🔴 AS CRIPTOMOEDAS CERTAS PODEM TRANSFORMAR R$ 1 MIL EM ATÉ R$ 214 MIL – ENTENDA AQUI

Conteúdos exclusivos da Empiricus

Parceria Seu Dinheiro e Empiricus:

Salve suas matérias favoritas do Seu Dinheiro criando uma conta gratuita na Empiricus.

E tem mais: ao criar sua conta gratuita, você ganha acesso a um universo de conteúdos que vai muito além das notícias.

Relatórios, cursos, podcasts, newsletters e estratégias de investimento para transformar informação em melhores decisões.

Minha utopia brasileira

A caravana da corte portuguesa, falida, dependente do erário e dos favores do príncipe regente, tinha o tamanho da máquina burocrática americana.

Xadrez Brasil
Imagem: Shutterstock

“O Dom João que chegou ao Brasil em 1808 usaria para governar outro atributo fortíssimo da Monarquia: o da imagem do rei benigno, que tudo provê e de todos cuida e protege. Dom João passaria à história como um monarca bonachão, sossegado e paternal, que recebia pacientemente seus súditos no Palácio de São Cristóvão para o ritual de beija-mão. (..) A corte e o poder real fascinavam-se como uma verdadeira atração messiânica, era a esperança do socorro de um pai que vem curar as feridas dos filhos.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Leia também:

Esse é um trecho do livro “1808”, de Laurentino Gomes, que narra a chegada da família real portuguesa ao Brasil, como forma de escapar das guerras napoleônicas em meio ao bloqueio continental. Entre 10 mil e 15 mil portugueses atravessaram o Atlântico com Dom João — é aproximadamente o mesmo número de pessoas transferidas para Washington, a nova capital, pelo presidente americano John Adams. A caravana da corte portuguesa, falida, dependente do erário e dos favores do príncipe regente, tinha o tamanho da máquina burocrática americana.

Como resumiu o historiador John Armitage, “um enxame de aventureiros, necessitados e sem princípios acompanhou a família real. (…) os novos hóspedes pouco se interessavam pela prosperidade do país: consideravam temporária sua ausência de Portugal e propunham-se mais a enriquecer à custa do Estado do que a administrar justiça ou a beneficiar o público”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o historiador Luiz Felipe Alencastro, naquele tempo, além da família real, 276 fidalgos e dignatários régios recebiam verba anual de custeio e representação, paga em moedas de ouro e prata retiradas do Tesouro Real do Rio de Janeiro. Havia cerca de 2.000 funcionários reais e indivíduos exercendo funções relacionadas à Coroa, 700 padres, 500 advogados, 200 praticantes de medicina e entre 4.000 e 5.000 militares. O cônsul inglês James Henderson resumiu bem a questão: “poucas cortes europeias têm tantas pessoas ligadas a ela quanto a brasileira, incluindo fidalgos, eclesiásticos e oficiais”.

Leia Também

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O ESG na análise de risco, o impacto das eleições na Petrobras (PETR4) e o que mais move o mercado hoje

SEXTOU COM O RUY

Por que você deveria ter Petrobras (PETR4) na carteira — independentemente de quem ganhar as eleições? 

A chegada da corte portuguesa marca, basicamente, o início de um processo de transformação que culminaria na superação do Brasil-colônia para sua independência em 1822. Foi um período de muita mudança e modernização. A forma, porém, da apropriação de elementos da cultura europeia e a maneira da constituição da nossa elite mostram a dependência do Estado, as relações de dependência dos “amigos do rei”. Em bom “brasileiro”, as famosas mamadas nas tetas do Estado. 

A elite brasileira nasceu e cresceu sem erudição, profundidade intelectual e capacidade empreendedora, escorando-se nos favores da realeza para se sustentar e expandir. Era uma situação bem diferente daquela observada nos EUA, onde floresceu uma classe alfabetizada, habituada a decisões comunitárias e informada sobre as fronteiras do conhecimento e as invenções do mundo, disposta à atividade empreendedora e acostumada com a assunção de riscos.

Até aí, sejamos sinceros, nenhuma novidade. Mais papo de historiador do que de economista. Mas encontrar raízes históricas ajuda a entender o presente e, quem sabe, projetar o futuro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na natureza da sociedade brasileira, não se encontra a disposição ao risco, ao novo, ao desconhecido, ao empreendedorismo. Estamos, desde o começo, deitados em berço esplêndido, no colo do pai português bonachão e benevolente ou nos braços do Estado.

Talvez isso até poderia ser uma explicação antropológica para nossas taxas de juro historicamente tão altas. Para toparmos o financiamento público, precisamos ser remunerados agressivamente. Claro que não é a única justificativa. O passado de muita inflação e as dúvidas sobre a capacidade de o Estado honrar seus compromissos financeiros futuros diante da nossa trajetória fiscal estão entre as principais. Mas, pensando bem, não seria a mesma coisa? O Estado gasta muito e gera dúvidas sobre sua capacidade de financiamento; ao mesmo tempo, com seus gastos perdulários, alimenta uma sociedade muito dependente dos favores do Estado, num círculo vicioso aparentemente inquebrável.

Eis que agora, porém, os juros estão baixos. E por mais que devam subir em 2021, continuarão baixos na comparação com os níveis históricos. As pessoas, para não terem seu patrimônio corroído em termos reais e poderem preservar poder de compra, precisarão, cada vez mais, investir em ativos fora da renda fixa convencional. Por bem ou por mal, precisarão lidar com o risco. E não há melhor forma de aprender e conviver com algo a partir da própria convivência com esse algo. Como se aprende a andar de bicicleta? Como se aprende a cozinhar?

Os otimistas acreditam que o juro baixo vai revolucionar o mercado de capitais brasileiro, fazendo com que as pessoas passem a aumentar o duration de suas aplicações em renda fixa, a ter uma poupança de longo prazo grande em ações e a diversificar geograficamente e entre moedas seus investimentos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Eu concordo com isso, mas tenho uma perspectiva ainda mais ambiciosa: o “financial deepening” como instrumento de transformação de toda a sociedade brasileira, em que passamos a entender que a vida não é de não se correr risco, de termos de nos escorar na segurança, mas, sim, de saber ponderar entre risco e retorno. Isso seria ainda mais transformacional, de entendermos que podemos mudar de emprego, mudar de cidade, mudar de opinião… conhecer o novo, empreender, romper relações destrutivas, abraçar um teste sem necessariamente saber seu resultado, calibrando a perda potencial.

Talvez seja uma utopia. A verdade, porém, é que, enquanto não tivermos a propriedade de conviver com o risco e a romper com o paternalismo, jamais conseguiremos caminhar efetivamente com as nossas próprias pernas. O Brasil do financial deepening pode ser de uma sociedade finalmente independente, mais confiante em si e na capacidade de conviver com a incerteza e o risco. Será somente um sonho?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
29 de setembro de 2026 - 8:17
eleições urna eletrônica 29 de setembro de 2026 - 7:10

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Eleição: o voto útil entrou na curva

29 de setembro de 2026 - 7:10
28 de setembro de 2026 - 8:09
Montagem que traz um fundo de gráficos de ações. Do lado direito, uma lupa e dentro da lupa, urna eletrônica 25 de setembro de 2026 - 7:10
24 de setembro de 2026 - 8:18
Dólar diante de uma bandeira do Brasil e um gráfico da bolsa de valores 23 de setembro de 2026 - 20:00
23 de setembro de 2026 - 8:30
Montagem de um leão deitado sobre pilhas de moedas, representando os títulos isentos de Imposto de Renda 23 de setembro de 2026 - 7:05
Imagem gerada por inteligência artificial mostra fantasmas ao redor de um cofre público, cheio de notas de real, sacos de dinheiro e pilhas de moedas 22 de setembro de 2026 - 8:38
Presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, apertam as mãos após encontro na Coreia do Sul 22 de setembro de 2026 - 7:48
Fachada de uma agência do Bradesco com arquitetura moderna, destacando painéis vermelhos e brancos, logotipos do banco em ambas as laterais do prédio, amplas paredes de vidro na entrada, corrimãos de acessibilidade e paisagismo com árvores e arbustos ao redor. 21 de setembro de 2026 - 8:15
18 de setembro de 2026 - 8:11
vale vale3 18 de setembro de 2026 - 7:20
Imagem mostra duas pessoas, vestindo macacões amarelos, em um barquinho no meio de uma tempestade no mar. É possível ver ondas altas, nuvens escuras e relâmpagos. A pessoa à frente está com binóculos, olhando para a frente 17 de setembro de 2026 - 8:21
Imagem gerada por inteligência artificial de uma tempestade com raios e nuvens escuras ao redor do banco central em Brasília 16 de setembro de 2026 - 8:22
15 de setembro de 2026 - 8:22
acoes-ibovespa-bolsa-brasil-eua 15 de setembro de 2026 - 7:04

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

Na Super Quarta, um banco sobe e outro corta

15 de setembro de 2026 - 7:04
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar