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O governo de Portugal é sócio da Embraer na OGMA, de manutenção de aeronaves, com uma participação de 35%
Após ser o primeiro país a comprar o cargueiro militar C-390 Millenium, o maior avião já produzido pela Embraer, em um contrato de US$ 827 milhões, Portugal deve fazer uma espécie de meio de campo para a venda da aeronave para os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Estamos disponíveis para contar a nossa experiência (com o C-390) para parceiros da Otan", disse o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, em visita recente ao Brasil.
Com a medida, umas das intenções do país é beneficiar a indústria local. O governo de Portugal é sócio da Embraer na OGMA, de manutenção de aeronaves, com uma participação de 35%.
A seguir, trechos da entrevista:
O governo português comprou cinco C-390 Millenium. Hoje, o país tem quatro Hércules C-130, que estão com 40 anos de uso. Os cinco C-390 são suficientes para renovar a frota da Força Aérea Portuguesa?
Sim. Nesses assuntos, temos de encontrar um equilíbrio entre o que é nosso desejo e o que é razoável. Portugal está fazendo o maior investimento em defesa desde a volta da democracia. A lei de programação militar de 2019, que prevê a compra de equipamentos em 12 anos, nos dá cerca de US$ 4,5 bilhões. O C-390 representa US$ 827 milhões.
Portugal vem se recuperando, desde 2014, de uma crise profunda. Qual era a situação dos equipamentos militares após a crise?
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Houve alguma degradação na medida em que foi necessário reduzir o investimento na área militar, como em outras áreas. Estamos com a economia crescendo há cinco anos e desemprego baixo. Há também um contexto internacional que nos impele a fazer investimentos em defesa. Uma volatilidade internacional e um alto nível de insegurança: Portugal está próximo do Oriente Médio, também temos militares no Afeganistão e em vários países africanos. Olhando para o contexto geoestratégico e para a natureza dos nossos equipamentos, estávamos em uma fase em que precisávamos fazer este investimento.
Em visita à fábrica da Embraer, o sr. falou da necessidade de Portugal de treinar pilotos militares. Isso pode significar também uma necessidade de adquirir Super Tucanos (aviões da Embraer usados em treinamentos)?
Estudamos isso. Vamos montar uma escola internacional de pilotos com parceiros privados e com a Força Aérea Portuguesa. Portanto, serão os parceiros privados que decidirão o investimento. O Super Tucano é conhecido pelas suas qualidades como avião de formação e estamos a olhar para ele.
Quantos aviões de treinamento vocês precisariam?
Há uma necessidade sentida por vários países europeus. Individualmente, um país como Portugal, Bélgica, Dinamarca ou Holanda não tem escala para fazer uma escola de formação de pilotos para sua força aérea. Nossa ideia é nos unirmos e evitar que pilotos tenham de atravessar o Atlântico e fazer a formação nos EUA. Esse projeto está adiantado e seria baseado em Beja, uma cidade no sul de Portugal onde o céu é azul 300 dias por ano, o que é muito importante para a formação, e o espaço aéreo é descongestionado.
Portugal se beneficia da venda do C-390 porque produz peças usadas na fabricação do avião. O país pode promover o modelo entre os países da União Europeia e da Otan?
O C-390 é uma história de sucesso e de parceria luso-brasileira. Ele foi desenvolvido pela Embraer, mas com uma contribuição significativa da engenharia portuguesa e de produção em dois locais de Portugal. Seremos também o centro para qualquer venda para países da Otan. Portanto, qualquer venda para países terceiros vai beneficiar o país. Primeiro porque as peças serão fabricadas em Portugal e a engenharia portuguesa continuará ativa. E quando as vendas forem para países da Otan, as configurações específicas da Otan serão feitas em Portugal.
O país trabalhará na venda desses aviões para países da Otan?
Sim. Não temos isso formalizado, mas é natural. Estamos disponíveis para contar a nossa experiência (com o C-390) para parceiros da Otan. Contar qual tem sido a experiência da nossa força aérea no trabalho com a Embraer. Fazemos isso com gosto e interesse próprio, porque a Embraer também tem uma bandeirinha portuguesa no C-390.
Sendo Portugal parceiro da Embraer, como o governo viu a venda de 80% da divisão comercial da empresa para a Boeing?
Estamos falando com a Boeing agora pela primeira vez. Para nós, é uma oportunidade nova e interessante. Digamos que Portugal não estava no radar da Boeing. A Boeing não tem plantas na Europa. E, de repente a Boeing passa a ser dona de 80% de duas fábricas em Évora. Isso para nós é uma oportunidade interessante.
O Estado português é dono de 35% da OGMA, empresa de manutenção de aeronaves em que a Embraer tem 65% de participação. O governo português anterior falava da possibilidade de a companhia também fabricar aeronaves. Esse projeto pode ser retomado?
Há um consenso que a OGMA pode e deve aumentar significativamente seu trabalho e seu faturamento. Hoje, a OGMA fatura algo como ¤ 200 milhões (R$ 945 milhões) por ano. Estamos satisfeitos porque todos os anos dá lucro, mas pode e deve ser uma empresa bem maior. Não é esse o momento de desvendar novidades, mas acredito que em 2020 a OGMA vai dar um salto grande. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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