Menu
2020-08-08T12:54:04-03:00
Estadão Conteúdo
Crise

Produção reage, mas montadoras demitem 1,5 mil

Apesar da melhora em julho, a indústria automobilística produziu neste ano metade do volume registrado de janeiro a julho de 2019 e segue reduzindo o quadro de pessoal

8 de agosto de 2020
12:54
Montadora de carros e veículos
Imagem: Shutterstock

Apesar da melhora em julho, a indústria automobilística produziu neste ano metade do volume registrado de janeiro a julho de 2019 e segue reduzindo o quadro de pessoal. No mês passado, foram fechadas 1,5 mil vagas. No ano, foram 3,1 mil cortes, enquanto a produção chegou a 900 mil veículos - 48,3% inferior aos números do ano passado.

"Se não ocorrer uma retomada mais forte na economia, devem vir mais cortes", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes. Segundo ele, demitir pessoal qualificado é a última opção das empresas, mas há "limites" para a manter vagas se o mercado não reagir. O setor emprega hoje 122,5 mil pessoas.

A conta de cortes inclui os 747 trabalhadores demitidos pela Renault no Paraná, onde o sindicato dos metalúrgicos local obteve na Justiça liminar suspendendo as dispensas. Empresa e sindicato retomaram negociações para buscar um acordo.

As montadoras trabalham com projeção de queda de 40% nas vendas este ano, para 1,67 milhão de unidades, incluindo caminhões e ônibus. Antes da pandemia, a previsão era de chegar a 3 milhões de unidades, volume agora previsto apenas para 2025. Essa queda, afirma Moraes, vai representar perda de receita de até R$ 80 bilhões nos resultados esperados pelo setor no início do ano.

Nas novas projeções, mesmo com um crescimento contínuo nos próximos anos, a indústria deixará de vender, ao longo de seis anos, entre 6 milhões e 7 milhões de veículos. Segundo Moraes, o cenário previsto antes da covid-19 com base nas expectativas de alta do PIB brasileiro era chegar em 2025 com vendas na casa de 4 milhões de veículos.

Com todas as fábricas operando, ainda que em ritmo reduzido após vários meses de paralisação por causa do coronavírus, a produção aumentou 73% em julho, ante junho, com 170,3 mil unidades, mas foi 36,2% menor que a de julho de 2019. Já as vendas no ano caíram 36,6%, para 983 mil veículos, e as exportações recuaram 43,7%, para 148,7 mil unidades.

Metas de emissões

Diante do desempenho mais fraco que o previsto para os próximos anos, a Anfavea tenta junto ao governo atrasar em dois a três anos o cumprimento de metas de redução de emissões de poluentes estabelecidas no programa Rota 2030, e previstas para entrar em vigor gradualmente entre 2022 e 2025.

Além da dificuldade em dispor dos R$ 12 bilhões de investimentos previstos para novos projetos, as empresas alegam que suspenderam testes durante a paralisação causada pela covid-19 e, mesmo aqueles feitos anteriormente, terão de ser refeitos. "O cronograma físico foi comprometido", diz Moraes.

O executivo afirma que os automóveis atuais evoluíram muito em relação a níveis de emissões e reclama da falta de programas governamentais, como o de renovação da frota e o de inspeção veicular que, se adotados, trariam ganhos ambientais. "A frota antiga polui 28 vezes mais que a atual", diz. A Anfavea voltou a discutir com o governo nova proposta de renovação de frota.

Outra preocupação é que, na transição do sistema tributário atual para outro após a reforma tributária, os créditos de R$ 25 bilhões que o setor tem a receber em impostos pagos (e que deveriam retornar às empresas) virem pó. "Poderíamos usar esse dinheiro para pagar despesas e fazer investimentos, mas estamos financiando o Estado."

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

seu dinheiro na sua noite

Onde está o Guedes?

Paulo Guedes esteve presente ontem no anúncio do programa Renda Cidadã pelo governo, ao lado de Jair Bolsonaro e lideranças do Congresso. Mas os investidores no mercado financeiro não reconheceram no ministro a figura que prometeu implementar uma agenda de medidas liberais na economia, incluindo privatizações e reformas. A desconfiança sobre como a equipe econômica encaixaria […]

ajuste fiscal

Propostas para o Renda Cidadã não têm intenção de driblar teto, diz secretário do Tesouro

“A gente sabe que o teto é baseado em credibilidade e não adianta tomarmos ações que minem a credibilidade do teto”, disse Bruno Funchal

Mercado agora

Ibovespa fecha em queda com descrença sobre possível recuo de ‘pedalada’

No exterior, expectativa em torno do primeiro debate entre os principais candidatos à presidência dos EUA inibiu apetite por risco

Fiador sem crédito

Investidores veem omissão de Guedes no Renda Cidadã e mostram cansaço com “Posto Ipiranga”

Agentes do mercado financeiro questionam voto de confiança no ministro da Economia como fiador da disciplina fiscal

recadinho

Relevância do cumprimento do teto no pós-crise será ainda maior, diz Tesouro

Tesouro Nacional reforçou o alerta de que é preciso acelerar as reformas para manter a confiança dos investidores e os juros baixos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements