PIB do Brasil cresce 1,1% em 2019, em linha com estimativas do mercado
O resultado é o pior da economia brasileira em três anos; no quarto trimestre, o avanço foi de 0,5%, segundo informações do IBGE divulgadas nesta quarta-feira

O Produto Interno Bruno (PIB) do Brasil cresceu 1,1% em 2019 — totalizando R$ 7,2 bilhões —, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (4). No quarto trimestre, o avanço foi de 0,5% em relação ao três meses anteriores.
Os resultados estão em linha com as mais recentes estimativas do mercado: a última publicação do Focus, do Banco Central, apontava um crescimento de 1,17% para 2019. No entanto, a mesma pesquisa chegou e indicar um avanço de 2,53% do PIB, em janeiro do ano passado.
O desempenho de 2019 também é o pior para a economia brasileira em três anos — em 2017 o PIB cresceu 1,0%. O indicador ainda não anulou a queda de 2015 e 2016.
Para o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, a primeira leitura dos dados veio pior que o esperado. "Trabalhávamos com a hipótese de que a formação bruta do capital fixo mantivesse o bom resultado, mas foram uma decepção os números apresentados", diz.
O indicador avançou 2,2% no ano, mas a trajetória foi de queda ao longo de 2019. No segundo e no terceiro trimestres, a formação bruta de capital fixo avançou 2,6% e 1,3%, respectivamente. Mas no último trimestre recuou 3,3%.
No ano passado, a maior contribuição para o crescimento do PIB foi o consumo das famílias, que cresceu 1,8%, segundo o IBGE. Pelo lado da oferta, o destaque foi o setor de serviços — que representa dois terços da economia.
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Segundo a economista do IBGE, Rebeca Palis, a indústria teve um comportamento diferente em relação a 2018, puxada pelo crescimento na construção, após cinco anos de desempenho negativo. "Já a indústria de transformação, que havia crescido mais em 2018, ficou estagnada em 2019”.

Destaques do PIB em 2019
- Agropecuária: 1,3%
- Consumo das famílias: 1,8%
- Consumo do governo: -0,4%
- Construção civil: 1,6%
- Exportação: -2,5%
- Importação: 1,1%
- Investimentos: 2,2%
- Indústria: 0,5%
- Serviços: 1,3%
4º trimestre
No quarto trimestre, ainda segundo o IBGE, os serviços e a indústria tiveram variação positiva de 0,6% e 0,2%, respectivamente, enquanto a agropecuária recuou 0,4%.
Quando comparado ao quarto trimestre de 2018, o PIB avançou 1,7%, no décimo segundo resultado positivo consecutivo, após onze trimestres de queda nesta base de comparação.
Em 2020, o crescimento da economia brasileira ainda é uma incógnita em meio ao temor sobre os efeitos do coronavírus. Ontem, o banco norte-americano Goldman Sachs reduziu a previsão de alta do PIB de 2,2% para 1,5%. A Capital Economics, que já esperava 1,5%, agora prevê só 1,3%.
Perfeito, da Necton, diz que, após os resultados de hoje, a casa vai revisar "fortemente" para baixo o PIB de 2020 e reafirmará a perspectiva de corte de juros mais agressivo este ano.
Investimento sobe e poupança cai em 2019
Segundo o IBGE, a taxa de investimento no ano de 2019 foi de 15,4% do PIB, ligeiramente acima do observado no ano anterior (15,2%). A taxa de poupança foi de 12,2% em 2019 (ante 12,4% em 2018).
Entre os componentes da demanda interna, houve avanço no consumo das famílias (1,8%), e na formação bruta de capital fixo, em 2,2%. O consumo do governo recuou 0,4%.
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