Risco fiscal no Brasil ‘está em toda a parte’, diz José Júlio Senna
Chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) diz que "a Bolsa de São Paulo, em dólar, é um vexame"

Diferentemente do que ocorre nos países desenvolvidos e em parte dos emergentes, como a periferia da Europa, o risco fiscal associado à elevação de gastos públicos em medidas para mitigar os efeitos da recessão causada pela covid-19, no Brasil, "está em toda a parte", afirmou nesta segunda-feira José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
"A Bolsa de São Paulo, em dólar, é um vexame", afirmou Senna, em palestra durante o III Seminário de Análise Conjuntural do Ibre/FGV, organizado virtualmente em parceria com o Estadão. "É o desconforto com as contas públicas", completou o ex-diretor do Banco Central (BC), lembrando que o risco fiscal aparece também no câmbio, com a depreciação do real, no nível de juros e na "inclinação da curva" de juros no mercado.
Na visão de Senna, esse risco "só não aparece com clareza na Selic", a taxa básica de juros, fixada pelo BC em 2% ao ano, menor nível da história. "De repente, o BC foi um pouco além do que deveria na redução do juro", afirmou o pesquisador da FGV, após traçar um cenário global em que políticas de mitigação dos efeitos da recessão por causa da pandemia surtiram efeito, com retrações menores do que o esperado na economia mundial. E o efeito dependeu das ações fiscais, já que a política monetária tem sido insuficiente.
Serviços
A retomada da economia brasileira após o fundo do poço da recessão causada pela covid-19 tem sido mais forte do que o esperado, melhorando as projeções para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, mas o setor de serviços é um "freio de mão" da recuperação agregada, afirmou a pesquisadora Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro Ibre, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
"Como a crise afeta os serviços mais tradicionais, intensivos em mão de obra e com elevada informalidade, o impacto no emprego é grande", afirmou Silvia, em palestra durante o seminário.
Leia Também
Ozempic no SUS? Governo tenta emplacar canetas emagrecedoras nos postos de saúde e cita queda de 70% nos preços
Mega-Sena 3062 encalha e prêmio em jogo sobe para R$ 45 milhões; Lotofácil, Quina e outras loterias também acumulam
O Ibre/FGV projeta que a taxa de desemprego chegará ao fim do ano em torno de 15%, mas o impacto da crise no mercado de trabalho é desigual. Os trabalhadores mais vulneráveis, com baixa escolaridade e informais, são os mais atingidos, enquanto os trabalhadores formais, com acesso a políticas de manutenção do emprego, ao seguro-desemprego e ao FGTS, ficam mais protegidos, disse Silvia. Segundo a pesquisadora, os trabalhadores com escolaridade de 15 anos de estudo ou mais praticamente não foram afetados pela crise.
"O impacto sobre o mercado de trabalho é desproporcional", resumiu Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Ibre/FGV, também palestrante no seminário.
O problema, segundo Castelar, é que a retomada melhor do que o esperado no início da pandemia "coloca para o Brasil um dilema", por causa do risco fiscal com a elevação de gastos públicos para mitigar os efeitos da recessão, como o auxílio emergencial de R$ 600 ao mês para os trabalhadores informais.
Na avaliação do pesquisador do Ibre/FGV, apesar das disputas políticas para manter os gastos públicos como forma de sustentar a retomada da economia, a crise entrou numa fase em que "é um problema de saúde, não é fiscal".
"O fiscal já fez o seu trabalho e não vamos resolver o problema de saúde gastando mais", afirmou Castelar, completando que a prioridade das políticas públicas tinha que ser na saúde, com gestão e protocolos para o funcionamento das atividades, em vez de compensar a queda na renda com os auxílios. "É engano achar que o fiscal vai resolver o problema da crise. O que vai resolver é a saúde, com protocolos", disse Castelar.
O pesquisador vê um cenário de médio prazo em que não haverá vacina disponível para a maioria dos brasileiros nos próximos 12 meses, por isso, vê o País entrando num "novo não normal". "Isso significa que a economia não se recupera de todo, mas, por outro lado, as pessoas começam a voltar a uma não normalidade, mais parada", explicou Castelar.
O que pode mudar no médio prazo, lembrou o pesquisador, é o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro. Uma vitória do candidato do Partido Democrata, Joe Biden, "vai ter impactos não triviais" para o Brasil, por causa do elevado "grau de isolamento" que o País já enfrenta, especialmente em relação à política ambiental do governo federal.
Independentemente do resultado, Castelar lembrou ainda que o impacto de curto prazo da eleição americana será de volatilidade nos mercados, com efeitos na Bolsa, no câmbio e nos juros. E essa volatilidade poderá ser mais demorada no pleito deste ano, especialmente diante das sinalizações, já dadas pelo presidente Donald Trump, candidato à reeleição pelo Partido Republicano, de que poderá contestar o resultado eleitoral no Judiciário.
EDUCAÇÃO NOS HOLOFOTES
Cogna (COGN3) ainda pode subir 35%, mas Bradesco BBI faz um alerta para quem está de olho na ação
24 de setembro de 2026 - 16:45FIN4SHE 2026
Onde as mulheres investem? Presença feminina na B3 cresce 83%, mas ativo favorito ainda é outro
24 de setembro de 2026 - 15:49VISÃO DO GESTOR
O que Luis Stuhlberger espera de um governo Lula 4 e de um governo Flávio Bolsonaro
24 de setembro de 2026 - 13:39CAFEÍNA NA VEIA
Preço do café cai, consumo aumenta: brasileiros voltam a encher a xícara em 2026
24 de setembro de 2026 - 10:57ENGENHARIA FINANCEIRA
Banco Genial na mira: Operação Crédito Oculto investiga suposto esquema para esconder donos de distribuidora de combustíveis
24 de setembro de 2026 - 9:51NA TRAAAAAVE!
368 apostadores ficam no quase na Lotofácil 3787; Lotomania e +Milionária pagam mais de R$ 100 mil por bolas na trave
24 de setembro de 2026 - 6:53É HOJE
INSS e BPC/LOAS são pagos hoje; confira datas de setembro de 2026 e regras dos benefício
24 de setembro de 2026 - 5:05IRPF 2026
Receita Federal abre consulta a lote de restituição do Imposto de Renda para quem caiu na malha fina
23 de setembro de 2026 - 8:50ATENÇÕES DIVIDIDAS
Lotofácil 3786 e Dia de Sorte 1304 pagam prêmio principal; Mega-Sena 3061 acumula e agora promete R$ 38 milhões
23 de setembro de 2026 - 6:41BARGANHA GEOPOLÍTICA
Xi Jinping tem arma contra Trump que pode beneficiar uma empresa no Brasil, defende BTG
22 de setembro de 2026 - 16:35MUITO CUIDADO
Suzano (SUZB3) ou Klabin (KLBN11)? Bradesco BBI analisa setor de papel e celulose e apresenta sua “top pick”
22 de setembro de 2026 - 15:55ATÉ ONDE A SELIC VAI?
Copom vê a economia esfriar, mas não dá ao mercado a resposta que ele mais quer sobre os juros
22 de setembro de 2026 - 11:28ASSEMBLEIA VIRTUAL
Greve na Caixa: funcionários votam proposta do banco para o fim da paralisação; conheça a decisão
22 de setembro de 2026 - 7:10DEZENAS DE GANHADORES
Lotofácil 3785 premia aposta simples e bolão com 35 participantes; Mega-Sena promete R$ 32 milhões
22 de setembro de 2026 - 6:38ESTÁ NO PREÇO
O Brasil vai quebrar? Entenda por que o risco fiscal mexe com a renda fixa, as ações e até o dólar
22 de setembro de 2026 - 6:03DEPOIS DO ALERTA
Nvidia e outras empresas de IA enfrentam o “vale das sombras” após alerta da Anthropic; o que fazer com as ações?
21 de setembro de 2026 - 19:30MAIS SELETIVO
Safra pisa no freio e corta preço-alvo de 5 ações do setor imobiliário — e uma destoa ainda mais das outras
21 de setembro de 2026 - 16:30A ORDEM IMPORTA
Como fazer um ajuste fiscal de R$ 80 bilhões em 4 passos antes mesmo de mexer no salário-mínimo, segundo Felipe Salto, da Warren
21 de setembro de 2026 - 7:08DANÇA DAS CADEIRAS
+Milionária promete o triplo da Mega-Sena e lidera ranking das loterias da Caixa com prêmio de quase R$ 100 milhões
21 de setembro de 2026 - 6:48ATENÇÃO ESTUDANTES