Problemas na China minam apetite por risco dos mercados globais e pressionam o dólar, mas Ibovespa fecha a semana em alta de 1,65%
O alívio dos mercados com a gigante chinesa durou pouco, e o Ibovespa voltou a fechar o dia no vermelho

Ainda que as perdas registradas nesta sexta-feira (24) tenham sido mais modestas do que as da última segunda-feira (20), a semana termina da mesma forma que começou — com os olhares do mundo voltados para a China.
Os analistas e especialistas diminuíram as apostas de que uma eventual falência da incorporadora chinesa Evergrande possa se transformar em uma repetição da crise financeira de 2008, mas as incertezas e o impacto do evento na segunda maior economia do mundo ainda geram cautela.
O banco central chinês vem injetando bilhões de dólares na economia para tentar animar o mercado e segurar a onda de pânico, mas a notícia de que a companhia não honrou o pagamento de juros das suas dívidas que venciam nesta quinta-feira voltou a pressionar o mercado.
Marcel Andrade, head de renda variável da Vitreo, diz que ninguém aposta mais em uma quebra de empresas generalizada, mas o governo chinês é muito imprevisível e não dá para ter certeza sobre até onde está disposto a ir para salvar a incorporadora. Com a incerteza em alta, a busca foi por proteção, o que levou o dólar à vista a acumular uma alta de 1,17% na semana.
No cenário doméstico, hoje também tivemos notícias pouco animadoras. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, acelerou 1,14% em setembro, na maior elevação para o mês desde 1994 e acumulando uma alta superior a 10% nos últimos 12 meses.
O saldo da semana foi positivo para o Ibovespa, que avançou 1,65%, mas a sexta-feira interrompeu uma sequência de três altas. O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,69%, aos 113.282 pontos. O dólar à vista teve alta de 0,64%, a R$ 5,3438.
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Uma solução para a questão dos precatórios parece encaminhada, mas a mais nova aceleração da inflação voltou a colocar pressão sobre os juros futuros, que também passam por ajustes pós-Copom.
O movimento de alta também teve fatores externos. Com a redução de estímulos sinalizada e projeções dos próprios dirigentes do Fed apontando para uma elevação de juros já em 2022, os principais contratos de DI seguiram o movimento das taxas americanas. Confira:
- Janeiro de 2022: de 7,10% para 7,14%.
- Janeiro de 2023: de 8,93% para 8,96%
- Janeiro de 2025: de 9,98% para 10,03%
- Janeiro de 2027: de 10,38% para 10,42%
Veja alguns dos destaques do noticiário corporativo desta sexta-feira (24):
- Seguindo os passos do Magazine Luiza, o Carrefour lançou um programa destinado a desenvolver carreira de profissionais negros;
- E a Hapvida (HAPV3) venceu a SulAmérica (SULA11) na disputa pela HB Saúde.
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Apontando o elefante na sala
Embora o assunto esteja caminhando mais lentamente do que foi sinalizado na terça-feira (21), a indicação de que os Poderes irão encaminhar uma saída para o impasse dos precatórios ajudou o Ibovespa a terminar a semana com saldo positivo.
Os líderes do Legislativo, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, se reuniram com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para dar andamento a uma das principais pedras no sapato da saúde fiscal brasileira. Uma comissão já foi formada para encaminhar o tema. A proposta costurada entre os líderes tem como objetivo respeitar o teto de gastos.
Dos R$ 89 bilhões previstos no Orçamento para pagamento dos precatórios, quase metade do saldo restante seria pago em 2023 e não mais parcelado, como a ideia original propunha e que dava margem para uma possível pedalada fiscal ou até mesmo um calote, o que poderia tirar credibilidade dos investidores brasileiros.
A Super quarta
Na quarta-feira tivemos mais uma edição da Super quarta, dia marcado pelas decisões de política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Por aqui, o Banco Central brasileiro confirmou as expectativas do mercado e elevou a taxa básica de juros em 1 ponto percentual, a 6,25% ao ano. O comunicado indicou uma elevação de mesma magnitude no próximo encontro e que, no cenário-base, a Selic deve terminar o ano em 8,25%, chegando a 8,50% em 2022.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também seguiu o roteiro já esperado, com a manutenção da taxa básica de juros na faixa dos 0% a 0,25% ao ano. A instituição, no entanto, indicou que a redução do programa de recompra de títulos pode começar em breve. Jerome Powell, presidente do Fed, chegou a falar sobre novidades já na próxima reunião, que ocorre em novembro. Para que isso ocorra, é preciso apenas um relatório de emprego (payroll) que mostre uma recuperação mediana, o que tira a pressão dos indicadores de curtíssimo prazo.
Sobe e desce do Ibovespa
Enquanto as preocupações com o futuro da Evergrande arrefeciam, o minério de ferro aproveitou para se recuperar parcialmente da queda brusca dos últimos meses, o que permitiu que a Usiminas liderasse os ganhos da semana, com alta superior a 17%.
A reabertura gradual das fronteiras para brasileiros ao redor do mundo também impulsionou a recuperação do setor aéreo. No caso da Embraer, a companhia também foi beneficiada pela assinatura de novos contratos pela sua subsidiária de mobilidade urbana, a Eve.
Já as mudanças no alto escalão da Ultrapar, anunciadas nesta semana, impulsionaram as ações da companhia. Confira as maiores altas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 16,31 | 17,17% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 23,76 | 16,36% |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 23,86 | 14,27% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 21,76 | 13,75% |
| UGPA3 | Ultrapar ON | R$ 15,70 | 13,03% |
Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 57,96 | -12,20% |
| AMER3 | Americanas S.A | R$ 34,24 | -6,86% |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 21,00 | -6,00% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 15,63 | -5,67% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | R$ 5,18 | -5,65% |
FUTURO NEBULOSO
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