Menu
2020-02-10T13:51:44-03:00
as vantagens do juro baixo

Corte da Selic faz governo economizar R$ 68,9 bi com juros da dívida pública

Montante é superior ao investimento feito pelo governo em 2019; a dívida pública é emitida pelo Tesouro para pagar despesas que ficam acima da arrecadação com impostos e tributos

10 de fevereiro de 2020
13:50 - atualizado às 13:51
06/05/2019 Reunia?o com o Ministro da Economia, Paulo Guedes
Presidente da República, Jair Bolsonaro, e o Ministro da Economia, Paulo Guedes. - Imagem: Isac Nóbrega/PR

Na esteira da queda dos juros básicos nos últimos anos, o custo da dívida pública brasileira terminou 2019 no menor nível da história. Dados do Banco Central mostram que a taxa de juros implícita da dívida bruta do País no acumulado de 12 meses fechou o ano passado em 7,8%. Um ano antes, estava em 8,3%.

Cálculos do Ministério da Economia indicam que a redução da Selic gerou, apenas no ano passado, uma economia de R$ 68,9 bilhões no serviço da dívida. O montante é superior a todo o investimento feito pelo governo federal em 2019, de R$ 56,6 bilhões. Em quatro anos, até 2022, sem mudanças nas condições, essa economia seria de R$ 417,6 bilhões, sendo R$ 120 bilhões só neste ano.

A dívida pública é emitida pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal. Ou seja, para pagar despesas que ficam acima da arrecadação com impostos e tributos.

Já a taxa implícita reflete o custo da dívida bruta do governo geral, que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o Banco Central e as empresas estatais. Normalmente, a dívida bruta é expressa em sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB), sendo que no fim de 2019 ela estava em 75,8%.

A dívida é um indicador acompanhado atentamente pelas agências de classificação de risco - que conferem notas aos países (o que funciona como uma recomendação, ou não, para investimentos). Uma tendência crescente da dívida, em um cenário de ausência de reformas, poderia gerar a piora na nota brasileira, com recomendação para que investidores estrangeiros retirem recursos do País.

O porcentual atual da dívida bruta é bem maior que os 51,5% do PIB vistos em dezembro de 2013, no melhor momento da série histórica, quando a crise no País ainda não havia se materializado depois do descontrole fiscal no governo Dilma Rousseff. Mas, apesar de ter hoje uma dívida bruta mais alta, o País está pagando juros mais baixos por ela.

Evolução

Por trás desses dados, está a queda consistente da Selic após agosto de 2016. Naquela época, a taxa básica estava em 14,25% ao ano. No fim de 2018, caiu para 6,5% e, no fim de 2019, ficou em 4,5% ao ano. Como boa parte do custo da dívida brasileira está ligada à Selic, quando a taxa básica cai, o juro pago pelo País também recua.

"A participação dos títulos prefixados (papéis que têm a correção determinada no momento do leilão) vem caindo, e os títulos indexados à Selic têm maior participação no endividamento", explica a economista Vilma Pinto, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Como a Selic caiu, o custo da dívida caiu também." Vilma afirma que outros fatores também contribuíram para a redução do custo da dívida pública, mas que a queda da Selic foi o mais relevante.

Para o diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Felipe Salto, a queda da Selic abriu uma janela de oportunidade para que o governo consiga estabilizar a dívida bruta com um esforço fiscal menor. O economista alerta, porém, que a Selic não deve permanecer para sempre no atual patamar.

"Da mesma forma que o juro caiu, ele pode aumentar, a depender da evolução da atividade econômica à frente. Como a demanda está controlada, a taxa de juros poderá ficar sem subir por um ano e meio ou dois anos", pondera. Ele estima que, em 2022, a Selic pode voltar a subir para algo entre 7% e 7,5%.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) voltou a reduzir a taxa básica - de 4,5% para 4,25% -, mas indicou o fim do ciclo de redução de juros. A expectativa do mercado financeiro é que a taxa básica volte a subir em algum momento, a partir de 2021. Mas as projeções indicam que ela voltaria aos 6,5% apenas em 2022.

Para Salto, o governo precisa aproveitar essa condição temporária para avançar em reformas estruturais, que garantirão o esforço necessário para reduzir a dívida pública mesmo em um cenário de uma Selic um pouco maior. Ele defende, por exemplo, a aprovação da PEC emergencial, que aciona gatilhos de redução de despesas, principalmente com pessoal.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

bolso afetado

Para 50%, coronavírus causou impacto na situação financeira pessoal, diz pesquisa

Proporção de pessoas que considera que suas dívidas vão aumentar ou aumentar muito disparou de 25% para 45%

fatia maior para o motorista

Senado eleva rendimento de motorista de aplicativo até outubro

Alteração obriga empresas como Uber, Cabify e 99 a reduzirem em ao menos 15% o valor retido nas corridas

em busca de soluções

Magazine Luiza, GPA e outras empresas promovem movimento #NãoDemita

Grandes bancos, fabricantes de alimentos, empresas de tecnologia, saúde e investimentos estão endossando uma campanha para evitar a demissão

perspectivas

Economia volta à retomada no 2º semestre, diz economista-chefe do Bradesco

Para Fernando Honorato Barbosa, o setor de serviços será o último a se recuperar

Reprovação aumenta

Governo Bolsonaro tem 42% de avaliação ‘ruim’ ou ‘péssima’ em abril, diz pesquisa

É o maior nível de avaliações ruins ou péssimas desde o início do mandato, mas ainda estável no limite da margem de erro

Virada de mão

“Vai faltar real para comprar dólar no preço atual”, diz Márcio Appel, da Adam Capital

Depois de ganhar dinheiro com a desvalorização cambial, gestor deixou de apostar na alta do dólar contra o real e avalia comprar a moeda brasileira

medida anticrise

Senado aprova texto-base de projeto que suspende prazos contratuais até outubro

Medida coloca no papel flexibilizações durante a pandemia do novo coronavírus no País e dependerá agora de chancela da Câmara

Em busca de soluções

Governo Federal é o único que pode emitir dívida e moeda, diz Maia

Sobre o trabalho do Parlamento, Maia disse que as Medidas Provisórias começarão a ser votadas “uma a uma” na próxima semana

A mesa virou?

Sistema bancário dos EUA pode ter problema por excesso de liquidez

Com acesso ao dinheiro, empresas estão guardando os recursos em poupanças, o que, juntamente com a liquidação de ativos de risco, inunda os bancos com liquidez

Reflexos da crise

Empresas alegam ‘força maior’ e já pedem revisão de contratos na Justiça

Com a alegação de “força maior” ou “evento fortuito” – por conta do coronavírus -, o meio jurídico teme que os contratos sejam suspensos em um efeito dominó, com distorções em toda economia

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements