‘Auxílio para as empresas não deve ser a fundo perdido’, diz presidente da Whirlpool
Executivo criticou a falta de sintonia entre as várias esferas do governo no que se refere ao combate à pandemia de covid-19

A crise gerada pelo novo coronavírus deixou alguns setores à beira do colapso. O presidente da multinacional Whirlpool, João Carlos Brega, afirma que, apesar das dificuldades sem precedentes, o governo federal precisa ser cirúrgico ao liberar recursos.
"Todo mundo está tendo dificuldade - e há algumas situações extremas, como a das companhias aéreas", disse o executivo, durante a série de entrevistas ao vivo Economia na Quarentena, do jornal O Estado de S. Paulo.. "(Mas a liberação) não pode ser a fundo perdido, pois é o dinheiro do contribuinte, dos impostos."
O executivo também criticou a falta de sintonia entre as várias esferas do governo no que se refere ao combate à pandemia de covid-19. "A prioridade deve ser a crise sanitária, que gerou a crise econômica. Sem se resolver a crise sanitária, vai ser como vender geladeira para esquimó." A americana Whirlpool fabrica e distribui as marcas de eletrodomésticos Brastemp, Cônsul e Kitchen Aid no Brasil. A companhia está presente no País há mais de 60 anos.
Brega disse ainda que a crise deve se estender mais do que se imaginava inicialmente. Ele prevê um segundo semestre ainda marcado por período recessivo "muito forte". "O Brasil e a América Latina sentiram os efeitos do vírus mais tarde do que outras regiões do mundo. E eu pessoalmente lamento o desalinhamento entre os governantes para termos uma solução mais adequada na parte sanitária", disse.
O segmento de linha branca vem sofrendo com o fechamento das lojas físicas de eletrodomésticos, que concentram cerca de 50% da demanda. Embora as vendas online tenham crescido em março e abril e ajudado um pouco o Dia das Mães, o resultado nem de longe foi suficiente para compensar a perda de metade do movimento.
Mesmo depois que o comércio não essencial puder abrir as portas, Brega projeta um problema de demanda. Isso porque, segundo ele, o segmento de eletrodomésticos é puxado por dois fatores. "O primeiro é de reposição: se quebrou, você precisa substituir os produtos essenciais. E a segunda alavanca é a compra planejada, motivada por uma reforma ou casamento, por exemplo. Essa segunda deixou de existir. Hoje nós vivemos da reposição."
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É só mais adiante, depois que a questão da pandemia estiver equalizada, que o executivo da Whirlpool vê algums movimentos positivos para o setor - entre eles, a tendência de as pessoas cozinharem mais em casa e, por isso, comprarem eletrodomésticos de mais qualidade. No Brasil, uma das demandas que teve crescimento durante a pandemia foi por máquinas de lavar louça. Brega afirma que é um campo ainda inexplorado. Hoje, segundo ele, menos de 2% dos domicílios brasileiros utilizam o aparelho.
Contratos suspensos
Embora tenha criticado a crise política e as discordâncias entre diferentes esferas de governo, o executivo elogiou a medida provisória do Ministério da Economia que flexibilizou as relações de trabalho durante o período da pandemia de coronavírus - ele classificou a decisão como "muito feliz".
"Na parte administrativa (da Whirlpool), parte dos funcionários está em home office e outra parte que está com contrato suspenso. Na manufatura, não houve suspensão, mas houve redução de jornada (e de salário). E isso descontando as pessoas do grupo de risco, que estão afastadas desde o início de março", explicou Brega.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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