5 fatos sobre a nova variante do covid que derrubou os mercados nesta sexta
O anúncio de que uma nova variante do coronavírus surgiu na África do Sul fez com que os mercados internacionais desabassem; veja o que sabemos até agora

Classificada como preocupante, uma nova variante do coronavírus foi encontrada na África do Sul. A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu o nome de Omicron para a cepa B.1.1.529. A descoberta trouxe temores ao redor do mundo, e os mercados despencaram.
No Brasil, o Ibovespa fechou o dia em queda de 3,39%, aos 102.224 pontos. O petróleo foi uma das vítimas do dia. O barril do WTI despencou 12,63%, fechando a US$ 68,89, enquanto o Brent desabou 11,32%, fechando a US$ 72,91.
As ações que se apoiavam na ‘tese de reabertura’ também sofreram. As companhias aéreas e de turismo - que estão entre as mais afetadas pelas restrições de mobilidade e fechamento de fronteiras - dominaram a ponta negativa do Ibovespa. As ações da Gol (GOLL4), por exemplo, amargaram queda de 11,81%, enquanto as da CVC (CVCB3) fecharam em queda forte de 11,06%.
Governos em todo mundo começam a banir viajantes da África do Sul e países vizinhos. Com informações da Bloomberg, separamos 5 fatos que sabemos até agora sobre a nova variante:
1. O que a Omicron tem de diferente?
De acordo com cientistas, ela carrega um grande número de mutações em sua proteína spike, que desempenha um papel fundamental na entrada do vírus nas células do corpo.
É também o alvo das vacinas. Os pesquisadores ainda estão tentando determinar se ela é mais transmissível ou mais letal do que as cepas anteriores.
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A Pfizer também vai testar se sua vacina é eficaz contra a Omicron, e deve ter a resposta em até duas semanas. A boa notícia é que a farmacêutica e sua parceira BioNTech têm se preparado para adaptar seu imunizante em menos de seis semanas caso apareça uma variante resistente ao produto. A entrega das primeiras doses ajustadas, conforme as empresas, poderia ser feito em cerca de cem dias.
2. Como ela surgiu?
Até agora, só há especulação. Pesquisadores do Instituto de Genética de Londres afirmam que, provavelmente, evoluiu durante uma infecção crônica de uma pessoa imunocomprometida, possivelmente em um paciente com HIV não tratado.
A África do Sul tem 8,2 milhões de pessoas infectadas com o vírus causador da AIDS, a maior porcentagem do mundo. A variante beta, uma mutação identificada no ano passado naquele país, também pode ter vindo de uma pessoa infectada pelo HIV.
3. Até onde ela já chegou?
Os primeiros resultados do teste de PCR mostraram que 90% dos 1.100 novos casos relatados nesta quarta-feira (24), na província sul-africana que inclui Joanesburgo, foram causados pela nova variante.
Em Hong Kong, descobriu-se que um viajante da África do Sul tinha a variante, e outro caso foi identificado em uma pessoa colocada em quarentena em um quarto de hotel do outro lado do corredor.
Israel também identificou um caso em um homem que viajou recentemente para o Malaui. Bélgica também disse que havia confirmado um caso de uma nova variante do Covid-19 em alguém que viajou do exterior.
4. Como os países estão respondendo?
O Reino Unido proibiu temporariamente voos de seis países africanos, e outros seguiram o exemplo.
Cingapura está restringindo a entrada de pessoas que estiveram na África do Sul e países vizinhos nos últimos 14 dias, enquanto a União Europeia propôs aos países membros suspender as viagens aéreas do sul da África.
A Austrália disse que não descartaria o endurecimento das regras de fronteira para viajantes do sul da África se a situação piorar, enquanto a Índia intensificou a triagem de viajantes vindos da África do Sul, da Botsuana e de Hong Kong. No Brasil, Bolsonaro afirmou que irá responder “racionalmente”.
O Ministro da Saúde da África do Sul, Joe Phaahla, disse que novas proibições de viagens impostas ao país, especialmente pela UE, eram "injustificadas".
5. Quão preocupante ela é?
É muito cedo para dizer. A OMS disse que a variante “foi detectada em taxas mais rápidas do que surtos de infecção anteriores, sugerindo que essa variante pode ter uma vantagem de crescimento”.
No entanto, a organização também observou que há menos de 100 sequências genômicas completas da nova cepa disponíveis, o que pode aumentar o tempo que leva para estudar como ela se compara às cepas anteriores e seu impacto nas terapias e vacinas da Covid.
Os vírus sofrem mutações o tempo todo, com as mudanças às vezes tornando o vírus mais fraco ou tornando-o mais hábil na fuga de anticorpos ao infectar humanos.
As vacinas da Covid mostraram que são eficazes contra variantes anteriores, e as pílulas em desenvolvimento pela Merck e pela Pfizer também podem fornecer novos tratamentos.
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