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Veja tudo o que você precisa saber para investir sua fortuna e evitar as armadilhas de uma mudança de vida repentina
Com certeza você já se pegou imaginando: -‘O que eu faria se ganhasse uma bolada na loteria?’
Pode ser comprar uma casa, abrir um negócio, pagar uma dívida, fazer uma doação, viajar o mundo ou qualquer outra possibilidade que no momento não passe de um projeto na sua cabeça.
Dependendo da bolada, porém, pode ser que dê pra fazer tudo isso junto e ainda sobre dinheiro suficiente pra não ter mais com o que se preocupar pelo resto dessa vida - e quem sabe das próximas.
É isso o que promete a Mega da Virada deste ano. As apostas podem ser feitas em casas lotéricas e pela internet.
O prêmio principal é estimado em R$ 350 milhões e não é cumulativo. Ou seja: se ninguém acertar as seis dezenas do sorteio principal, o montante será repartido entre quem acertar cinco dos seis números sorteados.
Mas vai que você ganha esse prêmio sozinho. É o bastante para viver sem precisar se preocupar com mais nada e ainda garantir um cotidiano exuberante para filhos, netos e talvez até bisnetos.
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Vou fazer aqui uma conta de padeiro só pra você ter uma referência aproximada do que está em jogo.
Caso você embolse sozinho esses R$ 350 milhões e resolva guardá-los embaixo do colchão - também pode ser dentro do armário, num baú ou num cofre - e pegue R$ 100 mil por mês para suas despesas, levaria quase 300 anos para gastar tudo.
E isso provavelmente levando uma vida pra lá de luxuosa durante a maior parte do tempo.
Mas você não vai viver quase 300 anos. Ainda assim, o dinheiro seria suficiente para sustentar você e mais duas ou três gerações da sua família antes de ser corroído pela inflação.
O fato é que a maioria das pessoas, quando se imagina ganhando na loteria, pensa em como vai gastar o dinheiro, mas raramente planeja como investi-lo.
Diante disso, o Seu Dinheiro resolveu ouvir quem entende do assunto para orientar os seus próximos passos assim que essa fortuna estiver na sua conta. Amanhã você vai saber como aumentar suas chances de ganhar e quais os cuidados para, caso acerte, não ficar sem o prêmio. Assine nossa newsletter para receber o alerta.
Sim, R$ 350 milhões equivalem a uma fortuna. Mas, ao contrário do que pode parecer, esse dinheiro não é infinito.
“A pessoa precisa ser muito esforçada pra perder R$ 350 milhões”, diz Natália Coura, sócia da Sparta.
De qualquer modo, isso está muito longe de ser uma missão impossível.
“Acabar com o dinheiro é fácil. Preservar é difícil”, resume Valter Police, planejador fiduciário e head da Academia Fiduc.
Um dos grandes sucessos recentes do cinema nacional foi o filme “Até que a Sorte no Separe”, no qual o personagem Tino, vivido por Leandro Hassum, consegue a proeza de torrar um prêmio milionário de loteria.

Para além da ficção, sobram registros na imprensa de pessoas que ganharam na loteria e depois acabaram perdendo tudo.
“Qualquer transição financeira afeta como você vive e enxerga a vida”, diz Valter Police, da Academia Fiduc.
No caso de mudanças repentinas, como um prêmio de loteria, os efeitos podem ser exacerbados.
“Tem quem passe a viver como se esse dinheiro não tivesse fim. A pessoa ganha na loteria e depois de um tempo volta à mesma condição de antes, ou pior”, afirma Police.
Estilo de vida nababesco, investimentos descabidos e sensação de onipotência são fatores com potencial de arruinar fortunas como a prevista pela Mega da Virada.
Sobram exemplos na vida real, principalmente no mundo do entretenimento - música, cinema, ou esportes - de pessoas que ganham muito dinheiro e fama num intervalo curto e às vezes não têm estrutura emocional ou familiar para lidar com a mudança.
“Há muitos casos de depressão, de relações familiares em deterioração, de suicídio”, adverte Police. “No esporte nem dá pra contar a quantidade de atletas que, pouco depois da aposentadoria, não têm mais dinheiro, seja no futebol brasileiro, na NBA ou nas ligas europeias”, prossegue ele.
Para Police, a pessoa precisa ter os seguintes pontos em mente:
Durante décadas, a caderneta de poupança moldou o imaginário do brasileiro como o investimento ideal. O motivo é simples: você colocava lá o seu rico dinheirinho, não corria nenhum risco e ele rendia mais do que a inflação.
Nos últimos tempos, porém, esse cenário mudou. A aceleração da inflação, especialmente nos últimos meses, faz com que a caderneta de poupança perca de goleada para a alta dos preços.
É verdade que agora, com a taxa Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança vai passar a render 0,5% ao mês.
Como estamos falando em R$ 350 milhões, supondo que você guarde tudo na poupança, o rendimento seria de R$ 1,75 milhão por mês.
Sim, seria como ganhar um pequeno prêmio de loteria 12 vezes por ano. Com a inflação acima de 10% ao ano, pasme, sua fortuna teria retorno real negativo.
“É preciso colocar o retorno real na conta, mesmo se tratando de um valor tão elevado, pois isso envolve poder de compra e o objetivo mais provável vai ser transformar esse prêmio em renda”, explica Natália Coura, da Sparta.
Por isso é tão importante buscar ajuda profissional. Você pode até achar que é capaz de decidir onde, quando e como investir seu dinheiro. Ou então cair na lábia daquele primo ou amigo distante que de repente se reaproximou e veio com uma conversa de retorno de 10% ao mês se você deixar na mão dele uma grana pra investir em Shiba Inu, Doge Coin ou golpes e pirâmides de outros tipos.
Enfim, o dinheiro é seu e você entra numa fria se quiser.
Mas você também pode - e eu até diria que deve - aproveitar o fato de R$ 350 milhões ser um valor que proporciona rentabilidade mais que suficiente para suportar alguns gastos fixos importantes e tirar o melhor proveito possível.
Uma dessas despesas - mas que, se bem pensada, pode acabar se transformando em um investimento - envolve a gestão de seu patrimônio.
Pode ser um agente autônomo, um bancão ou um family office. O importante é estar bem aconselhado.
Decidida a ajuda profissional, chegou a hora de dar o próximo passo.
“A primeira coisa é ver o quanto a pessoa quer gastar. Ela acabou de ganhar um prêmio desse tamanho e é natural que ela queira gastar uma parte”, antecipa Christiano Clemente, superintendente da área de private banking do Santander.
Ao começar a gastar o dinheiro, fique atento para os custos fixos que isso vai gerar. “A pessoa pode acabar comprando um carro, um barco, uma mansão e precisa entender que isso acaba se tornando um custo”, explica Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos.
Levando tudo isso em conta - o que já não é pouco -, é preciso pensar em qual padrão de vida você gostaria de ter, destaca Natália Coura, da Sparta.
Clemente recomenda separar 10%, seja qual for o valor. No caso, seriam R$ 35 milhões.
Os especialistas consultados pelo Seu Dinheiro propuseram diversas estratégias. Quando você procurar um profissional, ele vai levar em conta o seu perfil de investidor e o estilo de vida que você pretende manter para então definir qual será sua renda e como será feito para que seu patrimônio, ao invés de diminuir, apresente ganho real. Ou seja, que ele cresça acima da inflação.
Além dessa unanimidade, todos eles serão enfáticos em um outro aspecto: uma vez definida a estratégia, atenha-se a ela.
A seguir, veja o que cada um deles propõe.
Além de separar 10% para gastar, Clemente sugere deixar outros 10% guardados na rubrica “colchão de liquidez”, mais famosa recentemente como “reserva de emergência”.
“Mesmo que pareça muito à primeira vista, já que estamos falando de um prêmio de R$ 350 milhões, é importante falarmos em porcentuais em vez de números fixos, pois cada pessoa tem uma referência diferente e é importante que essa reserva esteja à disposição para que toda uma estratégia de investimento não acabe comprometida por um gasto eventual ou emergencial”, diz Clemente.
“Em segundo lugar, é preciso determinar quais vão passar a ser as despesas fixas, pois elas vão naturalmente aumentar, e de quanto será o colchão de liquidez, ou reserva de emergência, desse cliente, um dinheiro ao qual ele tenha acesso fácil sem precisar comprometer a estratégia de investimento que está sendo construída”, prossegue ele.
Seja como for, sobraram R$ 280 milhões para investir. Supondo que você seja um investidor arrojado, Clemente propõe alocar no máximo 20% de sua fortuna em renda variável. Deste modo, os 80% restantes serão suficientes para garantir a preservação do patrimônio, bem como sua perpetuidade.
Sempre que se vai investir, você parte do cenário econômico daquele momento. Mas esses cenários mudam com alguma frequência. Por isso é importante diversificar esses investimentos de modo a contemplar diferentes cenários.
“No ano passado, o que a gente mais lia era que a renda fixa tinha morrido. Hoje o que a gente mais tem é demanda por renda fixa”, afirma Natália.
No cenário atual, de inflação elevada, é preciso ter uma parcela investida em renda fixa na busca por retorno real.
“Hoje, investir em fundos de crédito privado em um cenário de Selic indo a 11%, com inflação a 7%, gera um retorno real sem que o investidor precise correr tantos riscos”, exemplifica Natalia.
Além disso, por mais conservador que possa ser esse investidor, ele vai ter ali uma parcela para investir em bolsa e outras estratégias multimercado.
Segundo Natália, a situação proposta também obriga a ter investimentos no exterior. “Já é um valor bastante significativo e essa pessoa vai passar a ter consumos e objetivos atrelados ao dólar, então ela também precisa ter um ajuste em relação a isso.”
Villegas recomenda diz que é preciso ter na cabeça a ideia de que esse ganhador da Mega da Virada vai se aposentar.
“O segredo é fazer investimentos que gerem renda”, afirma o estrategista da Genial. Mais especificamente, prossegue ele, recorrer a modalidades de investimentos que proporcionem renda passiva e, a partir daí, montar seu custo de vida. “Manter o principal e, a partir da renda, ter o consumo”, aconselha, levando em consideração que haverá um aumento do custo fixo desse investidor..
A partir daí, Villegas recomenda a divisão dos investimentos em três partes iguais, e explica por quê.
Títulos do Tesouro Direto: Tesouro IPCA, com preferência para os vencimentos mais longos, a depender da idade. “A cada seis meses paga cupom e o principal é sempre atualizado pela inflação”, afirma.
Investimentos dolarizados: Hoje está muito mais fácil para o investidor o acesso a ativos em dólar, seja através de corretora que vá investir nos EUA ou aqui, via ETFs que replicam índices globais. Ele também chama a atenção para os criptoativos, mas ressalva que se trata de uma opção para investidores mais arrojados e que tenham familiaridade com o ativo.
Ações que paguem bons dividendos e fundos imobiliários: Villegas cita como exemplos ações do setor elétrico, de concessionárias de serviços públicos em geral e de shopping centers. “São ações que têm a possibilidade de aumentarem receitas corrigidas pela inflação.”
Vamos supor, entretanto, que esses R$ 350 milhões sejam pouca coisa perto de suas ambições. O que você quer mesmo é se tornar um bilionário.
E, na ausência de herança ou outros meios de chegar a tanto, essa Mega da Virada apareceu em sua vida como um trampolim para esse objetivo.
A pergunta é: quanto tempo levaria até que esses R$ 350 milhões se transformassem em um R$ 1 bilhão?
Nenhum dos especialistas consultados pelo SD se dispôs a falar abertamente sobre esse exercício de futurologia. Afinal, são muitos os fatores a serem levados em conta.
Já sem os microfones ligados e com as devidas garantias de sigilo, o profissional que cuida da fortuna de clientes endinheirados de um dos grandes bancos brasileiros contou ao SD sobre o desempenho dos ativos de um deles.
“Ele tem R$ 400 milhões investidos. É um pouco mais do que o valor da Mega. É um cliente de perfil arrojado. O rendimento médio dele no último trimestre foi de um pouco mais de 1% ao mês”, disse o gerente.
Pelas contas dele, considerando-se um desempenho de carteira no mesmo ritmo desse cliente arrojado, partindo de R$ 350 milhões, seriam necessários pouco mais de 13 anos para que o ganhador da Mega da Virada chegue a R$ 1 bilhão.
Haveria dois problemas, entretanto:
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