Halo Effect: Bolsonaro, um anjinho
Na Day One de hoje: Felipe Miranda comenta sobre a importância da ausência de ideologia na análise de ativos.

Chimamanda Ngozi Adichie tem um dos vídeos mais visualizados do programa Ted Talks. A aparição é de 2009 e tem cerca de 20 milhões de visualizações. “O perigo de uma história única” virou livro e tudo mais. O tema central é a origem do preconceito.
Formamos nossas ideias e opiniões com base em informação muito restrita. Sabemos pouco de uma pessoa, mas já estamos prontos a criticá-la. Lemos meia dúzia de notícias sobre a China, sem nunca termos pisado lá, e estamos convictos de que o vírus foi criado (ou não) em laboratório. Entre tantas outras coisas que achamos que sabemos sobre a China…
O conhecimento é construído a partir de histórias com as quais entramos em contato. Se só conhecemos uma narrativa, estamos condenados a formar uma opinião pautados exclusivamente nela, sem nenhuma garantia de que seja verdadeira ou não enviesada. É o perigo da história única.
Quanto mais diverso e plural for nosso conhecimento sobre um determinado tema, mais chances temos de estar próximos à verdade, eliminando preconceitos. A diversificação da fonte de conhecimento e a cautela ao ouvir somente uma versão da história constroem pontes na direção de uma compreensão mais completa.
A palestra de Chimamanda poderia ser um artigo de Finanças Comportamentais. “O perigo da história única” é a versão literária do “Halo Effect”. O termo é atribuído a Edward Thorndike e se refere à transposição de uma característica particular para uma avaliação geral. Se você vê uma pessoa simpática, conclui que ela é honesta e inteligente, por exemplo. Na verdade, pode ser, pode não ser. Não há qualquer comprovação científica de correlação entre simpatia e honestidade.
Leia Também
O risco do aluguel atrasado, o candidato favorito do mercado e os preços do petróleo: o que mexe com a bolsa hoje
Rodolfo Amstalden: Não acorde pelado depois do 1º turno
A ideia do “halo” (auréola) vem da imagem do anjo. Você vê um ser encantado por um feixe de luz (um atributo qualquer) e conclui se tratar de um anjo (avaliação geral positiva).
O governo Bolsonaro sofre do efeito Halo. O presidente falou e fez uma série de bobagens. Também não tenho simpatia pessoal alguma por ele ou por qualquer político, tampouco gostaria de tê-lo como genro. Mas não estamos aqui atrás de um marido para a Maria. Precisamos ser analíticos em nossas avaliações.
Os erros concretos e narrativos do presidente, infelizmente, acabam escondendo uma série de conquistas. Uma pena. A sequência negativa impede que se veja sem viés, contamina todo o resto.
Há consequências objetivas dessa dinâmica para nosso escopo de avaliação: os ativos brasileiros ficam mais depreciados do que deveriam quando comparados à realidade objetiva, pois a percepção sobre a realidade objetiva fica distorcida.
Veja só. Acaba de sair o PIB brasileiro. Crescimento na margem de 0,96%. Acima do esperado. Consenso era de 0,7%. A expansão da economia tem vindo além das expectativas e cada empresa com que você conversa fala do ritmo vigoroso da recuperação. Você vai ver o que será o resultado das empresas de varejo de moda no segundo trimestre, por exemplo.
Os dados fiscais brasileiros sistematicamente mostram um desempenho muito menos grave do que aquele pintado há um ano. Os economistas berravam em coro sobre o iminente estouro da relação dívida/PIB brasileira. Bateríamos os 100% inevitavelmente e iríamos embora, numa trajetória não convergente. Hoje, é possível, para não dizer provável, que encerremos o ano abaixo de 85%. Pouco se fala a respeito.
Não quero, com isso, minimizar o problema fiscal brasileiro. Ele continua existindo, é grave e merece total atenção. Não podemos tergiversar. Mas também não é a tragédia pintada lá atrás. Todos nós precisamos fazer esse mea-culpa e ajustar. Não por conta dos erros do passado imperdoáveis. Eles fazem parte do processo. Mas porque precisamos recalibrar sempre nossas posições pensando no futuro. O passado não se muda. O futuro pode ser diferente. E ele será tanto melhor quanto mais próximos estivermos da verdade.
Esses são apenas dois elementos. Há vários outros muito positivos, sobre os quais não se fala, porque há essa história única de que nada no governo Bolsonaro presta. Não é verdade que temos um mito à frente do Poder Executivo. Como também não é verdade que tudo seja uma porcaria.
Observe o gráfico abaixo. Ele mostra a participação crescente do capital privado no governo Bolsonaro — isso era uns 35% na administração petista. Essa é uma conquista enorme, porque representa ganho de produtividade na veia (e isso é crescimento estrutural) e menos espaço para corrupção. Por que ninguém fala disso?

Essa menor participação do Estado na Economia é muito bem-vinda e, infelizmente, negligenciada. Conforme lembrou recentemente Mansueto Almeida, desde a Constituição de 1988, todos os presidentes da República deixaram o Palácio do Planalto com mais gastos públicos sobre o PIB do que encontraram ao chegar. Pela primeira vez, teremos esse ciclo interrompido. Esse é um marco do governo Bolsonaro.
Num mandato ainda em curso, foram aprovadas: PEC da Previdência, PEC Emergencial, Nova Lei do Gás, nova lei de falências, nova lei do saneamento, privatização da Cedae, privatização da Eletrobras na Câmara, Banco Central independente, e caminhamos com a reforma administrativa.
Já há bons economistas projetando um crescimento de 5% do PIB neste ano.
Respeito se você for gado ou mortadela, bolsominion ou lulista. Na verdade, não importa. Análise de ativos deve ser feita sem ideologia. A minha aponta para uma bela melhora do kit Brasil nos próximos poucos meses.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A nova estratégia do Inter, segundo seu CEO, o novo impasse entre EUA e Irã e o que mais move os mercados hoje
28 de setembro de 2026 - 8:09DÉCIMO ANDAR
O desconto dos FIIs de shopping conta toda a história? Entenda os riscos e veja um fundo imobiliário do segmento para investir agora
27 de setembro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Qual será o novo imposto sobre bens e serviços, a carteira de ações para as eleições e as conversas entre EUA, Irã e China: o que move o mercado hoje
25 de setembro de 2026 - 8:15SEXTOU COM O RUY
Quer saber como construir uma carteira preparada para as eleições? É mais fácil do que você imagina
25 de setembro de 2026 - 7:10O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O sumiço das LCIs e LCAs com rendimentos de 95% a 100% do CDI, a nova guerra do mercado automotivo e o que mais ler hoje
24 de setembro de 2026 - 8:18EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Dólar x real — tem mais ainda para colhermos no câmbio
23 de setembro de 2026 - 20:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Tubarões saem dos FIIs, o título que ainda paga IPCA+ 14% ao ano, o acordo entre Trump e Irã: o que move o mercado hoje
23 de setembro de 2026 - 8:30AINDA TEM DESCONTO
Saudade do Tesouro IPCA+ 8%? Este investimento ainda oferece até IPCA+ 14% — com isenção de imposto de renda
23 de setembro de 2026 - 7:05O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O fantasma que assombra as eleições e as contas públicas, a reunião entre EUA e China e o que mais move o mercado hoje
22 de setembro de 2026 - 8:38INSIGHTS ASSIMÉTRICOS
Dois gigantes à mesa, um mundo em combustão: o que está em jogo no encontro entre Trump e Xi Jinping
22 de setembro de 2026 - 7:48O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O que o Bradesco fará com R$ 10 bilhões na conta e como resolver o buraco fiscal em 4 passos: o que ler hoje
21 de setembro de 2026 - 8:15PLANO A
Se você quer investir para o longo prazo, esta é a pergunta que deve se fazer antes das suas escolhas
20 de setembro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O pote de ouro da Vivara (VIVA3), o que fazer com a ação da Vale (VALE3), e o que move os mercados hoje
18 de setembro de 2026 - 8:11SEXTOU COM O RUY
Vale (VALE3) escapa do jogo de “vida ou morte” — mas você sabe o que fazer com as ações agora?
18 de setembro de 2026 - 7:20O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A nova estratégia da XP Asset, o risco de o Brasil quebrar, o corte na Selic: o que afeta os mercados hoje
17 de setembro de 2026 - 8:21O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A tempestade sobre o Banco Central e o Fed, a crise no STF e o que mais move os mercados hoje
16 de setembro de 2026 - 8:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
As PMEs na disputa com gigantes no marketplace, o sobe e desce dos juros no Brasil e nos EUA e o que mais move os mercados
15 de setembro de 2026 - 8:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como os grandes investidores buscam ganhar com o trade eleitoral, o império de bolos de R$ 800 milhões, e a última pesquisa eleitoral: o que ler hoje
14 de setembro de 2026 - 8:06TRILHAS DE CARREIRA