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Um dos pedidos de CPI mais avançados é encabeçado pelo Cidadania, que tem como foco investigar as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal para proteger aliados.
Com o agravamento das crises política, econômica e da pandemia do coronavírus, partidos da oposição e de centro intensificaram a ofensiva contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, no Congresso, ao mesmo tempo em que o governo tenta se blindar, acenando para o Centrão. Ao todo, sete pedidos de criação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) estão na fila e os requerimentos de impeachment se acumulam na mesa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Na quinta-feira, 21, mais um foi apresentado, totalizando 35 - número recorde em 17 meses de governo, como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo.
Um dos pedidos de CPI mais avançados é encabeçado pelo Cidadania, que tem como foco investigar as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal para proteger aliados.
"Aqui no Senado já temos quase todas as assinaturas necessárias", disse a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), sem, no entanto, revelar quantas faltam. Ela precisa do apoio de 27 dos seus colegas e de mais 171 deputados.
Nos bastidores, a expectativa é de que a abertura de uma CPI para apurar as acusações de Moro tenha potencial para ser tão ou mais explosiva do que a dos Correios. Criada em 2005, a CPI dos Correios tinha o objetivo de se debruçar sobre irregularidades em estatais no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas acabou virando seu foco para o escândalo do mensalão.
É por esse motivo que o Planalto tem atuado para conter o avanço das assinaturas e evitar que uma investigação, nesse momento, se torne uma "CPI do fim do mundo", fragilizando ainda mais o presidente.
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A estratégia do governo tem sido a de distribuir cargos aos partidos do Centrão em troca de apoio no Congresso. Até agora, Progressistas, Republicanos e PL já foram contemplados. Até mesmo a liderança do governo na Câmara deve ser transferida para um indicado do bloco.
Unidade
A oposição na Câmara soma 130 deputados, número insuficiente para impor derrotas a Bolsonaro. Com esse diagnóstico, líderes dessas siglas tentam unir esforços aos "independentes", grupo que reúne PSDB, MDB, PV e até mesmo ex-aliados de Bolsonaro no PSL. "A base do governo na Câmara tem diminuído bastante. Hoje, temos o apoio de partidos de centro e até de direita que querem o afastamento do presidente", disse o líder do PT, Enio Verri (RS).
Embora haja uma união dos partidos na ofensiva contra Bolsonaro, há diferenças em relação à tática de cada um. Enquanto o Cidadania aposta em uma CPI, partidos de esquerda tentam encurtar o caminho e pressionam para que Maia aceite a abertura de processo de impeachment.
O documento protocolado na quinta foi subscrito por sete legendas: PT, PCdoB, PSOL, PSTU, PCB, PCO e Unidade Popular (sigla ainda em formação). A diferença, agora, é que partidos, movimentos sociais e associações se uniram para fazer pressão pela saída do presidente em um pedido único. Outros requerimentos haviam sido apresentados individualmente por parlamentares.
Na lista das justificativas apresentadas para afastar o presidente estão as acusações de interferência na PF feitas por Moro, alvo de críticas de petistas. O ex-juiz da Lava Jato ganhou visibilidade ao mandar para a cadeia figuras importantes do PT, como o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu.
O documento cita trechos do pronunciamento que o ex-ministro da Justiça deu ao anunciar sua demissão do governo Bolsonaro. Na ocasião, parlamentares petistas evitaram dar vazão às acusações para não respaldar alguém visto como algoz do partido.
Em um apelo a Maia para que aceite o pedido de impeachment, deputados e senadores do PT, PSOL e PCdoB fizeram um evento na quinta, no Salão Nobre da Câmara, para apresentar a denúncia contra Bolsonaro. Estavam presentes a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), o líder do partido no Senado, Rogério Carvalho (PT-PR), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a líder do PSOL na Câmara, Fernanda Melchionna (RS), e o ex-presidenciável da legenda, Guilherme Boulos.
Maia também vem sendo pressionado nas redes sociais. Segundo dados da empresa AP/Exata, que monitora o comportamento de internautas nas redes, o número de interações relacionados ao tema impeachment tem crescido.
O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o movimento também foi captado por assessores que cuidam dos perfis de Maia. O deputado, no entanto, tem adotado cautela ao tratar do assunto, sob o argumento de que não é hora de conturbar ainda mais o cenário político. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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