Privatizada, BR Distribuidora mantém nome Petrobras e investe R$ 1 bilhão em marca
BR Distribuidora terá a partir dessa semana nova identidade visual; a mudança em 7,7 mil postos deve se estender por 5 anos, consumindo R$ 1 bilhão

Privatizada há oito meses, a BR Distribuidora terá a partir dessa semana nova identidade. A mudança de visual dos seus 7,7 mil postos deve se estender por cinco anos e consumir R$ 1 bilhão em investimentos, cifra que será rateada entre a empresa e seus franqueados. A transformação começa hoje em cinco capitais das quatro regiões do País e no Distrito Federal - Belém (PA), Brasília (DF), João Pessoa (PB), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ).
Sem controlador definido e com capital pulverizado em bolsa de valores, a nova BR não renega sua história como estatal. O nome Petrobrás será mantido nas testeiras dos postos, instaladas na cobertura da área de abastecimento para identificar a fornecedora dos combustíveis. Em contrato, garantiu a extensão dessa parceria por até 20 anos. "São 7,7 mil postos com as marcas Petrobrás e BR. É o que temos hoje. Com o tempo, podemos evoluir para outros conceitos, desde que a gente não perca a nossa história, cultura, a identificação com o Brasil e com a energia", Rafael Grisolia, presidente da BR.
A companhia é líder no mercado de combustíveis e lubrificantes, com uma fatia de 25,3%, à frente da Raízen (junção da anglo-holandesa Shell com a Cosan) e da Ipiranga. Ao longo dos nove primeiros meses de 2019, a BR faturou R$ 70 bilhões.
Segundo o presidente, na nova marca, as cores verde e amarelo ganharam ainda mais destaque, porque a BR quer ser reconhecida como a empresa mais brasileira do segmento de combustíveis. A avaliação é que nenhuma das suas rivais ocupa esse lugar e que essa é a herança dos tempos de estatal que mais pretende manter.
"Temos uma história ligada à Petrobrás, que deu os nossos pilares. Enquanto isso, a gente está trazendo pessoas de mercado. Essa nova imagem é um conjunto disso tudo: de quem ficou e de quem está chegando"
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A avaliação do professor de Educação Executiva do Insper e especialista em marketing, Rodrigo Amantea, é que a exploração de ícones nacionais pode ser bastante positiva. "Essa é uma praxe entre as empresas americanas. Costuma ser uma associação de sucesso. Mas a logomarca tem de realmente vir acompanhada de mudanças", diz ele, acrescentando que um grande desafio é adequar a imagem e a prática ao momento atual de transição energética.
Um objetivo é transformar a companhia em uma comercializadora de energia, inclusive das renováveis. Grisolia aposta que os combustíveis fósseis e os biocombustíveis vão predominar no mercado interno ainda por muitos anos e que a grande transformação, por enquanto, será o avanço do etanol e do aumento da porcentagem do biodiesel no óleo diesel produzido a partir do petróleo. Ainda assim, ele quer deixar a BR preparada para atender outras demandas, à medida que o consumo de fontes mais limpas ganhar espaço na matriz energética. "Não posso perder cliente. Ninguém pode deixar de parar no meu posto porque decidiu comprar um carro elétrico."
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Grisolia enxerga oportunidade, por exemplo, no fornecimento a pequenas e médias indústrias interessadas em utilizar insumos menos poluentes no processo produtivo. Segundo ele, já há demanda no mercado para estes produtos.
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