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Crescimento menor, dólar maior

Santander corta projeção de PIB de 2% para 1% em 2020 e vê dólar a R$ 4,30

Choque global gerado pela pandemia do novo coronavírus subtrairá da atividade econômica brasileira 0,6 ponto percentual, enquanto os efeitos domésticos acarretarão em redução de 0,4 ponto do crescimento

Santander (SANB11)
Imagem: Shutterstock

O Santander reduziu sua expectativa para PIB do Brasil em 2020 de 2% para 1%, disse Mauricio Oreng, chefe de pesquisa macroeconômica do banco, em audioconferência com jornalistas.

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O choque global gerado pela pandemia do novo coronavírus subtrairá da atividade econômica brasileira 0,6 ponto percentual, enquanto os efeitos domésticos acarretarão em redução de 0,4 ponto do crescimento, afirmou Oreng.

Ele vê similaridades entre os efeitos de paralisação da atividade causados pelo vírus e pela greve dos caminhoneiros de 2018, com a diminuição gradual do choque. "O surto tem impacto relevante agora, mas se dissipa ao longo do tempo, como mostrou a China", disse.

Segundo o economista, é provável a realização de revisões mais frequentes de cenário, já que há incertezas sobre os impactos no cenário doméstico. Segundo ele, a previsão do banco hoje é de que o Brasil tenha uma contração de 0,2% do PIB no primeiro trimestre, voltando a se expandir no trimestre seguinte.

O dólar, por sua vez, deve caminhar para normalidade até o fim do ano, caindo do atual patamar para fechar 2020 cotado a R$ 4,30, disse ele. O Santander antes esperava que o dólar terminasse o ano em R$ 4,10. Para 2021, foi mantida a expectativa de dólar a R$ 4.

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O cenário de câmbio leva em conta um menor número de importações e menor impacto nas contas externas, mas, ainda assim, o efeito baixista da atividade.

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"A atividade é o fundamental aqui", disse Oreng, referindo-se às variáveis que pressionam a moeda.

No cenário global, o Santander trabalha com desaceleração intensa, em que a China cresça 4%, os Estados Unidos, 0%, e a Europa entre em recessão. Em 2021, no entanto, essas regiões teriam uma recuperação econômica. "No fim deste ano, a expansão monetária deve recuperar a atividade global e o ano que vem começa melhor, contando também com a alta de commodities."

O Banco Central do Brasil também deve cortar juros, na esteira dos bancos centrais estrangeiros, mas a visão é de que o espaço para a moderação da taxa básica é menor do que o do Federal Reserve.

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O Santander espera que o BC corte a Selic em 0,5 ponto na reunião do Copom de quarta-feira, 18, e faça mais uma redução de 0,25 ponto na reunião de maio, terminando o ano em 3,5% ao ano. Os esforços fiscais para conter o coronavírus no Brasil limitam o espaço para cortes da Selic, segundo o economista.

Pacote contra coronavírus

Para Oreng, o pacote de R$ 147 bilhões em medidas de estímulos para enfrentar o novo coronavírus anunciado pelo Ministério da Economia reflete a restrição fiscal do governo. "Foi um pacote bastante comedido", afirmou ele.

O economista também afirmou que é possível que o governo flexibilize a meta fiscal ao aprovar gastos para combater a doença, mas que isso não significa flexibilização de vários tipos de gasto público.

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"Os créditos extraordinários aprovados em uma situação de calamidade não estão sujeitos ao teto, então, não há necessidade de mexer no teto", disse Oreng.

Uma mudança no teto de gastos, aprovado no governo Michel Temer, pode diminuir a efetividade da política fiscal, disse Oreng. Isto porque, segundo ele, pode haver desancoragem das expectativas de inflação e diminuição da confiança do mercado com relação à capacidade do governo de pagar a dívida, afirmou Oreng.

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