Menu
2020-05-20T18:00:12-03:00
Estadão Conteúdo
de olho nas contas

Venda de imóveis da União deve render menos que o esperado

Dados do Balanço-Geral da União (BGU) mostram que a venda de R$ 1 trilhão em imóveis citado por Guedes pode não ser viável

20 de maio de 2020
12:58 - atualizado às 18:00
Entrevista coletiva do ministro da economia, Paulo Guedes
Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O governo quer acelerar a venda de imóveis com uma medida provisória chancelada pelo Congresso Nacional e que agora segue para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. A ação pode ajudar a equipe econômica a colocar mais dinheiro em caixa, sobretudo num momento em que é necessário reforçar o cofre após os gastos provocados pela pandemia do novo coronavírus. O valor das vendas, porém, deve ficar longe do R$ 1 trilhão propagado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

O "trilhão" em imóveis já foi citado pelo ministro em diferentes ocasiões, a mais recente delas em 29 de abril. Na ocasião, Guedes afirmou que o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, Salim Mattar, mostrou que o Brasil tem ativos imobiliários que somam mais de R$ 1 trilhão, além de R$ 900 bilhões em empresas estatais. "Ou seja, temos uma dívida de R$ 4 trilhões e quase R$ 2 trilhões em ativos. Se acelerarmos as privatizações e a venda de imóveis, também podemos reduzir a dívida", disse o ministro à época.

Dados do Balanço-Geral da União (BGU) mostram que a venda do "trilhão" em imóveis pode não ser viável. Os únicos imóveis que em tese poderiam ser vendidos, segundo explicação de técnicos do Tesouro Nacional, são os chamados "bens dominiais", denominação que inclui imóveis que não estão sendo usados pela administração nem são de uso comum do povo. Os bens dominiais somam R$ 376,1 bilhões na contabilidade da União.

Além disso, parte dos bens dominiais é formada por terras públicas não destinadas na Amazônia Legal e outros imóveis destinados à reforma agrária (que, se vendidos, não seriam comercializados pelo valor de mercado).

Ao todo, o governo tem R$ 1,3 trilhão em ativos imobiliários no BGU, mas a maior parte não é passível de venda. A União tem R$ 539,3 bilhões em bens de uso especial, que são os usados pela própria administração para prestar serviços ou mesmo sediar seus órgãos. Isso inclui hospitais, quartéis, escolas, ministérios, tribunais, entre outros.

Existem ainda os bens de uso comum do povo, que somam aproximadamente R$ 330 bilhões e incluem as rodovias federais (avaliadas em R$ 281 bilhões) e as ferrovias (mensuradas em R$ 48 bilhões).

Procurado, o Ministério da Economia informou que a União tem em sua carteira 756 mil imóveis cujo valor, segundo o BGU, é da ordem de R$ 1,3 trilhão. "Foram mapeados 3.800 imóveis para alienação, com um potencial de arrecadação de R$ 30 bilhões nos próximos três anos", informou a pasta.

Segundo o ministério, antes do período de pandemia e sem a edição da medida provisória aprovada agora no Congresso, a meta era alienar 465 imóveis em 2020 com um potencial de arrecadação de R$ 3 bilhões. "A aprovação pode alavancar esse número para 1.970 imóveis, o que traria um potencial de arrecadação de R$ 5,9 bilhões", afirmou.

Alternativa

Entre outros pontos, a proposta libera a venda em bloco se houver parecer técnico indicando que haverá maior valorização dos bens ou que a negociação de terrenos isolados seria difícil ou não recomendada. Também simplifica o processo de venda desses ativos que não tenham interesse de uso da União.

O economista Gil Castello Branco, fundador da Associação Contas Abertas, avalia que a venda não será fácil. "Muitos imóveis estão em péssimo estado, invadidos, e em locais que não despertam interesse do mercado. Além do mais, em época de pandemia os recursos privados também estão escassos e o interesse por aquisição de imóveis não é uma prioridade", diz. Para ele, a União é muito provavelmente "a maior e a pior imobiliária do mundo" pela falta de vocação e capacidade de gestão para administrar esses imóveis em vários Estados.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

seu dinheiro na sua noite

Fidelidade em baixa com a pandemia

Não, não estou falando da fidelidade entre casais. Até porque, por mais que a convivência excessiva em família na quarentena tenha abalado alguns casamentos, o momento não anda muito propício às puladas de cerca. Estou falando do setor de fidelidade, que abarca as empresas de programas de pontos e milhagem, sobretudo aqueles ligados às companhias […]

Empresa ligada à Vale

Justiça aprova pedido de Recuperação Judicial da Samarco

RJ não terá impacto nas atividades operacionais da mineradora, nem nas ações de reparação e compensação pela tragédia de Mariana

FECHAMENTO

Ibovespa ignora tensão em Brasília e NY no vermelho e avança 1%; dólar também sobe

Enquanto as blue chips garantiram o bom desempenho do Ibovespa, o dólar avançou 0,84%, pressionado pelo noticiário em Brasília

Exaltou integração

Presidente do Banco Central não enxerga competição entre bancos e fintechs

Segundo Campos Neto, a integração entre as mídias sociais e o sistema financeiro é maior inovação que existe no momento

Menos pontos e milhas

Setor de empresas de fidelidade encolhe quase 30% em 2020

O segmento de fidelidade movimentou R$ 5,3 bilhões em 2020, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF)

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies