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2021-09-05T18:04:50-03:00
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo
Fechamento dos mercados

Ibovespa fecha em forte queda com tributação de dividendos e derrota do governo em minirreforma trabalhista

As surpresas vindas de Brasília acontecem em um momento de grande instabilidade política e dados econômicos ruins, o que ajudou a derrubar o Ibovespa

2 de setembro de 2021
17:46 - atualizado às 18:04
Montagem mostra sede da bolsa com placa de contramão
Mercado local novamente se descolou do bom momento das bolsas no exterior Imagem: Shutterstock, com intervenção de Andrei Morais

A aprovação do texto base da reforma do Imposto de Renda na madrugada de ontem (1º) pegou os investidores no contrapé. A votação na Câmara e a derrota do governo na proposta da "minirreforma trabalhista" no Senado pesaram no Ibovespa, que novamente se descolou do bom momento das bolsas no exterior.

O principal índice da B3 fechou em forte queda 2,28%, aos 116.677 pontos, em reação à medida que acaba com a isenção de imposto de renda na distribuição de dividendos pelas empresas da bolsa. O dólar à vista, que chegou a operar em queda, reduziu as perdas e encerrou o dia em leve baixa de 0,03%, cotado a R$ 5,1832.

As surpresas vindas de Brasília acontecem em um momento de grande instabilidade política. Existe uma expectativa para o que vai acontecer no feriado dia 7 de setembro, quando estão marcadas manifestações em todo o país.

Como se não bastasse, os indicadores decepcionantes da economia brasileira acabaram colocando um ponto de interrogação no processo de retomada da crise com a pandemia da covid-19.

Depois da queda de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, hoje foi dia da produção industrial decepcionar. O indicador caiu 1,3% em julho no comparativo mensal, mas a mediana das expectativas apontava para uma queda de 0,7%, de acordo com o Broadcast.

Com tantas cascas de banana no caminho, a palavra de ordem é diminuir a exposição a ativos de risco, como a bolsa.

Imposto de Renda relâmpago (e indigesto)

A aprovação-relâmpago da reforma do Imposto de Renda deu o que falar. A Câmara concluiu a votação na tarde de hoje, com o destaque que reduz a alíquota da taxação de dividendos de 20% para 15%. Mas a tributação menor não foi o suficiente para diminuir o mau humor dos investidores. Confira outros pontos da proposta:

  • Corte de 7 pontos percentuais na alíquota do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ);
  • Redução de 1 ponto percentual na alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), mas a queda está condicionada à revogação do PIS/PASEP e da Cofins;
  • Fim dos Juros sobre Capital Próprio (JCP);
  • Aumento de 4% para 5% da alíquota sobre matérias-primas como ferro, cobre, bauxita, ouro, manganês, caulim e níquel, incluindo nióbio e lítio no rol dos minérios tributáveis pela Compensação Financeira por Exploração Mineral (CFEM);
  • Para Pessoa Física, a faixa de isenção sobe de R$ 1.903,98 por mês para R$ 2.500,00 por mês e ajustes nas demais faixas de renda, o que deve beneficiar 30 milhões de contribuintes.

As ações das empresas pagadoras de dividendos — como os grandes bancos e as companhias do setor elétrico — foram duramente castigadas. Mas a queda da bolsa foi generalizada hoje. Apenas três ações do Ibovespa fecharam em alta — Assaí (ASAI3), Engie (EGIE3) e PetroRio (PRIO3).

O texto da reforma do IR ainda precisa passar pelo Senado. E veio justamente do Senado a outra razão para o dia terrível no mercado de ações, com a rejeição do projeto de minirreforma trabalhista proposto pelo governo.

A proposta tinha como principal objetivo viabilizar a contratação para jovens, mas foi criticada por incluir um programa para a contratação sem direito a benefícios, como férias, 13º salário e FGTS.

Além disso, o Senado derrubou uma resolução do governo que desmontava regras que estabeleciam limites para gastos com planos de saúde em estatais federais. Na prática, a decisão pode inviabilizar a privatização dos Correios.

Para Marcel Andrade, head de renda variável da Vitreo, a derrota do governo no Senado é um sinal de alerta e mostra que a base montada é insuficiente para a aprovação de alguns temas importantes, o que coloca em dúvida o avanço de outras reformas.

Confira os principais destaques do noticiário corporativo:

Enquanto isso em Nova York...

No exterior, as bolsas encontraram mais fôlego para subir nesta quinta-feira. O S&P 500 e o Nasdaq voltaram a renovar os recordes históricos após o Departamento do Trabalho americano mostrar uma nova queda nos pedidos de auxílio-desemprego. Os investidores agora aguardam o dado mais importante da semana: o relatório de emprego do mês de agosto, o payroll. 

Os números do mercado:

  • Ibovespa: 116.677 pontos (-2,28%)
  • Dólar comercial: R$ 5,1832 (-0,03%)
  • Bitcoin: R$ 255.992 (+2,27%) às 17h15

Ibovespa - maiores altas:

CÓDIGONome Cotação (R$)VAR
ASAI3ASSAI ON NM             17,542,99%
EGIE3ENGIE BRASILON NM             39,081,03%
PRIO3PETRORIO ON NM             18,770,75%
SBSP3SABESP ON NM             36,490,08%

Ibovespa - maiores quedas:

CÓDIGONome Cotação (R$)VAR
CIEL3CIELO ON NM                2,60-6,47%
VIIA3VIA ON NM                9,64-6,13%
LAME4LOJAS AMERICPN N1                5,78-5,86%
SANB11SANTANDER BRUNT             39,48-5,23%
ELET3ELETROBRAS ON N1             36,75-4,99%
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