionários superstars, que protagonizam a disputa pela conquista turística do espaço.
E eles não têm medo de abrir a carteira na busca pelo pioneirismo. O fundador da Amazon revelou à Reuters, em 2017, que vendia US$ 1 bilhão em ações da empresa por ano para investir na Blue Origin.
Mas, apesar do custo inicial alto, a empreitada também tem um grande potencial para o lucro. Bezos anunciou ontem que já vendeu quase US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 521 milhões) em bilhetes para viagens futuras.
A Virgin Galactic, de Richard Branson, também revelou que cobra entre US$ 200 mil a US$ 500 mil pelos assentos em suas próximas viagens.
Com a exploração espacial a todo vapor, o banco Morgan Stanley projeta que esse mercado pode alcançar a marca de US$ 1 trilhão em receita anual até 2040. Atualmente, o valor está próximo aos US$ 350 bilhões, o que significa um salto quase triplo em duas décadas.
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Se você ficou impressionado com as cifras e lamenta a falta de recursos para se tornar um conquistador espacial, temos uma boa notícia: é possível ganhar dinheiro com a nova corrida mesmo sem os milhões necessários para lançar um foguete.
Entre as empresas dos três bilionários que oferecem voos espaciais suborbitais, a de Branson é a mais acessível para os investidores. Isto porque a Virgin Galactic tornou-se uma companhia de capital aberto em 2019 e suas ações são negociadas na NYSE, a bolsa de valores de Nova York.
Apesar de a companhia não negociar BDRs (Certificados de Depósito de Ações, da sigla em inglês) na nossa B3, os investidores brasileiros podem comprar as ações da empresa por meio de corretoras internacionais. Ontem, por exemplo, os papéis fecharam cotados na faixa dos US$ 30.
Já a Blue Origin e a SpaceX, de Elon Musk, ainda trabalham apenas com rodadas fechadas de financiamento. Junto com a Virgin Galactic, aliás, elas devem atingir uma captação recorde neste ano, após terem levantado US$ 5 bilhões em 2020, de acordo com a PitchBook Data.
Se você aposta mais nos projetos das outras duas, não perca as esperanças de vê-las negociando ações no futuro. Musk já afirmou que vislumbra uma abertura de capital para a Starlink, projeto de rede de comunicações com milhares de satélites da SpaceX.
“Assim que pudermos prever um fluxo de caixa razoavelmente bom, a Starlink fará o IPO”, declarou o fundador da montadora de carros elétricos Tesla em abril. Antes de continuar, um convite: guarde com você esta matéria pelo post do nosso Instagram. Aproveite e nos siga por lá:
Além disso, as viagens turísticas são apenas a ponta do iceberg da indústria aeroespacial moderna. O deslumbramento com os foguetes ofusca as inovações em armazenamento de energia, sequenciamento genômico, inteligência artificial, tecnologia blockchain e muito mais.
Apesar de menos midiáticos, os avanços fora da indústria de satélites e os chamados “impactos de segunda ordem” representarão, ainda de acordo com as previsões do Morgan Stanley, cerca de metade da receita projetada para o segmento.
Uma das formas de ganhar com a exploração e também com os “efeitos colaterais” da corrida é por meio do ETF Ark Space Exploration & Innovation (ARKX), da ARK Capital. A gestora projeta que esse segmento deve gerar cerca de US$ 50 trilhões nos próximos 15 anos.
Segundo a análise do sócio-fundador e CIO da Empiricus, Felipe Miranda, o fundo de índice da ARK Capital foca em empresas que podem se beneficiar das novas oportunidades na indústria espacial.
“O novo ETF da Ark está bem posicionado para se beneficiar das tendências por meio de sua exposição em produtos e serviços tecnologicamente habilitados associados ao setor operante além da superfície da Terra”, diz Miranda, em relatório a clientes.
Lançado em abril de 2021, o fundo investe em 39 empresas, possui US$ 627 milhões em ativos sob gestão e suas cotas podem ser adquiridas pelos investidores diretamente na bolsa americana Bats Global Markets.
Apesar de recomendar o investimento, Miranda faz uma ressalva para a possibilidade de desaceleração da indústria. Para driblar o risco e se expor ao sucesso, ele indica uma alocação limitada dentro da carteira dos investidores.
Confira também uma análise completa sobre investimentos no exterior em nosso canal do YouTube:
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