Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

É preciso ficar atento em momentos de pânico: as duas empresas que o mercado está deixando passar

O “buy and hold” é muitas vezes interpretado como um casamento feudal inquebrável, quando, na verdade, divórcios são permitidos e, mais do que isso, muitas vezes desejáveis

2 de agosto de 2021
10:48 - atualizado às 19:05
Imagem: Shutterstock

O camarada que toma duas trombadas de três num mesmo final de semana precisa dar uma organizada nas ideias. Ainda sem Renato Augusto e Giuliano, a derrota pro Flamengo já era esperada, admito. Mas a sangria de 3% do Ibovespa no último dia de julho teve requintes de crueldade. Foi uma somatória de fatores: medo da regulação chinesa, desconforto com o resultado da Amazon, preocupação com o Bolsa Família fora do teto de gastos e pedaladas fiscais com os precatórios — dois governos Dilma já bastam, né? Perder de três também, aí já seria demais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Hoje, os mercados esboçam recuperação, numa caça clássica às barganhas. Para mim, é assim mesmo que deve ser.

Muito se fala sobre o “buy and hold”. Virou até descolado e inteligentão se colocar como investidor de longo prazo, aquele que “compra ações para dez anos e esquece”. Passa um ar de superioridade intelectual e serenidade, como se o sujeito não ligasse para variações mundanas típicas da volatilidade.

Vejo uma distorção na ideia original, ao menos se a entendermos dentro do escopo clássico do value investing. Você compra e segura uma ação não porque deve esquecê-la dentro do seu portfólio para sempre, como se adotasse uma postura ativa somente no ato da compra, tornando-se passivo posteriormente, carregando indefinidamente a ação como se sua realidade objetiva não mais importasse ou merecesse atenção.

No ato da compra, você deve comparar preço (a cotação da tela) com o valor intrínseco estimado para aquela companhia (soma dos fluxos de caixa estimados de hoje até o futuro, trazidos a valor presente por uma taxa de desconto apropriada, ou alguma análise relativa que indique preços atrativos por múltiplos). Mas você também deve fazê-lo no dia seguinte. E no outro. E em todos os demais dias da sua vida de investidor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Você compra e segura porque normalmente leva tempo para que a assimetria de informação hoje presente e fonte original da distorção entre preço e valor seja resolvida. À medida que novas informações sobre a respectiva empresa vão chegando e/ou que ela execute seu business plan, o mercado vai percebendo o valor mais alto do negócio. E se o negócio vai bem, a ação tende a seguir, como ensina Buffett. Isso leva tempo.

Leia Também

Ocorre, porém, que qualquer comparação entre preço e valor intrínseco requer uma postura ativa e dinâmica. Como ambos mudam a todo momento, você precisa sempre revisitá-los. Você compra com a intenção de segurar, mas, se o preço sobe muito e se aproxima do valor intrínseco, deve vender, ainda que isso aconteça muito rápido. Analogamente, se você compra com a intenção de segurar e o valor intrínseco piora muito, sem que o preço tenha acompanhado essa deterioração de fundamentos, você também deve vender.

Do mesmo modo, se o preço piora muito (fica mais barato) e o valor intrínseco está razoavelmente inalterado, o que você faz? Em tese, você deveria comprar mais. É exatamente isso que entendo que as pessoas deveriam fazer hoje. 

E como somos, para além da retórica, verdadeiramente talebianos, sabemos que uma opinião sem exposição vale zero. “Não me diga o que eu devo fazer com meu portfólio. Me diga o que você está fazendo com o seu.” Eu estou comprando mais. Com a transparência de sempre, reporto meu mais recente aporte no fundo Vitreo Oportunidades de Uma vida, cujo objetivo é perseguir a carteira de ações indicada na série Palavra do Estrategista. Por questões de privacidade, borrei o nome do meu fundo exclusivo; peço desculpas por isso, mas espero que entenda: 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Volto ao “buy and hold” e suas desprezadas nuances.

É verdade que, durante um bull market, você ganha mais dinheiro no “hold” do que no “buy”. Qualquer coisa que você compra sobe. Então, importa mais a capacidade de esperar do que propriamente a decisão sobre o que adquirir.

Claro que a autoavaliação de seres narcísicos vai sempre atribuir o mérito para a capacidade individual de escolher ações. Mas sabemos: era apenas a maré subindo como um todo.

Agora, quando estamos num mercado mais de lado, volátil ou em queda, não podemos apenas esperar e carregar. Se falta beta (sistêmico ajudando), havemos de recorrer ao alfa (superação dos benchmarks), e isso necessariamente vai exigir boas escolhas, tanto de preços de entrada e reforços de posição, quanto de ações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Outro ponto pouco comentado sobre o “buy and hold” nas insuportáveis rodas de conversa sobre investimentos se refere ao fato de que, em algumas situações, pode ser racional vender uma determinada ação ainda que nada tenha acontecido com ela.

Se você tem uma determinada carteira de ações, mas surge uma nova oportunidade mais atraente do que a sua, o certo seria ir em direção a esse novo ativo. Como sua carteira precisa somar 100% ou, mesmo que você se alavanque, há limites para o endividamento, o investimento sempre será uma decisão relativa. Você pode ter uma boa ação na carteira, mas decidir vendê-la porque apareceu outra melhor.

O “buy and hold” é muitas vezes interpretado como um casamento feudal inquebrável, quando, na verdade, divórcios são permitidos e, mais do que isso, muitas vezes desejáveis, porque apareceu uma novinha mais bacana. Calma. A prescrição é válida somente para investimentos.

Em situações de pânico como as de sexta-feira ou em mercados sem muito comprador marginal, aparecem distorções muito gritantes. Como se discutíssemos filigranas irrelevantes enquanto passam elefantes voando na nossa frente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há duas ações neste momento com cara de Dumbo. Existem várias dúvidas pertinentes no ar. Muitas situações complexas. Se você me perguntasse se a inflação nos EUA é persistente ou transitória, se o volume de quantitative easing vai ter consequências sérias ou não, se os valuations de algumas techs farão sentido quando e se os juros subirem, se o Brasil vai abandonar sua âncora fiscal, a resposta mais honesta que eu poderia dar seria: eu não sei. Temos de monitorar dia a dia. Gestão de recursos é isso.

Agora, quando vejo uma empresa boa, barata e crescendo, com bom management, eu compro, com razoável nível de convicção.

Os dois elefantes voando na minha frente são Direcional Engenharia e WDC Networks.

A primeira tem apresentado resultados simplesmente espetaculares, surpreendendo o mercado com lançamentos, vendas contratadas e margens. Riva mostra um ramp-up da operação muito superior ao que qualquer um poderia esperar. Analistas têm trabalhado com projeções de margem bruta de 34-35%, sendo que, na minha opinião, isso vem mais para 37-38% no segundo trimestre e sem sinal de queda iminente. A empresa deve lançar R$ 1 bilhão (R$ 1 bi!) no terceiro trimestre, com condições de fazer R$ 3 bilhões em 2022. Roda a 6 vezes lucros para 2022, com um ROE superior a 20%, pagando dividendos de dois dígitos, sob um management impecável.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A segunda deu azar de fazer um IPO encaixotado em vários outros. Como era um deal pequeno, com incentivo fiscal e muito centrado na figura do Vanderlei, o mercado praticamente deixou passar. Ninguém olhou direito e foi forçado um valuation muito barato. Azar de uns, sorte de outros, daqueles que podem comprar barato. Negociando a 10 vezes lucros para 2022 e com esse crescimento, parece ótima combinação de risco-retorno.

Essa, pra mim, é a essência do buy and hold.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia