Menu
2020-01-16T13:51:17-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
hora do alerta?

Rappi e outras empresas apoiadas pelo Softbank demitem 2,6 mil em uma semana

Em 2019, outras 7 mil vagas tinham sido fechadas em companhias que receberam investimentos do grupo japonês; preocupação ganha força com os casos do Uber e do WeWork

16 de janeiro de 2020
13:51
Imagem do aplicativo de entregas Rappi
Rappi, aplicativo promete delivery de tudo - Imagem: Shutterstock

Maior investidor em startups nos últimos anos e responsável por dez aportes em empresas brasileiras só no ano passado, o grupo japonês SoftBank tem vivido dias difíceis.

Na semana passada, quatro empresas que receberam aportes da companhia - Oyo, Zume, Getaround e Rappi - demitiram 2,6 mil pessoas no mundo. Em 2019, outras 7 mil vagas tinham sido fechadas em empresas que receberam investimentos do SoftBank. Os cortes acenderam um sinal amarelo: será que os bilhões do SoftBank podem levar a uma nova bolha da tecnologia?

A preocupação ganha força com os casos do Uber e do WeWork, fortemente apoiados pelos japoneses. O primeiro, que abriu capital com altas expectativas, demitiu 1,5 mil pessoas e luta para dar lucro.

Já o segundo, cancelou os planos de abertura de capital após documentos enviados a investidores mostrarem graves falhas de governança. Em poucos dias, a startup de locação de escritórios teve sua avaliação reduzida de US$ 47 bilhões para US$ 8 bilhões - e precisou de socorro de US$ 10 bilhões do SoftBank, levando os japoneses ao primeiro prejuízo trimestral em 14 anos.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

As duas empresas são as principais apostas do Vision Fund, fundo de capital de risco de US$ 100 bilhões liderado pelo SoftBank, mas que conta também com dinheiro da Apple, da Qualcomm e do fundo soberano da Arábia Saudita. Ao assinar altos cheques e decidir de forma rápida, o fundo já foi acusado de supervalorizar startups.

Cedo para avaliação

Para especialistas, porém, é cedo para dizer que o SoftBank pode fracassar - e levar o mercado de tecnologia com ele. "Muita gente não entende como funciona o capital de risco. Parte do portfólio vai dar errado mesmo", afirma Caio Ramalho, pesquisador em startups da FGV-RJ.

"O papel dos fundos é ajudar startups a encontrarem o melhor caminho - e demitir faz parte disso." Na semana passada, o Rappi negou que as 300 demissões que fará estejam relacionadas ao momento do SoftBank.

Segundo Pedro Waengertner, professor da ESPM e sócio da empresa de inovação Ace, não é correto analisar o desempenho do Vision Fund no curto prazo - todo fundo de capital de risco tem um prazo para dar retorno a seus investidores.

Procurado pelo jornal O Estado de São Paulo, o SoftBank informou, em nota, que "continua firme na crença de que empresas baseadas em tecnologia vão revolucionar toda a economia", com investimentos gerando "alto impacto e grandes oportunidades".

Segundo fontes próximas à empresa, no entanto, o grupo tornou o processo de seleção para novos aportes mais rígido, incluindo profunda análise sobre a governança.

Pressão

Com os solavancos recentes, porém, as startups deverão ser pressionadas a dar lucro mais rapidamente. É o que crê Brad Gastwirth, estrategista-chefe de tecnologia da corretora Wedbush Securities. "As empresas precisarão ter modelo de negócios definido quando chegarem à Bolsa."

A professora de finanças do Insper Andrea Minardi recomenda cautela. "Caixa em excesso faz mal. Tira o foco, gera gastos desnecessários e é difícil recuperar a rentabilidade. Haverá reajustes no mercado."

O raciocínio vale para as startups brasileiras, diz Leonardo Teixeira, sócio do fundo Iporanga Ventures, investidor de QueroEducação, Loggi e Olist - as duas últimas receberam aportes do SoftBank. "Startups não são imunes a erros."

É algo que está na cabeça de André Maciel, líder da operação brasileira da gigante japonesa: em evento realizado no fim de 2019, ele falou com franqueza sobre os aportes feitos aqui. "Esperamos mortalidade de algumas empresas, o que é natural, mas vamos manter o ritmo de investimentos", frisou.

Para Teixeira, do Iporanga, o tropeço do SoftBank não deve afetar o Brasil, que só agora chega à maturidade. "Pode haver correção na avaliação de algumas empresas, mas o Brasil está num momento de expansão."

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

EMPREGOS

Para gerar 1 milhão de empregos, economia tem de crescer 3%, diz secretário

O secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, evitou nesta sexta-feira, 24, fazer uma previsão oficial para a geração de empregos com carteira assinada em 2020, mas disse acreditar em até 1 milhão de novos postos de trabalho neste ano, caso o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma alta próxima de 3% até […]

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

O que será que será da Selic?

A taxa básica de juros (Selic) vai continuar em queda? Quando fiz essa pergunta recentemente a um gestor de fundos, ele me devolveu com outra pergunta: – Você quer que eu responda o que o Banco Central deveria fazer ou o que ele vai fazer? Pode parecer uma diferença sutil, mas o mercado encontra-se atualmente […]

Dólar teve alta

Tensão com o coronavírus freia os mercados e faz o Ibovespa ficar no zero a zero na semana

O coronavírus trouxe cautela aos mercados, mas não desencadeou uma onda de pessimismo. Como resultado, o Ibovespa ficou praticamente zerado na semana — a nova doença neutralizou o otimismo estrutural visto na bolsa nos últimos dias

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast Touros e Ursos: Já pensou em conquistar sua independência financeira?

Repórteres do Seu Dinheiro trazem em podcast semanal um panorama sobre tudo o que movimentou os seus investimentos nesta semana

de olho na inflação

BC está confortável com inflação após choque de proteína, diz Campos Neto

“Há um gap de política monetária que a gente tenta comunicar. É importante, porque parte do que foi feito não está totalmente dissipado”, afirmou em seguida

MAIS ESCLARECIMENTOS

BNDES atual pôs R$ 15 milhões a mais em auditoria

O reajuste de 25% aconteceu por meio de um aditivo contratual, publicado no dia 25 de outubro de 2019, e aumentou de US$ 14 milhões para US$ 17,5 milhões o contrato da Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, escritório contratado para realizar os serviços de auditoria

CONFIRMADA

Oi confirma venda de participação na angolana Unitel por R$ 1 bilhão

O montante corresponde a venda de 25% da participação que detém na angolana e engloba também os dividendos que a Oi tem o direito de receber, mas que estavam retidos até então

negativas

Bolsonaro nega a ideia de ‘imposto do pecado’

Presidente também descartou a chance de desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública em duas pastas

Na bolsa

Itaú reduz participação na Qualicorp para menos de 5%

O banco passou a deter 4,95% do capital da administradora de planos de saúde coletivos após a venda das ações, que acumulam alta de mais de 200% em 12 meses

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta sexta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements