Recuperação da economia depende de avanço nas reformas, diz Mourão
Em live do Banco Credit Suisse Brasil, Mourão também justificou a aproximação do governo com o grupo de cerca de 200 deputados que compõem os partidos do centro

O vice-presidente Hamilton Mourão reforçou que "está claro" que recuperação da economia depende do avanço das reformas. Uma das prioridades da equipe econômica, a reforma tributária pode voltar a ser discutida nas próximas semanas.
Durante live promovida pelo Credit Suisse, Mourão ressaltou os impactos da crise global do novo coronavírus e citou o auxílio emergencial pago pelo governo para trabalhadores informais.
"Estima-se que vamos chegar a R$ 250 bilhões ou R$ 50 bilhões nessa brincadeira", disse ele, sobre o impacto do pagamento.
Na última semana, o governo anunciou que irá pagar mais duas parcelas de R$ 600. Inicialmente, o benefício seria pago por três meses.
Ele também afirmou que a prerrogativa do teto de gastos é a "grande âncora fiscal" do País. "Não dá para recolher essa âncora fiscal. O gasto da pandemia é gasto da guerra", disse.
Em participação em live promovida pelo banco Credit Suisse, Mourão afirmou que o impacto provocado na economia pelo novo coronavírus forçará os ministérios a fazer adaptação. "Alguns ministérios terão de abrir mão de projetos, não tem como fugir."
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Centrão
Segundo Mourão, o sistema político brasileiro, com muitos partidos, implica uma aliança com o bloco Centrão. Em live do Banco Credit Suisse Brasil, Mourão justificou a aproximação do governo com o grupo de cerca de 200 deputados que compõem os partidos do centro.
"Enquanto permanecer com sistema político com essa quantidade de partidos qualquer governo terá que trazer para o bojo de suas ideias esse grupo de partidos de centro", afirmou. Segundo ele, um Congresso "multifacetado", com mais de 25 partidos, exige alianças como a feita com o Centrão.
A postura inicial do governo Bolsonaro negava essa estratégia e apostava na aliança com frentes parlamentares, como as bancadas rural, da bala, e evangélica. Os grupos, contudo, são compostos por diferentes partidos que só se alinham em relação aos temas específicos de frente, informou Mourão.
"O governo, os senhores sabem, iniciou com uma visão talvez idílica, vou ser aqui bem sincero, que por meio das bancadas temáticas teríamos relacionamento eficiente com o Congresso", disse. Sobre a adesão ao "toma lá da cá" de cargos de troca de cargos por apoio no parlamento, Mourão afirmou: "O partido que quer estar junto do governo quer participar e a participação se faz dessa forma".
Ele destacou que o recém nomeado ministro das Comunicação, Fábio Faria, antes deputado pelo PSD, faz bem a ponte de relação com o parlamento, junto ao ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo. Para o vice-presidente, é um "pleonasmo" falar em presidencialismos de coalizão. "O presidencialismo só pode ser de coalizão, se não houver coalizão o presidente não governa", afirmou.
Mourão disse que o Congresso tem um perfil reformista e aproximação com o Centrão facilitará a aprovação de reformas, como é o caso a tributária e a administrativa. Ele mencionou ainda que é necessário também um trabalho mais próximo e integrado junto aos governadores.
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