Grandes empresas viram ‘bancos’ de fornecedores que não obtêm crédito
Linhas de antecipação de recebíveis foram abertas por empresas de diferentes cadeias produtivas como a mineradora Vale, a varejista Renner e a fabricante de autopeças Bosch

A dificuldade apontada pelas pequenas empresas em acessar as linhas de crédito emergenciais do governo fez recair sobre os grandes grupos empresariais o papel de financiador das atividades de seus fornecedores e distribuidores. Enquanto, de um lado, houve dilatação nos prazos de cobrança dos clientes da distribuição que tiveram estabelecimentos fechados nas cidades em quarentena, de outro, a necessidade de garantir o fluxo de suprimentos no retorno das atividades vem exigindo a antecipação de pagamentos a fornecedores que sofrem com a insuficiência de caixa em razão do longo período de interrupção dos pedidos.
Linhas de antecipação de recebíveis foram abertas por empresas de diferentes cadeias produtivas como a mineradora Vale, a varejista Renner e a fabricante de autopeças Bosch.
[captacao]
"Várias iniciativas de crédito foram lançadas, mas sem efetividade. Até agora, a indústria consegue funcionar sem grandes quebras de abastecimento em razão, simplesmente, de um grande acordo interno, pelo qual um ajuda o outro", comenta Fernando Pimentel, presidente da Abit, entidade que representa a indústria de produtos têxteis, um setor que chegou a manter apenas um terço do parque produtivo ativo em meio à paralisação do comércio de vestuário.
Segundo Pimentel, a cadeia de tecidos e vestuário tem cerca de R$ 20 bilhões em crédito gerado internamente - ou seja, em transações a prazo que não passam pelos bancos. "Só que isso não é suficiente, porque as empresas ficaram 90 dias sem faturar e agora precisam de capital de giro para retomar as atividades. Por mais ações que você faça, nada substitui o crédito bancário. São ações que deveriam ser apenas complementares", afirma o executivo.
Entre as iniciativas de apoio ao funcionamento da indústria têxtil, onde as micro e pequenas empresas são 85% do total, a Renner, maior companhia de varejo de moda do País, colocou de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões em crédito a fornecedores. Ao mesmo tempo, recorre a uma linha do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ampliar o alcance da ação.
Leia Também
A Vale, por sua vez, antecipou os pagamentos de aproximadamente 3 mil pequenos e médios fornecedores. Para os serviços ou materiais entregues até o fim de maio, a mineradora diminuiu em até 85% o prazo de pagamento.
Pagamento antecipado
Na Bosch, um programa permite que parte dos fornecedores receba, antes do vencimento, as faturas emitidas à fabricante de sistemas automotivos. "Esta medida tem o objetivo de ajudar a ajustar o fluxo de caixa do fornecedor neste momento por meio do acesso rápido aos pagamentos futuros", comenta Giulianno Ampudia, diretor de compras da Bosch América Latina. Segundo ele, a taxa cobrada na antecipação do recebível é "extremamente atrativa".
Mas como os grandes grupos também sofreram o baque da pandemia nas finanças, há limitações, por esse tipo de ação acentuar o descompasso entre receitas (adiadas) e despesas (antecipadas), abrindo buracos no capital de giro.
Por isso, muitos preferem apoiar a cadeia através de soluções alternativas que não passem pelo caixa, atuando mais como um facilitador para que o crédito chegue por diferentes caminhos às empresas em dificuldade. Desde 15 de junho, por exemplo, o BNDES recebe pedidos de grandes empresas, entre elas o da Renner, interessadas numa linha desenvolvida pelo banco para irrigar cadeias produtivas. Nela, uma empresa-âncora - de menor risco e, portanto, com acesso às melhores condições de financiamento - toma o crédito e o repassa a baixo custo a fornecedores e distribuidores da cadeia. Até o momento, porém, nenhuma operação foi contratada nesta modalidade.
Burocracia
O excesso de burocracia e a cobrança pelos bancos de garantias consideradas excessivas são citados por pequenas empresas e microempreendedores como os maiores obstáculos ao acesso das linhas de capital de giro mais baratas. Ainda que o governo tenha lançado fundos de garantias e o Banco Central (BC) tenha injetado uma soma de dinheiro sem precedentes no sistema financeiro, as empresas reclamam que o crédito não chega na ponta.
Em geral, a saúde financeira da cadeia de suprimentos tornou-se um dos principais focos de atenção da indústria na retomada da produção.
Conforme a Mercedes-Benz, montadora de caminhões e chassis de ônibus, a gestão de fornecedores críticos vem sendo um "tópico bastante ativo". A montadora alemã informa que tem procurado oferecer ferramentas facilitadoras para ajudar fornecedores com dificuldades relacionadas a fluxo de caixa.
Além da quebra de receita, uma decorrência da parada brusca das vendas, a pandemia impôs custos não previstos no orçamento de adaptação aos novos protocolos de prevenção da covid-19 nas linhas de produção e estabelecimentos comerciais.
Na Gerdau, onde aproximadamente 4 mil fornecedores são microempresas, companhias de pequeno porte e microempreendedores individuais, a solução tem sido direcioná-los a uma plataforma online da fintech Monkey, que os conecta a potenciais compradores de recebíveis da siderúrgica.
"Cada fornecedor enfrenta uma realidade diferente e buscamos entender e agir de acordo com a necessidade de cada um deles", afirma Vinícius Fernandes de Moura, gerente-geral de suprimentos da Gerdau.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
OPERAÇÃO REMOTA
Aposta feita pela internet fatura sozinha prêmio de quase R$ 12 milhões na Quina; Mega-Sena, Lotofácil e outras loterias acumulam
5 de novembro de 2026 - 5:56POLÍTICA MONETÁRIA
Copom segura Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado há cinco reuniões
4 de novembro de 2026 - 18:48CALMA MERCADO
Chegou a hora: Lula fará pronunciamento neste domingo para anunciar medidas de ajuste fiscal
4 de novembro de 2026 - 17:43FREIO NOS CORTES
Há uma pedra no caminho da Selic – e o próximo corte de juros pode depender de Lula
4 de novembro de 2026 - 6:43SAIU DO ATOLEIRO
Lotofácil 3820 tem 41 ganhadores, mas só um deles vai sacar prêmio milionário; Mega-Sena promete R$ 46 milhões hoje, mas tem loteria pagando mais
4 de novembro de 2026 - 5:56NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO