Blockchain pode reduzir corrupção dos países, afirma Fórum Econômico Mundial
Esse tipo de armazenamento de informações é mais comum para as criptomoedas, mas elas podem ser utilizadas para outras finalidades

O desvio de dinheiro público é um fenômeno que ocorre em praticamente todos os países. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), cerca de US$ 1 trilhão é pago em subornos e cerca de US$ 2,6 trilhões são roubados devido à corrupção todos os anos.
Mas uma proposta do Fórum Econômico Mundial pode mudar esse cenário daqui para frente. De acordo com um relatório, divulgado no site da instituição, os governos podem diminuir os riscos de desvio de verbas se utilizarem blockchains para registrar suas ações.
O que são blockchains
As blockchains são sistemas seguros de armazenamento de informações. São elas que guardam e asseguram o valor das criptomoedas, como o bitcoin. Os blocos que compõem a rede que funcionam como “caixas de vidro”, permitindo que todos vejam o que tem dentro deles, mas impossível de serem alterados.
Ainda é possível seguir todas as transações feitas dentro da blockchain. Se você precisou alterar um dado ou inserir um novo, tudo fica registrado na cadeia de blocos. Foi assim que o FBI conseguiu resgatar os bitcoins roubados em um ataque ransomware.
Dessa forma, qualquer auditor, entidade filantrópica ou mesmo pessoa física poderia fiscalizar os gastos dos governos sem conseguir manipular as informações. O Fórum destaca ainda que seria possível agilizar e guardar diversos processos públicos, como transferências de bens e etc.
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O Fórum Econômico Mundial destaca que existem diversas formas de corrupção, e os desvios mais comuns ocorrem principalmente no encontro entre o agente público e instituições privadas. A blockchain permite registrar diversas ações, desde a licitação até o pagamento do projeto, tornando todo o processo mais transparente.
Acompanhamento de obras
Segundo um esquema feito pelo próprio Fórum, quatro etapas essenciais para a aprovação de qualquer projeto público devem ser otimizadas com o uso da blockchain. São elas: planejamento, licitação, avaliação abrangente e implementação e fiscalização.
Nas primeiras etapas, já seriam registrados tanto os objetivos do projeto quanto as empresas interessadas, juntamente com os orçamentos de cada uma. A terceira fase seria um detalhamento da escolha e passo a passo até a implementação e fiscalização das obras.
O comunicado do Fórum afirma que existem diversos pontos na negociação entre agentes públicos e empresas que permitem o desvio de dinheiro. Uma maior transparência do projeto deve colocar luz sobre eles e coibir ações do tipo. Além disso, os concorrentes também poderão fiscalizar uns aos outros, o que seria benéfico para os próximos acordos.
Outras aplicações
A publicação ressalta que a blockchain pode otimizar processos de regulamentação, como a compra de casas. No modelo tradicional, são necessárias cerca de 12 etapas até a conclusão de venda. Com criptografia, o processo teria 4 passos.
Um dos primeiros países que adotou o sistema foi a República da Geórgia, que realizou mais de 1,5 milhão de contratos por meio da blockchain em 2018.
Já disponível
É o caso da Colômbia, que está procurando desenvolver projetos em blockchain na cidade de Bogotá. Essa é uma das iniciativas mais proeminentes, junto com El Salvador e Paraguai, para levar essa tecnologia para o dia a dia das pessoas.
Vale lembrar que a adoção mais abrangente de blockchains em governos depende do andamento tecnológico de cada país, além da capacidade de monitorar o sistema. O Fórum destaca que reconhece a dificuldade mundial de desenvolver projetos com essa tecnologia, mas que ela pode ser uma alternativa ao desvio de recursos.
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