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Estadão Conteúdo

A ordem do dia é sobreviver

Crise deixa investidor mais seletivo em startups

Em meio à pandemia, os empreendedores vão ter de fazer mais com menos recursos, se quiserem se manter vivos após o período mais crítico da crise

Empresas Unicórnio - NuBank - Loggi - Stone - Gympass - 99
Mesmo investidores de startups unicórnio - avaliadas em mais de US$ 1 bi - estão colocando o pé no freio. Imagem: Seu Dinheiro / Shutterstock

Os fundos de venture capital - que investem em empresas iniciantes - estão mais seletivos em colocar seu dinheiro em projetos novos de startups e fintechs. Em meio à pandemia, os empreendedores vão ter de fazer mais com menos recursos, se quiserem se manter vivos após o período mais crítico da crise.

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O ano de 2020 prometia aportes recordes, seguindo o desempenho dos últimos três anos no País, superando os US$ 3 bilhões realizados no ano passado. A expectativa do mercado, contudo, é de que haja uma desaceleração dos investimentos.

Criado há três anos, o fundo Canary tem falado para suas empresas se prepararem para ficar sem captação, pois é difícil saber quão ativo e líquido o mercado ficará nesse período de turbulência.

"Achamos que o mais importante é chegar vivo do outro lado da crise. Mais do que crescer, é importante sobreviver", disse Marcos Toledo Leite, gestor do fundo. "Por outro lado, quem sobreviver será visto com bons olhos no futuro."

A gigante Kaszek, fundada por dois cofundadores do Mercado Livre, também deve manter seus investimentos, mas com cautela, diz Santiago Fossati, que comanda os negócios aqui no Brasil. Com US$ 1 bilhão sob gestão, o fundo, que tem entre suas investidas o Nubank, a empresa de logística Loggi e o Quinto Andar, não deve jorrar o dinheiro em projetos no mesmo ritmo de antes da pandemia.

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"Estamos conversando com as startups para entender o cenário e se elas estão com dinheiro em caixa", disse Michael Nicklas, sócio do Valor Capital Group, fundo que olha oportunidades de investimentos entre EUA e Brasil e tem entre suas investidas a operadora de maquininhas Stone e a academia de ginástica Gympass.

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Nicklas continua avaliando novos negócios durante a pandemia, mas com mais critério.

Com a crise, as startups estão recorrendo às linhas de crédito de bancos tradicionais, segundo Mathias Teixeira, corporate advisor para empresas de tecnologia do Itaú BBA. E esse movimento é um aprendizado para os dois lados. "Empresas tradicionais têm um passado, o que facilita os bancos a mensurar o risco do negócio. No caso das startups, esse passado não existe."

Espera

Com a crise da covid-19, a Pier, startup de seguros para celulares em operação desde setembro de 2018, teve de rever os seus planos de captação.

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"Temos uma perspectiva menos favorável para levantar recursos por conta da dificuldade de acessar os fundos de venture capital", disse Igor Mascarenhas, presidente e sócio do negócio. "Mas vamos expandir com o que temos."

No InoveBanco, fintech que opera no mercado de maquininhas, a fonte de captação também secou. A empresa estava em contato com três fundos de venture capital para levantar R$ 7 milhões, conta Patrick Burnett, sócio da companhia.

Mesmo assim, Burnett decidiu usar caixa próprio para colocar em pé o serviço de pagamento instantâneo por QR Code e reconhecimento facial por meio de parcerias com chineses.

Aportes devem reduzir ritmo

Os aportes dos fundos de venture capital em startups somaram US$ 516 milhões de janeiro a maio deste ano, 19,7% superior ao mesmo período de 2019, segundo a empresa de inovação Distrito. Ao todo, já foram mapeadas 116 rodadas de investimentos.

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Apesar de 2020 já ter movimentado mais de meio bilhão de dólares, é pouco provável que o primeiro semestre termine com investimento superior ao mesmo período de 2019.

Em junho passado, Gympass, Loggi e Creditas receberam um total de US$ 681 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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